Possessivos e altruístas
Um das vantagens de aprendermos várias línguas é a graça das associações que vamos fazendo ao longo da vida. Um dia destes, já nem sei bem onde, ouvi uma pessoa num balcão de uma loja tratar a funcionária por «minha senhora» e, passaram apenas uns minutos, li a legenda de uma pintura italiana de Caravaggio chamada «Madonna di Loreto». Na verdade, a expressão «Madonna» é formada por «ma» (forma arcaica de «mia», minha) e «donna», que quer dizer senhora em italiano (nós usamos também a palavra «dona» como forma de tratamento ou para aristocratas e rainhas, por vezes abreviada D.). Assim sendo, «madonna» é equivalente a «minha senhora», o que tem alguma graça, porque o «minha» é um tanto ou quanto possessivo, ou não? Já aqui na nossa terra traduziríamos «Madonna di Loreto» por «Nossa Senhora do Loreto», ou seja, usando nossa somos mais altruístas, dividimos a senhora com todos, não a queremos só para nós. Donde virá esta diferença é que não sei... No entanto, ao lembrar algumas performances da cantora Madonna quando estava no auge, dou razão aos italianos e não deixa de me ocorrer a expressão: Minha Senhora!
Para aristocratas e rainhas usa-se Dona por extenso e não D.
ResponderEliminarA Madonna , minha Senhora???? "Balha-me Deus", ao que nós chegamos!
ResponderEliminarBom, reconheçamos o mérito artístico à performante Madonna, que o tem, aliás não foi por acaso que se tornou um ícone da música contemporânea.
ResponderEliminar"Meu" e "minha" são expressões que não me parecem assim tão possessivas, mas até de proximidade: Minha estimada amiga... meu caro vizinho, e, por aí fora. "Minha Senhora" é uma forma de cumprimento recorrente que pretende transmitir respeito, estima ou a satisfação em cumprimentar aquela pessoa.
O termo Senhora Dona ou D., como o uso de Dom, é de etiqueta, um tratamento respeitoso, reservado a certas pessoas ou em tom jocoso, picaresco como o faz tão bem o nosso Extraordinário Paulo Moreiras.
Já usar "Dona", apenas, refere que nos dirigimos a uma pessoa do sexo feminino.
Entre os nossos vizinhos espanhóis e na América latina, "Don" é muito corrente, como na Itália. Entre nós caiu em desuso, mas ainda se usa, sobretudo no feminino "Dona".
São as particularidades de qualquer língua, viva, que até adopta expressões de outras.
É o que há de Extraordinário no uso da língua, portanto escrita e lida, como nos é tão caro.
Enfim, saudações donairosas cá da Cidade Morena!
Não me fiz entender: Minha senhora como interjeição, como Valha-me Deus.
ResponderEliminarAh, assim está bem, Rosário. Um beijo repenicado.
ResponderEliminarPor aqui, no Sul do Brasil é bem comum a expressão “minha senhora ou meu senhor” e no caso de chamar atenção de modo simpático, fala-se: não é assim que se faz “meu filho”.
ResponderEliminarViva a nossa língua nacional, estimada e coloquial.
Apoiado!
ResponderEliminarSaudações coloquiais cá do outro lado do Atlântico Sul!
Curiosamente parece-me que as expressões Dona e Dom serão antagónicas.
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