Os cães de Caracas
Ulises mora em Caracas no apartamento da mulher e dá aulas num workshop de cinema, mas tem cada vez menos alunos. Paulina – que nunca quis filhos e tampouco lhe permitiu ter um cão – decidiu ir-se embora do país... e não o levar. Mas, quando tudo começava a desmoronar-se na vida de Ulises, Nadine, uma paixão antiga, regressa à Venezuela; e, por outro lado, o sogro – o General Martín Ayala, que em tempos foi próximo de Hugo Chávez – deixa-lhe em testamento o enorme casarão da família, sabendo que só Ulises será capaz de pôr de pé nesse edifício uma fundação que acolha, trate, alimente e, se necessário, dê até sepultura a todos os cães abandonados de Caracas. A Paulina e ao irmão gémeo, curiosamente, não deixa nada... Entre as intrigas terríveis de Paulina e os lençóis da enigmática e volátil Nadine, Ulises será o cão vadio que recebe os restos da simpatia dos demais. Com um refinado sentido de humor e uma mestria narrativa difícil de encontrar, Rodrigo Blanco Calderón, que para a semana virá às Correntes d'Escritas, oferece-nos um romance tragicómico e grotesco sobre cães, amor, cinema, herança e identidade – e reflecte de forma bastante irreverente sobre o chavismo e as míticas figuras do Libertador Simon Bolívar e... do seu cão. Magistral.

Proposta muito tentadora para quem, como eu, se deliciou com o humor negro de “Cai a Noite em Caracas” de Karina Borgo.
ResponderEliminarDe modo que lamento a situação na Venezuela, admiro o esforço em prol a literatura de Blanco Calderon. Em o desconhecer se lhe menciono é por respeito no contraponto onde me farta a liberdade de expressão. A possibilidade me é real no dia à dia, com seus irmãos venezuelanos o socorro, o auxílio de milhares em solo brasileiro e de tão próximo, aqui no sul catarinense. Infelizmente são “os forçados da atualidade” famílias empurradas para o mundo de forma abrupta à sobrevivência; sim, herdeiros a trágica tirania. Caramba, claro que a Venezuela já foi primeiro mundo e como isso é possível... Mas, folgo dizer que por aqui encontram fartura e tornam a sorrir. Povo maravilhoso!
ResponderEliminarAcredito que Simpatia ou os cães de Caracas, deva ser um aceno. Um fôlego e sapiência em forma de humor onde não deixo de perceber um riste da lança. Parabéns
Identifiquei-me com esse personagem. Devemos ser da mesma raça! Obrigado pela dica!
ResponderEliminarNão conheço o escritor de que se fala, mas agrada-me a introdução ao livro aqui feita!
ResponderEliminarDiz-se que Chávez era amante da leitura e um seu divulgador, confesso que conheço pouco da literatura venezuelana, lembro-me assim de repente, de "Lanzas coloradas" de que tenho um exemplar muito antigo, em castelhano, herdado do meu avô, mas não sei quem é o autor. É um romance histórico passado no tempo de Simon Bolivar. Que me lembre, gostei...
Quase todos temos alguma ligação à Venezuela... é um facto.
Eu estive lá 20 dias, na Isla Margarita, aquando do Campeonato do Mundo de Pesca Submarina em 2008. Fiz amigos no local, como sempre acontece, entre eles uma pescadora submarina que veio a Portugal representar a Venezuela no Campeonato do Mundo de Sines, onde organizei a primeira competição feminina oficial da CMAS, a Taça Vasco da Gama. A minha amiga ficou em segundo lugar, atrás de uma chilena. Isso permitiu que através da Confederação Mundial das Actividades Subaquáticas e da Comissão de Pesca Submarina, conseguíssemos obter-lhe o estatuto de atleta de alta competição e um visto para estudar e permanecer nos EUA, onde ainda está casada e feliz.
Também a empresa onde estou trabalhou muito na Venezuela na indústria de matadouros. Ficaram lá colaboradores e amigos... a um deles, conseguimos trazê-lo para Portugal posteriormente e quando começaram os problemas políticos. Depois veio a mulher e os filhos, tudo legalizado por nós, já depois um irmão dele. O Marcos está comigo aqui em Benguela, na Baía Farta, faz já dois anos e o irmão chega na próxima Segunda-feira...
Como dizia o Extraordinário Anónimo ontem, tenho sempre histórias para contar. É o que parece... ainda bem.
Aguardo pois "Simpatia".
Saudações simpáticas cá da Cidade Morena.
É uma maravilha ter sempre boas histórias para contar e bem escritas ! Obrigado de novo. É forte razão forte para se dar uma olhada a este blog.
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