As redes

Este ano, no âmbito da organização de um evento, pedi vídeos a autores lendo textos seus. Fiquei surpreendida quando muitos disseram que apenas concordariam se a exibição dos vídeos se restringisse àquele evento específico e esses não fossem partilhados, nem sequer em páginas de promoção da actividade. Já muita gente prefere não estar nas redes ou na Internet e recusa deixar por aí o seu rasto. Uma das autoras explicou muito claramente que, por causa de um vídeo que foi deixado a circular livremente e apareceu numa rede social, já recebeu mensagens desagradáveis e teve dissabores. Estar presente nas redes também pode ser estar enredado, não poder sair. Se eu chamar um nome a alguém numa sala em que não há mais ninguém, é menos problemático e envolve menos humilhação do que se insultar alguém diante de mais pessoas ou mesmo de uma multidão. Numa série britânica de que toda a gente fala neste momento, Adolescência, este problema é muito visível. E, embora o meu blogue seja sobre livros, não posso deixar de aconselhar a série que, além de ser um primor de realização, vem confirmar muita coisa que ando aqui a dizer há séculos sobre jovens e redes sociais.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco26 de março de 2025 às 02:30

    E tem muita razão naquilo que diz...
    O problema no entanto parece-me não estar nas redes, mas nas pessoas e na sua actual intolerância ou sensibilidade exacerbada e que usam as redes para fazerem a sua censura pessoal!
    Se eu entender colocar uma foto minha com um troféu abatido na África do Sul, ou uma imagem de uma bonita sorte tauromáquica, que direito tem alguém que calhe ver e se sinta "ofendido na sua sensibilidade" de me vituperar, insultar ou desclassificar?
    Por gostar de touradas deixo de pagar as propinas da filha da minha empregada?
    Por caçar uma cahama (vaca do mato) já não vou ajudar alguém a arranjar lugar numa linha de processamento de pescado?
    E quem me insulta? Faz o quê? Fica aliviado porque libertou o seu fel?
    As redes têm uma utilidade, este blog é disso a prova, de como sendo bem usadas podem contribuir para a nossa evolução e bem-estar.
    Continuo a ser defensor das redes, mas também da moderação e sobretudo da tolerância, pois se eu como carne, quem não queira comer que não a coma... por mim tudo bem.

    Já viram o que todos ganhamos com esta nossa troca diária de impressões, umas vezes maisliterárias, outras nem tanto, mas sempre interessantes do ponto de vista humano - que é aquilo que somos: seres humanos! E, vivemos em rede, a sociedade em que nos integramos e que nos protege à qual devemos também apoiar.

    Saudações convalescentemente pouco conseguidas, que os afazeres se acumulam e não permitem, cá de uma Cidade Morena que acordou encharcada e enlameada.

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  2. Cláudia da Silva Tomazi26 de março de 2025 às 05:22

    Excelente tema! Trata-se de uma rota sem volta o exercício as redes sociais. Já com relação à controle e comportamentos de exposição e conteúdo, certamente que deva ter gente com “ojeriza” pelo enfático a falta de suporte sobre a plasticidade. É tudo muito prático e instantâneo, grande maioria das pessoas não conseguem resultado que lhes agrade.

    E, compartilho da opinião do extraordinário ALP. Particularmente, também pesco e travamos uma espécie de agravante em expor o peixe; troféu da esportividade, da aventura, da bravura; principalmente eu, que sou mulher.
    Publicamente no Brasil há riscos para quem converge preferências instintivas como a uma caçada ou até, em florestas para defender-se de peçonhas. E no sentido prático da palavra de repente as redes dão a impressão de “espoliarem a cultura” e distorcerem a lida, a tradição por exemplo a tourada que por aqui é proibida apelidada de Farra de Boi. A farra com boi no Brasil, nem chega perto de ser o quê as touradas são em organização e conselhos.

    Mas, de volta as Redes…Talvez, por afirmação ou carência há pessoas que desencantam seu parco julgamento com mensagens, propriamente em cima dos conteúdos como alvo de suas frustrações e possivelmente despertam inveja com relação a individualidade, ousadia e espírito de aventura. A tal bacia de carangueijo. Na tentativa de atravessar gostos e pensamentos, sem limites para os disparates muitas vezes, mensagens cafonas e sem fundamento: aliás, que refletem mais sobre a deprimente situação do mensageiro.

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  3. Curiosa e paradoxal a referência que faz à que considera ser a única utilidade das “redes”, nomeadamente à sua contribuição quando “bem usadas, para a nossa evolução e bem-estar.”; a julgar pelo que escreve parece-me estar imune a tal efeito.
    Saudações, cá da Cidade Luminosa.

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  4. Ana:

    Concordo em absoluto consigo.

    Celeste Silveira

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  5. António Luiz Pacheco27 de março de 2025 às 07:36

    Lamento que não me tenha entendido, o defeito é certamente meu pois não terei evoluído, portanto e como diz... talvez por ser caçador e aficionado? Subentende-se.
    Saudações e que a luz a ilumine.

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  6. António Luiz Pacheco27 de março de 2025 às 07:49

    Extraordinárias Ana e Celeste
    Lamento que me não tenham entendido... o defeito será certamente meu, que não evoluí o bastante para vós. Felizmente não sois as únicas e estimo que o saibam?
    No entanto, faço notar no vosso comentário, o fel e precisamente aquilo que se criticava no post de hoje, o uso imediato da rede social (este blog) para atacar-me, porque sou caçador e aficionado? Isso ofende a vossa elevadíssima condição e portanto há que me rebaixar.
    Fica-lhes bem, ainda para mais sendo uma, habitante de cidade luminosa...
    Como se vê tem muita razão de ser este post e que é não apenas para os jovens.
    Votos de iluminada continuação e sejam felizes como eu sou.

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  7. Ó caríssimo Paxxeco as redes fomentam a incultura!!!

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