Palavrinhas

Estava a ler já não sei o quê e reparei que na mesma frase havia duas palavras muito semelhantes em termos gráficos: «revolver» e «revólver». A diferença é apenas de um acento agudo, mas de facto é muito maior do que eu esperaria. Como à partida não lhes encontrei grandes afinidades, fui ao Dicionário Houaiss ver as respectivas etimologias e surpreendi-me ao ver que o verbo «revolver» vem do Latim e que a arma com cano vem do inglês... Esquisito, mas é verdade. «Revolver», com o sentido original de «enrolar», «enroscar», «rolar para trás», acabou por ter sobretudo o significado de «remexer», «desarrumar» ou «agitar», enquanto «revólver» é simplesmente o nome de uma arma com um cano e um cilindro que rola (se calhar para trás) onde se introduzem balas. Talvez um corpo ou cabeça que levem um balázio de um revólver fiquem revolvidos, mas eu nunca diria que linguisticamente uma coisa não tinha nada que ver com a outra. Sempre a aprender.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco7 de maio de 2025 às 02:03

    Discordo... tem tudo a ver!
    Revolver é agitar ou remexer, fazer dar voltas!
    Ora revólver é uma arma específica, caracterizada por ter um tambor (ou cilindro), onde se colocam as ditas balas, o qual gira em torno de um eixo fixo acoplado ao cano de modo a ficar sucessivamente alinhado com ele, sendo deflagradas uma a uma à medida que roda. Daí o termo "revólver".
    Não sou linguista, apenas tenho algum conhecimento sobre armas, pelo que para mim o termo faz todo o sentido.
    Facto é, que na língua portuguesa, que alguns classificam de traiçoeira, seja curioso que um simples acento ortográfico possa mudar o sentido da palavra, porém não sem lógica. O que nenhuma lógica tem, nem faz sentido, é que um tonto qualquer tenha decidido que fato-traje e facto-acção se escrevam da mesma forma, sem atentar justamente na lógica do contexto.

    Nota livresca: - Talvez os Extraordinários não façam idéia da imensidão de livros que existem, em todas as línguas, escritos desde sempre e ao longo dos tempos, sobre armas em geral, sejam elas de fogo, brancas ou de todos os tipos! Idem sobre o seu uso de que se destaca o tema do tiro... há muita gente que se interessa pelo assunto e os livros são disso
    a prova, os nossos bem-amados livros que efectiva e felizmente cobrem todas as actividades do ser humano, o que é exclusivo nosso. Serei especista, porém nunca vi um cão a ler Pavlov ou sobre o que quer que fosse e nem os gatos da Extraordinária Cristina Carvalho, que eu saiba, lêem sobre o período da nidificação dos pássaros ou hábitos dos ratitos do campo!

    Saudações revolvidas cá duma Cidade Morena bem remexida.

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  2. Razão de sobra para a etimologia importar na compreensão das palavras. Pois não é?

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  3. Faltou dizer o mais importante: que o 'revolver' inglês (pronunciado com acento tónico na penúltima sílaba tónica) vem também do latim 'revolvere', pois é o que faz um 'revólver': revolver, rodar, o cilindro onde se encontram as balas... Assim como o Florida castelhano deu Flórida (que em Portugal bem convinha dizer Florida), o 'revolvere' deu 'revólver'. Mas isso não é lógico? Nem é preciso aprofundar nos dicionários...

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  4. onde pus 'balas' deveria ter posto 'munições'...

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  5. António Luiz Pacheco8 de maio de 2025 às 12:36

    Não se penalize meu caro Anónimo: "Bala" pode ser usado coloquialmente enquanto se pretende designar a munição no seu todo e não apenas referir o projéctil. É vulgaríssimo, corrente até, quando entre atiradores ou caçadores, dizer-se "que bala usaste" em vez de "munição".
    Está por isso perdoado!
    Eheheh!
    Saudações balísticas cá da Cidade Morena.

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