Literatura da ilha
Certa noite, um fenómeno natural súbito e inexplicável deixa um hotel completamente isolado e rodeado por uma cratera funda, o que não só resulta numa perda de liberdade de movimentos para os hóspedes, mas também num convívio diário forçado entre pessoas de contextos e gerações muito diferentes. O «sinistro» – como virá a ser referida a catástrofe – é pressentido pela filha do Engenheiro responsável pela construção do hotel, uma pré-adolescente que perdeu a mãe em circunstâncias pouco claras dois anos antes; leitora voraz e de imaginação fértil, a Menina crê que recebeu a mensagem do abalo e, cansada das namoradas do pai, resolve lançar-se numa aventura, pondo-se em contacto com a Guia Turística que se encontra sitiada no hotel. Assim é o maravilhoso Passagem Noturna, da açoreana Maria Leonor Sampaio da Silva, uma narrativa que oferece várias perspectivas da mente e do comportamento humanos num momento de crise, criando tão depressa situações cómicas e absurdas como dolorosas e chocantes. Finalista do Prémio LeYa, evoca a insularidade e acompanha o destino das personagens ao longo de um período de sete dias que faz pensar no mito da Criação, mas parece caminhar para um desfecho de queda e escuridão. Elogiado já por João de Melo, Carlos Fiolhais, Onésimo e Leonor Teotónio de Almeida, um livro francamente inovador no nosso panorama literário.

Interessante proposta... os escritores açorianos têm uma interessante veia de "ilhéu" que eu aprecio de um modo geral.
ResponderEliminarFiquei interessado neste romance, que vai ser uma aquisição e leitura no futuro.
Hoje estou em choque, duplamente, alguns entenderão porquê e estimo que possamos falar disso brevemente, pois duas luzes se apagaram neste nosso Firmamento Extraordinário. Desejo assim e olhando ao tema de hoje, que uma nova se tenha acendido.
Saudações tristes cá da Cidade Morena.
Gostei imenso da criatividade da escritora Leonor Sampaio da Silva e assim a percebo no Post; com certeza um livro diferente por agradar em redimensionar a leitura com recurso imaginário. Creio, e tenho a impressão o ser muito apropriado com elevado nível a emoção e que normalmente oferece ao leitor participar em uma especial aventura.
ResponderEliminarTambém, adianto se lhe entrou o gosto do Dr. Carlos Fiolhais é garantia do senão, de outro excelente recurso vocabular no livro “Passagem Noturna”.
Assim… nascem grandes escritores, concorrentes de peso ao distinto Prémio LeYa. E como se diz aqui, lá na ilha ou acolá: “isso é briga de cachorro de grande”.
Parece ser uma leitura fabulosa.
ResponderEliminarBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
Fico contente porque alguém abrilhanta a literatura portuguesa. Uma nova escritora já com várias obras publicadas e ainda não li nenhuma. Estou em falta.
ResponderEliminar«Um livro francamente inovador no nosso panorama literário.»
ResponderEliminarNa verdade, e a julgar pela sinopse apresentada, não, não é francamente inovador. Porém, reconheça-se a disponibilidade da LeYa para, nem que seja ocasionalmente, voltar a publicar e até, de certo modo, premiar, (o que parece ser) ficção especulativa de escritores portugueses. Desde que Pedro Reisinho foi despedido pelo grupo que este deixou de lançar de uma forma regular obras nacionais de FC & F. No entanto, e infelizmente, como o indica o título do livro, a autora decidiu submeter-se ao ilegal e irracional AO90, o que lhe retira praticamente toda a credibilidade.
Devo acrescentar, e esclarecer, que PR foi despedido injustamente, e até vergonhosamente, pela LeYa depois de a esta ter proporcionado muito dinheiro com a saga «Crepúsculo» de Stephenie Meyer, e não só.
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