Prémio LeYa
Hoje sai para rua e as livrarias mais um romance vencedor do Prémio LeYa. Desta feita, estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria. É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos. Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis – entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler –, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido. Pés de Barro é um livro maravilhoso que, garanto, toda a gente vai gostar de ler. Parabéns, Nuno Duarte! (A maravilhosa capa é de Rui Garrido.)

Parabéns Nuno Duarte! Que venda muito e se torne conhecido por este e muitos mais romances. Dada a qualidade apregoada do livro e de outros que não venceram mas vão ser na mesma editados, este ano a safra terá sido boa. É o que se quer. E a Rosário está satisfeita com a pulsação livresca. Parece-me.
ResponderEliminarLerei... se me convencer, depois comentarei.
ResponderEliminarComo é sabido, para mim, ser premiado ou não, não me afecta, como ser finalista ou outra manobra de promoção. Entendo o merchandising mas não me influencia.
Sinceros parabéns ao autor. O tal Tirapicos será parente do veterinário de Barrancos?
Saudações impermeáveis cá da Cidade Morena.
A capa está um mimo e eu amei! Pudera. As cores complementares são um escândalo em potencial; para não se lhes dizerem divinas. Parafraseando a policromia, essa também tem seu ponto alto na história e para vista, muito bem tramada do quanto aprecio arte e capacidade criativa. Na certeza deste premiado livro “Pés de Barro” vai me agradar muito, já está na lista. Parabéns Nuno Duarte
ResponderEliminarA ler, sem dúvida.
ResponderEliminarE muitos parabéns a Nuno Duarte!