Obrigada
Nos últimos tempos, tivemos notícias de várias mortes no sector da cultura, entre as quais a de dois editores: Luís Oliveira, a cabeça à frente da Antígona: Editores Refractários (e este ano, não por acaso, li bastantes livros desta chancela); e Francisco Guedes, que seleccionava os títulos de poesia da colecção 12!catorze para a editora Húmus, mas desde há mais de vinte anos estava ligado a projectos realmente fundadores e inesquecíveis como as Correntes d'Escritas (um festival de línguas ibéricas que começou pequenino, numa cidade de província, e chegou aos píncaros), o Festival de Sabrosa, em terras de Miguel Torga, o LeV, uma festa de literatura de viagens que, como ontem escrevi, vai ter a partir de amanhã mais uma edição (a maior de todas, segundo ouço) e muito mais coisas, porque o Francisco não podia estar parado. Vou ter saudades da irreverência de Luís de Oliveira se a Antígona mudar de caminho ou desaparecer, mas nunca o conheci pessoalmente, pelo que sentirei mais a falta do querido Chico, do seu abraço grande, do seu sobretudo axadrezado que eu adorava, da sua gentileza e até de alguns relatos sobre a guerra colonial, por onde andou antes de eu o conhecer, mas que me fez um dia na Póvoa de Varzim depois de um stressado de guerra ter tido uma crise na sequência da leitura de um poema sobre o assunto. Só espero que, lá onde estiverem, velem por nós e nos mandem boas ideias como as que toda a vida tiveram.
Simpática homenagem lhes presta, ao trazê-los aqui.
ResponderEliminarNão conheci nenhum, mas sou grato pelo que fizeram pelas nossas leituras.
De lá onde estejam, não nos mandarão nada seguramente, mas o que cá deixaram isso sim, pode e deve dar idéias a outros, inspirá-los. Normalmente é assim e estimo que sim.
É como funciona a grande roda em que estamos, a morte de uns é a vida de outros, nem sempre isso é entendido, porém é a realidade.
Saudações cá da Cidade Morena, em feriado e eu de abalada para o mato e outras realidades.
Votos de um bom festival amanhã e de um Extraordinário fim de semana para todos.
A minha ignorâcia só permitiu aperceber-me do trabalho de Francisco Guedes ao ouvir na Antena 2 o seu obituário. A Antígona é uma das minhas editoras preferidas, comprovado estatisticamente pelos livros que tenho do seu subversivo catálogo.
ResponderEliminarJulgo que a melhor forma de honrar o trabalho de ambos é glosar o mote que nos legaram, essencial nestes tempos interessantes em que vivemos.
Boas leituras
Bonita e justa homenagem.
ResponderEliminarE que os mortos nos protejam; os vivos que podem e devem fazê-lo não parecem muito dispostos.
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