Resumos de notícias

Cada vez estamos a ser mais treinados para ler pouco... Numa rede social, quem se atreve a publicar um texto mais extenso (Frederico Lourenço fê-lo várias vezes no passado e tinha imensos leitores) vê-o reduzido a três meras linhas seguidas da expressão destacada «Ver mais», mas o facto de não vermos logo o texto completo leva a que muita gente nem sequer se dê ao trabalho de ver quanto lhe falta e se tem tempo para ler até ao fim; se as primeiras linhas não forem muito fortes, ficarão de facto por ler na maioria dos casos... Agora, que os jornais em papel, impressos na véspera da data de saída, se tornam facilmente obsoletos de manhã (até já houve um jornal que acreditou estar seguro das suas previsões e deu uma primeira página com dados errados numas eleições americanas...), muitos jornais mandam por e-mail um resumo das principais notícias todas as manhãs (o Expresso e o seu Expresso diário, por exemplo). Desta feita, foi o Diário de Notícias que resolveu criar a newsletter «Bom Dia», em que um experiente profissional nos faz a papa toda, resumindo com elegência o que há a saber de mais importante sobre a actualidade. Confesso que dá imenso jeito (sobretudo a caminho do Luxemburgo, onde ficarei até domingo), mas, depois desta síntese tão bem feitinha, alguém vai ler o resto do jornal? Duvido.

Comentários

  1. Hipertrofia da oferta.
    Sociedade do peixe vermelho.
    Obesidade editorial.
    Cacofonia.
    "Fear of missing out".

    O difícil hoje é mesmo viver satisfeito dentro dos limites de velocidade

    Boas leituras

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  2. António Luiz Pacheco24 de abril de 2025 às 01:25

    Ler é uma prática complexa e nem por isso fácil de caracterizar pois depende de vários factores, desde logo do próprio leitor e das muitas circunstâncias endógenas e exógenas.
    Há tentativas de dominar a leitura, de a dirigir ou caracterizar nesse sentido, mas será que alguém o conseguiu, consegue ou conseguirá? Nomeadamente os jornais.
    Pergunto?
    Não creio, e, por mim falo.
    Leio textos compridos se o tema interessa, por sistema prefiro os longos aos curtos, sou dos que clicam no "ler mais". Mas serei um leitor típico? Contemporâneo? Ou uma outra categoria que os escreventes de notícias julguem ter tipificado e capturado?
    Não sei, tudo depende do interesse, do momento e da oportunidade.
    Creio que gosto de ler e de escrever porque gosto muito de conversar, de falar e ouvir. Talvez daí a minha inclinação para textos extensos.

    Saudações extensivas a todos os Extraordinários que me aturam quase que diáriamente e votos de uma Extraordinária jornada luxemburguesa para si, cá da Cidade Morena a querer mudar para o cacimbo!

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  3. Hoje é o Dia da LIBERDADE. E penso nele. Já cantei "Grândola Vila Morena" e "A Gaivota". E até já brindei à Liberdade. Tento esquecer um primeiro ministro obtuso que tem a veleidade de misturar alhos com bugalhos evitando assim a celebração da data.
    A Rosário desculpe lá pelo Luxemburgo onde está a tratar de fazer entender que a leitura é liberdade. Desejo que seja actividade gratificante Sorry, fugi ao tema, mas a desfaçatez está-me atravessada. Santos de pau oco.
    Começo a duvidar de que "somos livres e não voltaremos atrás".

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