60 anos

A Dom Quixote completou ontem 60 anos, dá para imaginar? Eu lembro-me da editora ainda numa vivenda bonita aonde ia de vez em quando cheirar os livros, ali para os lados da Avenida Duque de Loulé, mas já não a conheci pela mão de Snu Abecassis, sua fundadora. Este ano vai haver várias actividades, edições especiais e lançamentos para comemorar a idade maior das Publicações Dom Quixote, e entre esses está a criação do Prémio de Poesia Nuno Júdice, um poeta que publicou o seu último livro na editora e que nos deixou no ano passado (dia 29 de Abril, que é a data do seu aniversário, abrem as candidaturas). Haverá também uma colecção de seis títulos de ficção universal e que celebram o espírito de liberdade e de pensamento que foi sempre apanágio da Dom Quixote, colecção que inclui autores como Kundera, Salman Rushdie e Han Kang. O livro de Cândida Pinto sobre Snu e Sá Carneiro verá de novo a luz das livrarias e os policiais vão ter uma nova identidade gráfica numa colecção que irá chamar-se DQ Noir. Mas há mais, e garanto-vos que vale a pena acompanhar ao longo de todo o ano a programação que festeja a coragem de Snu para lançar uma editora em tempos de ditadura e publicar temas e livros controversos. Parabéns, Dom Quixote!

Comentários

  1. António Luiz Pacheco2 de abril de 2025 às 01:14

    A D. Quixote trás-me algumas recordações.
    O primeiro livro "a sério" que eu mesmo comprei, era da D. Quixote e o nome da Editora destacava-se das outras que eu tinha mais presente, como a Verbo, etc.
    Esse livro, que óbviamente ainda tenho, era sobre um fenómeno da época e chamava-se "Os hippies". Já não sei bem a idade que teria nem o ano, mas andava no liceu no 3º ou 4º ano, e havia perto da minha casa na rua Caminho da Quinta, na Alameda Conde de Oeiras, na garagem de uma vivenda, uma pequena livraria familiar que funcionava fora de horas. Serviam café e tinha um sofá, e, muitos livros invulgares como este. Foi talvez a primeira livraria que frequentei, ia lá muitas vezes depois do jantar ver as prateleiras e folhear livros.
    As Edições D. Quixote estava presente e despertava-me a atenção pelo nome... na altura não sabia a quem pertencia, os Abecassis eram conhecidos dos meus pais e frequentavam como nós a casa dos Estevens, o tio Manuel Estevens era na época director da Biblioteca Nacional. Ele e a tia Lurdes eram um casal muito peculiar que morava na Vivenda Sol, na subida para a estação de Santo Amaro de Oeiras.
    Enfim, recordações curiosas estas que hoje me são despertadas!

    Votos de felizes recordações são os votos cá desde a Cidade Morena, onde tudo isto me parece tão distante.

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  2. Faço votos para que continue a editar, com qualidade. E com muitos leitores, das mais diversas idades, especialmente mais jovens - para um dia celebrar os 120 anos.
    Boas leituras

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  3. Estive na sessão de autógrafos, no dia 17 de Maio de 1967, na Livraria Divulgação, na Estefânia, hoje é uma sucursal bancária, para o lançamento de «Autobiografia Prematura» de Evtuchenko. Também estive no Recital de Poesia de Evtuchenko no Teatro Capitólio. O poeta disse os poemas em russo, J. Seabra-Dinis traduziu, com a colaboração de Fernando Assis Pacheco, que também leu os poemas, em Português.
    Evtuchenko foi um dos muitos equívocos da minha vida de leitor.
    Mas naqueles dias andei encantado.
    Como, por aqueles tempos salazaristas, um poeta russo desembarca em Lisboa?
    Dos bastidores outros saberão e, possivelmente, serão muitos os cordelinhos que Snu Abecassis desenvolveu para que isso acontecesse.

    «15 de Maio de 1967
    Telefonaram-me de «Publicações Dom Quixote» a convidarem-me para uma recepção em honra do poeta Ievtuchenko que se encontra, há dias, em Lisboa (facto que os jornais ainda não anunciaram). Agradeci, dei uma resposta vaga e não fui. Com toda a sinceridade, interessa-me pouco o carne-e-osso desse Poeta-Turista que anda a pavonear-se pelos países fascistas por reclamo próprio.
    - Mal chegou e apareceram os fotógrafos – contou-me hoje o Baptista-Bastos – parecia histérico aos berros: está aí algum fotógrafo americano? Algum fotógrafo americano?
    - Que o pariu! – Disse eu comigo. – Não o conheço. Ele, se quiser, que me procure!

    José Gomes Ferreira em Dias Comuns Volume II»

    Alguém, hoje, lê José Gomes Ferreira?
    Nos 60 anos das Publicações Dom Quixote, aqui assinalados, alguém me saberá responder das razões que levaram a editora a deixar de publicar os «Dias Comuns» de José Gomes Ferreira.
    O 9º volume foi publicado em Março de 2018.
    Depois… o silêncio!
    Os contratos, naquelas letras pequeninas, provavelmente, determinam que os contratos são para cumprir.
    Mas já não devem existir «Herdeiros de José Gomes Ferreira» para que o exijam!...

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  4. Parabéns à D. Quixote, e que venham outros 60! :)

    Também tenho excelentes memórias do catálogo deles, bastante presente na biblioteca municipal da minha cidade, que tantas (boas) horas de leitura me proporcionou.

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