O que ando a ler

Fui, como não podia deixar de ser, atrás de outro vencedor do Booker Prize, desta vez dos livros originalmente escritos em inglês. Intitula-se Orbital e escreveu-o Samantha Harvey, de quem, confesso, ainda não tinha lido nada. Passamos o tempo na companhia de seis astronautas de vários continentes (dois são russos, claro) numa nave espacial, orbitando ascendente e descendentemente a Terra, esse planeta azul que, visto de longe, é mesmo de tirar o fôlego e, por vezes, parece a quem o vê de longe o único lugar para onde voltar. Samantha Harvey deve perceber bastante de cosmologia, astronomia, meteorologia, e também das muitíssimas restrições que tem a vida no espaço; não pensem mudar de roupa todos os dias, ou comer o que quiserem, ou saírem da nave só porque recebem a notícia da morte de um familiar, como acontece às tantas à pobre Chie, que sempre quis ser astronauta e tem de suportar a dor da perda da mãe longe demais, enquanto procura o seu país (quiçá a sua casa) no planeta belíssimo que vê da janela a todo o instante (mas perde a graça quando o sol nasce). É sem dúvida uma obra original e com a qual estou a aprender bastantes coisas, mas a cada novo capítulo é também uma leitura algo repetitiva, como deve ser, suponho, andar às voltas da Terra durante meses. Vamos lá ver como se desenvolve até ao final.

Comentários

  1. Acabei de ler Uma barragem contra o Pacífico, de Marguerite Duras, porventura influenciado pelas menções feitas a esta obra pela autora do Horas Extraordinárias.

    Apesar da excelente leitura da passagem onde Susana é aliciada por meio da promessa de um gramofone (a voz de Maria do Rosário Pedreira seria perfeita para qualquer audiolivro), confesso ter sido o capataz surdo da mãe a personagem (embora secundária) mais tocante.

    Pelos vistos está em cena em Almada uma adaptação teatral do livro da escritora francesa.

    Boas leituras

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  2. Fui adiando mas agora li O Caderno Grande, de Agota Kristof. Passei logo ao 2o volume, A Prova, menos apelativo no estilo. Quando quis comprar o 3o volume, constatei que não fora publicado. Daí o adiamento.
    Parece que, se o quiser ler, terei que comprar A Trilogia da Cidade de K. (Kristof?), mas torço o nariz a duplicar as compras que fizera há anos.

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  3. Acabei o "Pequenas Coisas como Estas" da Claire Keegan, que foi finalista do Booker em 2022.
    É o terceiro livro que leio da autora e recomendo que a leiam, se ainda não fizeram; as histórias dela são sempre arrebatadoras.

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  4. Cláudia da Silva Tomazi1 de abril de 2025 às 08:09

    Estou lendo “A ilusão da alma” de Eduardo Gianetti. Esperava mais de um PhD de Cambridge, é certo que pouco recomendo. Mas, inda não finalizei e talvez haja redenção.

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  5. António Luiz Pacheco1 de abril de 2025 às 08:14

    É muito bom aprender coisas, os livros servem TAMBÉM (o também está destacado para não dizerem que estou a reduzir os livros à vertente do ensino...) para isso, sem dúvida.

    Acontece que acabei de ler um livro, o qual posso aliás classificar de bom (no meu ponto de vista) no qual aprendi muito, mas que foi extremamente perturbador! Não era assim tocado por um livro há já bastante tempo, no entanto este foi ao fundo de mim mesmo, designadamente por me identificar em muitos aspectos quer com o autor/protagonista (é óbviamente um livro autobiográfico), quer com muitos pensamentos e sentimentos dele, como alguns dos seus protagonistas.
    "O elogio da dureza" de Rui de Azevedo Teixeira. Assim se intitula.
    Um romance que seria vulgar pela narrativa, estilo, ritmo, desenvolvimento e encadeamento, porém que se revelou Extraordinário pelo tema e os personagens, pelas idéias e sentimentos descritos.
    Gostei e muito deste livro! Conclui-se.
    A quem possa interessar trata da comissão no ultramar de um miliciano português, e, é bem verdade que vêm surgindo obras muito boas sobre este tema, sobretudo aquelas que expressam a vivência na primeira pessoa, o lado humano.
    O lado humano é justamente o que mais me cativou, e, gostaria de um dia falar com o autor pois sinto uma enorme empatia, digamos que Camiliana.

    Agora ando a ler o Extraordinário "Os ratoneiros", que me faltava nas obras de Faulkner, um dos meus escritores de referência. Sem me desiludir, ainda, é mais um grande romance carregado daquela estranha humanidade sulista, muito própria e característica, que tem de ser decifrada, porém entranha-se, que os romances deste autor transpiram.
    São aqueles personagens, ou os seus netos, quem elegeu Trump o que não deixa de ser curioso, o que fará de Faulkner um anti-woke (ou lá como se escreve...). Será?
    Deve ser por isso que gosto tanto da sua escrita.
    Decididamente gosto cada vez mais dos autores americanos - faço notar para quem não me entenda, que para mim "americanos" engloba todo o continente americano, portanto não estou a reduzir!

    Saudações largas, cá da Cidade Morena e votos de Extraordinárias leituras.

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  6. "Os ratoneiros" é um livro muito bonito. Gostei bastante.

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  7. Albertino Nunes Ferreira1 de abril de 2025 às 11:33

    Em ano de bicentenário comecei a ler Carlota Ângela do extraordinário Camilo Castelo Branco. Sou fã do romântico Camilo que prefiro ao Eça cosmopolita.

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  8. "O DIÁRIO SECRETO DE HENDRIK GROEN AOS 83 ANOS E 1/4" -Uma saga que nos revela a maneira como um idoso lida com a velhice.
    Um diário cheio de humor mas comovente.
    Um manual de resistência numa sociedade envelhecida (passado num lar da Holanda).

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  9. António Luiz Pacheco2 de abril de 2025 às 01:02

    Ouve lá, e precisas de um manual para saberes lidar com a velhice? Ó rapaz... ahahah!
    Abraço e desculpa a brincadeira.

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  10. Cláudia da Silva Tomazi2 de abril de 2025 às 04:09

    Precisa é de um “Manual do Geriatra”.

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  11. O livro lê-se bem mas um pouco melancólico, para não dizer triste.
    Para "animar," estou a ler, ao mesmo tempo, "KAFKA UM ARTISTA DA FOME-HISTÓRIAS E FRAGMENTOS REUNIDOS 1922-1924".
    Estou a gostar? não sei, é KAFKA, logo é mistério, é que não sei mesmo!
    Já leram "O PROCESSO"- um dos livros mais misteriosos que já li, se não leram tentem ler.

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