As mãos, pequenas e grandes

Hoje o meu querido pai faria 103 anos e, embora tenha morrido em 2001 (antes da queda das Torres Gémeas), permanece vivo dentro de mim. Era bastante «mãos-largas» com os filhos, diga-se de passagem, ajudava-nos sempre que precisávamos com umas massitas e, mais tarde, quando eu fui viver sozinha, até com a renda da casa. Mas, claro, o dinheiro não é tudo, e há quem seja igualmente generoso tendo «mãos pequenas»... Vem isto a propósito de um livro infantil de Helena Sacadura Cabral, chamado Mãos Pequenas, Coração Grande e ilustrado por Carolina Branco, que será lançado esta tarde às 16h00, no El Corte Inglés, com apresentação de Fátima Lopes. É um livro sobre a empatia, a ternura e a importância de olharmos com olhos de ver para o outro e o ajudarmos sempre que ele estiver a precisar. É o que acontece à Clara e ao Francisco desta história, mas o melhor é lerem-na aos vossos filhos, pois há hoje uma grande crise de valores e este livro também serve para os transmitir e recuperar. Parabéns, Helena, por mais este livro.


P. S. Amanhã é dia de Excerto da Quinzena, pelo que anuncio já hoje a apresentação no Porto por Rui Lage do excelente romance da Sara Duarte Brandão, vencedor do Prémio Literário Cidade de Almada, Quem Tem Medo dos Santos da Casa, que já aqui elogiei. O convite segue abaixo, apareçam!


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco10 de abril de 2025 às 01:57

    Sei que tenho mãos pequenas, não sei o tamanho do meu coração mas sei que nele cabe muita coisa e parece que é dos que se aguenta apesar da hipertensão...

    É um velho ditado, esse, que a Drª Helena Sacadura Cabral - mulher que muito aprecio e respeito - foi recuperar, e, estimo que seja um bom livro infantil, pois é Senhora de valores, uma mente esclarecida pela inteligência, que soube ocupar o seu lugar por mérito pessoal.

    Voltando aqui ao meu contexto, ainda há pouco ao abrir o gradeamento exterior da porta do escritório, aqui na Baía Farta, que apesar do guarda armado 24 horas por dia é de boa prática instalar, ouvi uma voz fraca e baixa dizer atrás de mim: Bom dia!
    Uma jovem muito jovem, magrita, de camisa descosida e pano enrolado, chinelas nos pés sujos do pó omnipresente, com um bébé de colo, abordou-me tímidamente: Desculpa só incomodar, vim na consulta e queria pedir 200 quanzas (20 cêntimos) para o táxi. Olhos grandes envergonhados numa cara demasiado jovem mas já marcada pelas privações, maçãs do rosto salientes de magreza, peito ossudo a ver-se no decote da camisa aberta pelo bébé nos braços descarnados, também ele com a expressão vazia da maleita numa cara miudinha, magrinho, cabeça deitada no estreito ombro da mãe.
    Há aqui no momento muita miséria com a crise do pescado, pescarias a dispensar muito pessoal, barcos nas bóias ou pontes, os "rapas" proibidos de pescar, as "senhoras" do peixe com as bacias vazias e sem trabalho, a escala parada, as tarimbas sem nada, os "roboteiros" em grupos sentados nos seus "cangulos", os kaleluias rodam vazios à procura de algo para transportar, não há carga nem movimento dos camiões de peixe, toda a fileira a sofrer, a cólera alastra diáriamente e esta vila tornou-se num fantasma, uma sombra do que era ainda há poucos meses, o pequeno crime aumentou e os pedintes já não são os vadios ou indigentes.
    200 Quanzas? Dei-lhe mil (1 euro), agradeceu envergonhada juntando as mãos numa vénia: Obrigado pai!
    Este coração tem de ter estofo para aguentar, ainda bem que as mãos são pequenas mas nem por isso fechadas. Podia ir debater estas coisas para mesas redondas ou fazer posts indignados no facebook acerca disto, ficando aliviado por ter feito algo, como a maioria faz achando-se interventivo e activista de alguma coisa. Limito-me a partilhar convosco, faço o que posso ajudando aqui e ali, mas não chega, sei bem.

    Saudações amarguradas cá da Cidade Morena.

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  2. Parece-me que deu a melhor resposta; o resto são palavras.

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