O que ando a ler

Já falei aqui de certezinha absoluta do livro As Malditas, de Camila Sosa Villada, uma autora argentina travesti (a palavra é da própria) que deu recentemente uma entrevista ao Público e cujo romance de estreia (em espanhol Las Malas) é absolutamente imperdível e trata da vida de um grupo de travestis que se prostituem numa espécie de Bois de Boulogne. Este novo romance (Tese sobre Uma Domesticação) não é tão bom (era difícil, claro), mas vale a pena ser lido. Fala de uma actriz (hoje dizemos «trans», embora a autora continue a preferir «travesti») que se casa com um advogado homossexual (que nem percebe bem porque se apaixonou por ela e que tem os seus casos com homens de vez em quando); juntos, resolvem adoptar um menino de dez anos seropositivo, que desenha muito bem, mas a actriz tem dificuldades em manter uma vida familiar calma e normal, até porque o seu modelo de casamento (mãe e pai divorciados e um tanto brutos) não é o melhor e também porque está acostumada a uma vida bastante licenciosa e não resiste a uma queca extramatrimonial, seja com o encenador, seja com o carpinteiro que também não desdenha a mãe dela (há muito sexo neste livro, aviso). Veremos no que dá, neste momento estou a caminho de um fim-de-semana em família (com pais e meio irmão) que não me parece que vá acabar bem.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco2 de maio de 2025 às 08:51

    Continuo de volta d' Os ratoneiros, de Faulkner.
    Que bom livro, mas sobretudo que grande escritor!
    É outro autor com quem muito me identifico na escrita e fora dela, pelo que repito que é muito importante sabermos quem e como são ou foram os escritores que nos impressionam, descobrindo essa ligação no estabelecer de pontes que entendo como a continuação da leitura.

    Votos de um Extraordinário fim de semana cá desde a Cidade Morena.

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  2. No meu caso, O Idiota, de Dostoievski. Ainda estou longe do fim, mas este autor é impressionante. O personagem principal sofre de epilepsia, tal como Dostoievski e as situações sucedem-se.

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  3. A pessoa em causa identifica-se como homem.
    Os meus pais tiveram um filho, diz.
    Na minha opinião não é uma autora, é um autor "travesti". Um homem que "finge ser mulher.
    Mal comparado será uma espécie de José Castelo Branco da Argentina.
    Talvez aqui possamos conhecer essa pessoa melhor:
    https://www.lavoz.com.ar/vos/escena/camila-sosa-villada-tiene-su-nueva-identidad/

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  4. Em nenhum momento da entrevista percebi que Camila se identifique como homem. Basta ler com atenção. Ela dizer que nasceu homem, que foi filho e que foi rapaz não permite tirar a ilação de que se identifica como homem.

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  5. E basta ouvi-la falar (no YouTube por exemplo) e ler um parágrafo de Camila para cair por terra essa comparação fácil com um ser como o tal Castelo Branco, com o seu reduzido mundo de aparências, superfluidades e desinteresse pelo que realmente importa na vida.

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