Livros e livrinhos
Se Março é o mês da poesia, vem aí o mês dos livros. Em 23 de Abril, data de nascimento de Cervantes e Shakespeare, celebra-se o Dia Mundial do Livro (que em Espanha é também conhecido por dia de São Jorge, em que nas ruas se espalham tendas e barraquinhas com livros e se oferecem rosas nas livrarias). Mas é já no dia 2 que se celebra o Dia do Livro Infantil (daí eu ter escrito «livrinhos» no título deste post), e este ano a DGLAB (Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas) escolheu a talentosíssima Rachel Caiano para fazer o cartaz celebrativo, seguindo uma tradição que já tem 20 anos. Esse novo cartaz (que partilho abaixo) e todos os outros dos anos anteriores vão estar juntos numa exposição intitulada Ler é ser livre, que se inaugura nesse mesmo dia 2 de Abril às 17h30 na Torre do Tombo e ficará aberta ao público até final de Maio. Para mostrar que, em termos de ilustração, Portugal dá cartas e tem grandes artistas. Vamos ver?

Gosto do lema: "Ler é ser livre".
ResponderEliminarSei que é verdadeiro e que faz sentido.
Mas tem de ser bem explicado quando se faz divulgação da leitura, pois talvez não seja percebido logo à primeira, pelos que não leiam. A importância dos livros e da leitura caindo na irrelevância dos que nem consomem nem o percebem, que são muitos, achando até que livros e leitura são coisas supérfluas ou inúteis, porque de facto não lêem.
No entanto, também aproveito para pôr esta questão: se ler é ser livre, como interpretar ou mesmo aceitar que as próprias casas editoras e pessoas do mundo dos livros, pratiquem actos como aqueles de "reescrever" determinadas obras porque as acham ofensivas ou de algum modo incorrectas? Onde fica então a liberdade da leitura se não podemos ler que um personagem era feio, gordo... sei lá?
A leitura dá-nos precisamente a forma de escapar à censura de mente e das idéias, a qual sempre se tentou praticar e permanece viva naqueles que entendem que devem guiar os demais e fazê-los pensar de determinada maneira.
É bom que se explique isso aos novos leitores! Os livros servem precisamente (entre outras coisas faço, notar para não me acusarem de ser redutor), para divulgar e permitir que se fuja a esse dirigismo. Podem ser usados como forma de manipulação, também, é verdade mas justamente por serem um exercício de liberdade.
Votos de um Extraordinário fim de semana, com liberdade e leituras, são os meus votos cá desde a Cidade Morena.
Adicionado à agenda cultural da "famelga".
ResponderEliminarCuriosamente, ou talvez não,
a prole adolescente e demais amizades irão registar um óximoro no título da exposição.
São felizes na sua ignorância e liberdade, e não o sabem.
Falta-lhes experiência de vida e a alternidade fornecida pela leitura, preciosa nos tempos interessantes que vivemos.
Boas leituras
Errata: alteridade (é não alternidade)
ResponderEliminar#€%@€ partam o corrector automático
ResponderEliminarAlteridade e não alternidade
AHAHAHAH!
ResponderEliminarPareço eu... e mais o corrector automático!
Ainda teremos aqui anónimos a assinar "Corrector Automático", eheheh!
Do meu Confrade, Caçador-escritor, José Maria da Cunha, pelo mês da Poesia:
ResponderEliminarInverno
pousei a espingarda
sinto-me só
sem nada
só me restam as palavras
palavras por mim escritas
que senti
pedaços do que vi
pudesse eu voltar ao princípio
desprendido
ser o dia acabado de nascer
ao relento sem dormir
voltar às perdizes
de novo viver
as palavras que ficaram por dizer
pisar aquele chão
poder abraçar
os ramos da azinheira
lá onde o silêncio
que ainda chama por mim
esconde memórias antigas
pedaços de mim
Penso que Sant Jordi, dia dos livros e das rosas, é uma festa celebrada na Catalunha. Nas outras províncias espanholas o dia mundial do livro é semelhante ao nosso.
ResponderEliminarLembro-me de a Bertrand oferecer uma rosa a quem comprasse um livro nesse dia; não sei se esse gesto bonito ainda se mantém...
Bom fim de semana!