Um pacho contra a solidão

Leio numa rede social uma frase do saudoso Paul Auster (de quem li muitos romances e que tive o prazer de conhecer pessoalmente em Lisboa) que faz tocar uma campainha na minha cabeça. Diz o seguinte: «A literatura é essencialmente solidão. Escreve-se em solidão, lê-se em solidão e, apesar de tudo, o acto de leitura permite uma comunicação entre dois seres humanos.» Quando disse ainda agora que tocou uma campainha na minha cabeça, disse-o porque nos meus e-mails, junto da assinatura, acrescentei uma frase de C. S. Lewis que complementa a de Auster: «Lemos para saber que não estamos sozinhos.» Acho que quem lê e escreve sabe disso melhor do que ninguém, o que falta é convencer as pessoas em geral de que estão muito mais bem acompanhadas por um bom livro do que por horas e horas nas redes sociais a ler tantas vezes coisas agressivas, pobres e imbecis. Se, como diz o povo, «burro velho não aprende línguas», temos de começar pelos mais pequenos. Um filho único, por exemplo, ficará muito menos sozinho com um livro na mão.

Comentários

  1. As redes sociais, ou pelo menos os algoritmos que as gerem, tornam a concorrência com os livros desleal. Aquilo é pior que o tabaco e o açúcar juntos.

    E a generalidade das pessoas nem se apercebe do imenso poder que confere a essas plantaformas ao utilizá-las. Vão atrás do grátis, do desconto, da novidade e são facilmente manipuladas.

    Data is the new oil.

    Sobre o tema, gostei de ler "The attention merchants" de Tim Wu, um jurista que fez parte da administração Obama.

    Instrutivo é também o documentário "Buy now" da Netflix

    Boas leituras

    PS: Aceito sugestões de leitura, e de clubes de leitura (de norte a sul do país), para adolescentes

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  2. Um dos meus favoritos até agora. Obrigada! <3

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  3. António Luiz Pacheco5 de março de 2025 às 07:47

    A leitura é um acto solitário? Sim, é sem dúvida, porém como muito bem foi dito, é uma forma de nunca se estar sózinho. Um livro pode ser a melhor das companhias.
    A escrita é um acto solitário? Sim, também sem dúvida, porém quem escreve não faz sózinho por várias razões e desde logo porque escreve para alguém ler, além de que ao escrever está a criar "companhia" naquilo ou naqueles que o inspiraram, observou, ouviu, etc.
    Portanto ler e escrever, sendo actos solitários são resultantes da interacção com outros, o próprio Robinson Crosué quando escreveu o seu diário, foi para alguém e levado por alguém. Penso eu.
    As redes sociais não deveriam substituir a leitura, pois acabam por isolar as pessoas na sua globalização instantânea. Continua a fazer-me muita confusão estar numa mesa ou roda de amigos que estão a interagir com quem não está ali, em mvez de se focar em quem está.
    É nisso que reside a questão - ou a parvoíce, se quiserem. Porque as redes sociais também nos permitem fazer o que fazemos aqui e é Extraordinário, penso ainda eu.

    Saudações cá da Cidade Morena onde não estou isolado, tenho livros, amigos, internet, whatsapp e o facebuque!

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  4. À entrada de uma tradicional livraria aqui da minha cidade havia uma placa com os dizeres: "Solidão? Com livro não". Bem, a tal livraria encerrou suas atividades há uma década ...

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  5. Totalmente de acordo! Os livros são a melhor companhia.
    Luísa

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  6. Claudia da Silva Tomazi5 de março de 2025 às 11:11

    Ler ainda é o melhor antídoto contra a perversidade. A qual de tão só, é escondida e em solidão se lhe vira uma anedota contra a própria realidade. Enquanto o ser perverso entrelaça ou não sua existência, um bom livro cura.

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  7. A melhor companhia são as pessoas e não os livros. Digo eu subjectivamente. Os livros fazem companhia, mas não substituem as pessoas. Há o tempo de ler; e o tempo de estar com os outros presencialmente. Julgo ainda que não existimos para ler embora durante a existência possamos activar essa actividade (mais ou menos, segundo a vontade, a apetência e a circunstância de cada um). Existir sem a leitura parece-me mais pobre, mas não se morre da doença. Mas uma existência sem os outros e a sua influência directa (e a nossa neles) soa a anomalia.
    Bom Dia!

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