Provérbios

Como muitas outras coisas da língua portuguesa, os provérbios sempre me interessaram, e há uns tempos recebi com prazer um livro de contos de Margarida Batista intitulado Provérbios Provados, no qual os contos reflectem sobre episódios e situações da condição humana ilustrados por provérbios e adágios às vezes bem antigos, provando que certas histórias continuam a repetir-se em todas as gerações e todos os tempos. Soube também recentemente que há mais pessoas ligadas às letras que são aficionadas de provérbios, como Gonçalo M. Tavares, por exemplo, que agora escreve justamente sobre a matéria de segunda a sexta no Correio da Manhã, jornal em que tem também uma crónica mais longa aos sábados. Fascinado pela cultura popular, o romancista escolhe diariamente um ditado e dá a conhecer a sua origem e significado. "Os pro­vérbios são uma espécie de ensinamento ancestral, urba­no mas também do campo e de todos os lados do Mundo, caracterizados por serem muito rápidos, muito sintéticos e por serem muitas vezes divertidos, outras vezes rimados, com ritmo. E são muitas vezes, também, achados verbais”, diz o autor de livros notáveis como Viagem à Índia, Jerusalém ou o conjunto de livros reunidos sob o título O Bairro. Lá vou eu ter de ir espreitar.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco21 de janeiro de 2025 às 00:57

    Claro, provérbios, que os há em todas as culturas, são isso mesmo, quase sempre cúmulo de sabedoria, resumida.
    No entanto, os tais "wokes" e os vigilantes, deverão denunciar muitos deles por serem discurso de ódio, xenófobos, racistas, sexistas, etc. Portanto muito cuidado ao dizer que: "de Espanha nem bom vento nem bom casamento"!
    O meu filho, agora pai de família, anda a mudar de casa e a propósito eu citei-lhe um provérbio que ouvi dizer aqui à minha empregada Feliciana: "casa grande atrai parente!".
    Tenho o hábito de citar provérbios, a sabedoria popular que inconscientemente orienta muitas das nossas acções. Por exemplo: "Em Janeiro sobe ao outeiro. Se vires torrear põe-te a cantar, se vires verdejar, põe-te a chorar".

    As minhas proverbiais saudações, cá desde a Cidade Morena.

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  2. Gonçalo M. Tavares também apresenta diariamente na Antena 2 um provérbio,
    fazendo-o acompanhar de uma explicação sucinta ou um comentário complementar. Talvez tenha acabado no fim do ano pois nos últimos dias não o tenho ouvido.

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  3. Para quem ouve a Antena 2, a escolha de “um provérbio por dia”, feita e comentada por GM Tavares, já não é novidade há bastantes meses. Agora o escritor, pelos vistos, transfere ou replica a sua rubrica no CM. O nosso tablóide superpopularucho parece querer aumentar a sua quota de crónicas escritas por intelectuais, o que é interessante!, e que vai desde o longevo blog diário do Viegas (infelizmente, quando fala de política, tem uma visão ultramontana), ao Zink semanal e aos domingueiros Mónica e Rentes. Agora adicionarão o Fiolhais e o GM Tavares ao seu ramalhete cultural. Virá mais alguma luminária amenizar as notícias de crime, corrupção e bola?!!’


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  4. Grandes provérbios!
    O de Espanha não é xenófobo, antes é o que a História nos ensinou nos tempos em que ambos os países eram governados por Reis Absolutos com casamentos cruzados entre membros das duas famílias reais.
    O da casa grande penso que tem sabor africano vindo da grande solidariedade familiar que existe nesse continente entre gente pobre.
    O de Janeiro só se aplica, presumo eu, a quem viva no Hemisfério Sul.

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  5. Ele também começou a escrever sobre outros temas no CM.

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  6. António Luiz Pacheco21 de janeiro de 2025 às 13:35

    Nem por isso...
    Janeiro é uma altura importante para as searas, após a sementeira em Outubro/Novembro.
    A semente brota e desponta com as chuvas, porém, o frio faz parar o desenvolvimento da parte aérea, porém em compensação desenvolve-se a raiz, raiz que é fundamental no desenvolvimento futuro da planta pois a vai alimentar. Também, Janeiro é mês "geadeiro", o gelo era importante para desinfectar ou destruir os organismos nocivos presentes na terra.
    É o Inverno em pleno!
    Ora, se, em Janeiro, subindo ao outeiro o que se vê é terra, significa que o trigo parou de crescer para cima e está portanto a enraizar, o que dará em fartura.
    Se se vê verde, é sinal que não tendo feito frio bastante para parar o crescimento, a planta enraizou mal, não houve a tal limpeza, e pior, o Inverno está para vir ou não virá... a colheita será fraca.
    Diria que se aplica a qualquer sítio onde haja estações, do ano, evidentemente!
    Saudações cerealíferas!

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  7. Obrigado por uma tão clara explicação do provérbio a este citadino.

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  8. Muito obrigada, Maria do Rosário, por ter aludido aos meus Provérbios Provados e por ter apreciado a sua leitura!

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