Outra história
Nas Correntes d'Escritas ouvem-se sempre histórias belíssimas, dessas que, claro, podiam estar dentro de um livro; e o problema é que geralmente são tantas em tão pouco tempo que esta minha cabeça senil já não consegue identificar quem contou o quê e, neste caso, o autor da história que me perdoe por não ser aqui nomeado. Numa das mesas, alguém falou de uma avó antiga, que já estava velhinha e viera viver para a cidade para estar mais perto dos filhos, em casa de quem, por falta de coisas para fazer, rezava todos os dias o terço. No início, rezava pelas amigas que ainda estavam vivas, mas, ao fim de um certo tempo, as amigas foram morrendo, e a avó decidiu que podia rezar pelas pessoas da sua aldeia com quem tinha convivido e de quem tinha muitas saudades. Começou, pois, rua por rua, a ver quem morava em cada casa e a rezar pelos respectivos habitantes. No entanto, ao fim de algum tempo, chamou a filha, preocupada, e disse-lhe que se calhar o melhor era passar a rezar pelos mortos. E, quando esta quis saber o porquê daquela decisão, respondeu apenas: «É que lá na aldeia há ruas inteiras que já morreram.»
Bonita, porém triste história... mas é assim, à medida que vamos avançando na idade vemos morrer muitos dos que conhecemos, a esse ponto, o de serem ruas inteiras!
ResponderEliminarHá muitas imagens, criadas por gente simples que nem lê e muito menos escreve, porém as cria como forma de ilustrar ou melhor passar o seu pensamento.
Em tempos, enfim há mesmo muito tempo, ouvi e fixei uma dessas imagens, quando alguém disse que na sua terra se passava tanta fome que havia gente com bocadinhos de tripa por estrear!
São ditos Extraordinários, que realmente deveriam figurar nas páginas dos nossos amados livros.
Saudações de outras histórias cá da Cidade Morena
Bela e incrível história. Existem pessoas que nos deixam uma saudade enorme no peito.
ResponderEliminarBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
As guerras também, têm sido outras histórias… Cidades inteiras consumidas por decisões terríveis e diariamente o mundo assiste e torce. São senhoras e senhores, no topor tomam partido e opinam e se lhe alteram vozes; tornam à torcer e que não faz nenhum sentido se lhe não tomarem partido. Beira a hipocrisia de um FlaxFlu carioca. Ora, bem antes de tudo começar não estava bom, será que “os perus de fora” (agora) ainda, contudo preferem a fome do que mãos vazias, para os ver lutarem… Sim, lá está o (invisível) saldo por baixo da neve. Os mortos dos escombros devem ser velados, sepultados; onde estão estraçalhados e escondidos; os são páginas negras para inúmeros livros.
ResponderEliminarHaverá sempre história e nem terços ou penas que baste. Digo, dos horrores em lutar pela “futura escravidão” dos quê ão de vir e, há coisa mais idiota?
Tocante e bela, esta partilha de hoje, Maria do Rosário Pedreira... interessante, o pormenor mencionado por António L. Pacheco. Levaria para casa, uma obra assim começada, caso a folheasse numa qualquer livraria. Relatos que nunca deixaram o ontem, sentimentos que prevalecem no hoje.
ResponderEliminarBom fds!!!