O que ando a ler

Ora sejam bem-vindos ao blogue em 2025. Espero que tenham lido bastante durante estes tempos natalícios e recarregado baterias para o ano que agora começa. Eu levei para férias um livro que tinha comprado uns meses antes mas ainda não começara por causa de uma coisa chata: tem a letra demasiado pequena. Só no fim deste ano mandei fazer os óculos novos e então, sim, atrevi-me a lê-lo. Chama-se Canção do Profeta, escreveu-o Paul Lynch e ganhou o Man Booker Prize em 2023. É um romance distópico, que decorre numa Irlanda onde o poder é detido por uma estrutura que, sob o pretexto da segurança, desata a prender toda a gente que levante a voz e esteja contra alguma das suas acções. Larry, sindicalista, é preso logo no princípio do livro, e a sua mulher, com quatro filhos a cargo (um ainda bebé e o mais velho adolescente) anda desesperadamente a tentar tomar conta de tudo quando não só no emprego o seu chefe é substituído e o novo a põe claramente na prateleira, mas também o governo chama o filho mais velho para cumprir o serviço militar antes mesmo de terminar a escola secundária (e ele se recusa a fazê-lo). E mais não conto, mas é um livro com um toque orwelliano que põe questões muitíssimo actuais (e também assustadoras) que, se calhar, nem estão assim tão longe dos horizontes da nossa Europa. Leiam-no. A tradução é de Marta Mendonça.

Comentários

  1. Grata pela sugestão.
    Um Ano Novo muito Feliz para si, toda a família e aos extraordinários.
    Boas leituras.
    Bem hajam

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  2. Bom ano Rosário, extensivo a todos os que por aqui passam, com ou sem comentário.
    O Natal deixou-me pouco tempo para leituras. Ainda assim comecei "Dor Fantasma". É obra que nos mostra os perigos de apostarmos as fichas todas num objectivo, fazendo-o de forma bem egoísta e à custa dos que nos rodeiam. Digamos que o personagem é pianista conceituado, mas uma miséria de pessoa e, subitamente, perde a mão direita. O resto ainda não li.
    Bom ano a todos

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  3. Bom Ano para todos inclusivè no âmbito dos livros e das leituras.
    A matéria deste livro não me atrai muito pois, neste campo, a ficção é ultrapassada pela realidade com muita frequência.

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  4. «É um romance distópico, que decorre numa Irlanda onde o poder é detido por uma estrutura que, sob o pretexto da segurança, desata a prender toda a gente que levante a voz e esteja contra alguma das suas acções.»

    Não, (já) não é distópico: tal acontece(u) efectivamente na Irlanda, no Reino Unido e em outros países com forte herança e influência britânicas, como o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia, em especial contra aqueles que se manifesta(ra)m contra as restrições decorrentes do Covid, a «agenda» LGBT e a presença muçulmana. Mas não só: por exemplo, na Alemanha, há pelo menos um caso de alguém que, por protestar contra crimes de violação cometidos por homens de... culturas estrangeiras, foi condenado a uma pena superior às recebidas por aqueles.

    Ainda em relação à obra mencionada, a edição em Portugal é da Relógio d'Água, pelo que está «acordizada»; logo, há que evitá-la e adquirir a versão original em Inglês.

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  5. Este está na lista "a ler", mas conto comprar a versão digital, que permite, entre outras coisas, aumentar o tamanho da letra. :)

    Bom ano e boas leituras a todos!

    Barroca

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  6. António Luiz Pacheco2 de janeiro de 2025 às 06:23

    Ora um Extraordinário Ano se proporcione a todos nós e às nossas leituras e livros!
    Este Natal, contra o que é costume, também não li o que pretendia... muitos afazeres e impedimentos de tardes e serões tranquilos para ler à lareira, ao que uma neta eléctrica de ano e meio, que corre desalmadamente e num ápice ou faz asneira ou tenta descer as escadas, não é completamente alheia.
    Enfim, comprei livros, ofereci livros e ofereceram-me livros, por isso agora é uma questão de tempo.

    Comecei por ler, do meu velho amigo e confrade Mário Fialho de Almeida (Mário 25) em coautoria com o filho João, um livro muito interessante que me aguardava na caixa do correio: A Caça. História, cultura e recurso sustentável.
    É fruto de uma vida nascida, criada e desenvolvida no campo, à caça, que reúne ao mesmo tempo a ruralidade alentejana e as suas fortes ligações à terra e aos animais, à prática sustentada, ordenada e ética da cinegética.

    De outro amigo, António Rocha Pinto, li o seu "Naquele tempo". Romance que julgo se pode definir como de costumes, pois retrata a sociedade portuguesa entre 1938 e 1974, passado entre a metrópole, Moçambique e a Índia. Não será de grande divulgação, ele faz parte dos escritores fora do sistema, a que eu chamo desalinhados, mas é muito bom, está muito bem escrito e os personagens muito próximos de nós e daquilo que era naquele tempo.

    Claro que não podia resistir à leitura do último da Nossa Extraordinária Cristina Carvalho, sobre o seu Extraordinário Pai - António Gedeão. Príncipe Perfeito.
    Magnífico, cheguei a emocionar-me. O Poeta é um dos meus ícones, a par de Camões e Pessoa, Shakespeare, pois encontro em todos eles uma ligação profunda de um saber que me fascina, poesia aparte. Obrigado à Cristina por levar tão a sério a sua condição de escritora e nos trazer o que tanta falta nos faz! Ofereci dois a outras tantas pessoas que c

    Aliás e a propósito, dei mais umas bicadas no fabuloso Camões de Isabel Rio Novo que também cumpre a mesma missão dos Escritores, a quem igualmente agradeço pela obra.

    Finalmente, li um espantoso livrinho, de um obscuro americano (quem entretanto já fui estudar) Haniel Long, "A maravilhosa aventura de Cabeza de Vaca, seguido de Maliche".
    Relata de forma muito condensada mas intensa a rica vida e as deambulações deste conquistador espanhol sui generis e nada convencional, pelos territórios do que são hoje o Texas e o Novo México. Conhecia o aventureiro e já tinha lido sobre ele, porém não ao pormenor que Long chega.

    Nota curiosa; ofereci à minha sobrinha neta Laura, que entrou este ano para a universidade, a versão gráfica de "O infinito num junco", que achei algo de maravilhoso e muito bem feito. Ela gostou e estimo que o vai apreciar e perceber.

    Agora tenho para aí uma catrefada de livros, de que a seu tempo falarei, alguns vão para a mala ...
    Saudações festivas e novanuais cá do Bairro Ribatejano, ao segundo de 2025.

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  7. Milagre é o que parece estar a acontecer na Irlanda com tantos novos grandes escritores a aparecerem na última década e a terem sucesso mundial! Como se explicará o fenómeno? Agora o Paul Lynch a juntar a tantos outros, sobretudo mulheres escritoras. Será pela acessibilidade universal do inglês?

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  8. Curiosamente foi o último livro que acabei de ler em 2024 (a seguir tive de ler um de apenas entretimento para desanuviar), distópico sim, mas ouvindo e vendo os noticiários e lendo algumas análises sobre a atualidade, torna-se ainda mais ameaçador.

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  9. Feliz ano novo, querida poeta! Muita saúde, paz, amor, livros, poesia, inspiração, harmonia e realizações.

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