Livros de bolso
A newsletter da Livraria Bertrand ensina-me várias coisas sobre os livros de bolso que, curiosamente, nunca tiveram um êxito estrondoso em Portugal, talvez porque durante demasiado tempo quem lia eram as elites, e essas preferiam claramente os livros maiores; e depois chegaram muito rapidamente os ebooks para os mais jovens que gostam de ler no telemóvel, ainda mais pequeno do que o livro de bolso. Mas noutros países são um sucesso, como no Reino Unido, por exemplo, em que é vulgaríssimo vermos as pessoas a ler edições de bolso na praia, no metro e nos cafés (até já vi uma pessoa no aeroporto deitar fora a parte já lida do livro num caixote de lixo para ir mais levezinha para o avião); ou em França, em que, além de editoras que se reuniram em empresas especializadas em livro de bolso, o preço muito mais barato devido às grandes tiragens serviu realmente para fazer leitores entre uma classe que não tinha poder económico para comprar as edições mais caras. Mas conta ainda a mesma newsletter que, durante a Segunda Guerra Mundial, contra os livros queimados pelos nazis, se imprimiu uma colecção inteirinha de livros de bolso que foi distribuída às tropas aliadas de todo o lado (da Normandia às ilhas do Pacífico) lembrando-as dos ideais nobres pelos quais lutavam e servindo de símbolo de resistência, liberdade e democracia.
Bom, de modo lapalissiano eu diria que para usar o livro de bolso, é preciso ter bolso!
ResponderEliminarÉ verdade que há muito bons livros editados nesse formato. Possuo alguns, não porque seja fã desse formato mas porque os encontrei e me interessavam. Também tenho colecções inteiras de livros, por exemplo policiais ou de western no formato referido. Mas de um modo geral prefiro as edições maiores, primeiro porque tenho hábitos de leitura que não necessitam de livros de bolso, segundo porque sou um ajuntador de livros e confesso que gosto de os ver (os livros) nas estantes, onde o formato bolsista fica prejudicado.
O que possuo no formato bolseiro são muito manuais e guias, de campo, sendo para essa finalidade o tamanho ideal, que cabe na bolsa da sacola da máquina fotográfica, no bornal da caça ou na mochila, no porta luvas ou na porta do carro. Desses sim, sou grande fã!
Haja bolsos, são os meus votos cá desde a Cidade Morena, onde aqui no meu escritório na Baía Farta estava justamente a olhar para o guia de campo das espécies de peixes comerciais de Angola e um outro guia de identificação dos atuns!
Para mim, que adoro livros de bolso pela facilidade do seu transporte, sempre tive a mágoa de ver o meu livro de bolso nacional esfrangalhar-se-me nas mãos pela má qualidade do objeto, da sua cola, da sua feitura em geral, algo que nunca me aconteceu com livros de bolso editados em inglês ou francês. O livro de bolso é para resistir a maltratos maiores do que o livro de estante (“hardcover”), mas os editores nacionais raramente tiveram isso em atenção. Assim, não admira o seu insucesso entre nós.
ResponderEliminarPor acaso gostaria de ser omnisciente e saber, para além dos volumes de vendas desagregados nos diversos formatos (digitais e analógicos), os livros realmente lidos neste cantinho à beira-mar plantado.
ResponderEliminarNão importaria também cotejar as estatísticas de requisição de livros nas bibliotecas? (Não seré este indicador uma forma de estimar a evolução dos hábitos de leitura?) Nem todos os livros lidos são comprados.
http://bibliotecas.dglab.gov.pt/pt/ServProf/Documentacao/Paginas/RelatorioEstatistico2023.pdf
Tenho para comigo uma dúvida metódica, talvez infundada, ou fundada num preconceito, sobre a efectiva aderência dos mais (e menos) jovens ao livro electrónico. Serão os telefones espertos realmente utilizados para ler, ou para algo diferente? Aliás, por alguma razão o Governo abriu conta oficial no TiqueToque: as redes sociais são para onde converge (ou diverge?) a atenção de uma boa camada da população.
Sobre o livro de bolso, confesso-me consumidor do francês e do inglês, onde tento desenferrujar as minhas parcas conpetências linguísticas. Maior variedade, mais barato e a salvo de traduções menos bem conseguidas.
Boas leituras
PS: Sobre tudo isto, e muito mais, atrevo-me a recomendar a leitura de O Livro, de Zoran Živkovic
Sempre me lembro do livro de bolso, do qual fui adepto pela sua praticidade... e lembro-me dele dado à estampa por várias editoras, sendo que a mais conhecida de todos, terão sido as Publicações Europa-América, pela mão de Francisco Lyon de Castro. E estes, desta editora, foram incontornáveis para minha geração, onde creio, o campeão terá sido a História de Portugal, de José Hermano Saraiva... os Lusíadas... (todos sabemos).
ResponderEliminarDesconheço porque não serão os verdadeiros heróis das livrarias, para além da geração escolar.
Permaneceria fã não fossem as seis décadas e a quase recíproca acuidade visual mais diminuída. Diria que o LB será o verdadeiro amigo, a sombra de quem não passa sem um livro em qualquer situação.
A Maria do Rosário Pedreira sabe que os livros de bolso, tiveram o seu auge, de meados dos anos 80, até ao início do século XXI. A maioria eram editados em livro de bolso, para ler nas viagens... de comboio e autocarro. Depois disso, a maioria da população, passou a ter carro individual (já vinha dos anos 90), com essas deslocações, não podem ler, Depois, as editoras, passaram a vender livros de dimensões maiores, com a desculpa "a visão está a piorar, precisamos de aumentar a letra", fazendo subir preços. Pior são as re-edições (sim Porto Editora, Leya e outras, que compraram editoras antigas, com milhões de livros, no catálogo, que os voltam a colocar, à venda) em que o livro de bolso, apesar de disponível, fica perdido atrás dos normais, ou no fundo das caixas, pois os 5 euros, a menos, não dão lucros, ás editoras, nem ás cadeias de distribuição. Até as próprias editoras, nas suas lojas online, o livro de bolso, vai para o fim das opções, atrás do E-book.
ResponderEliminarPor falar em E-book, por toda a Europa (e EUA), as vendas estão em colapso. Algumas das maiores editora, já removeram 96,5% das suas edições, sendo que, muitos dos novos livros, já não possuem e-book, pelo menos, até 12 meses, após, o livro físico estar disponível. Além de que os preços já são muito próximos, segundo dizem, por causa de ser possível copiar, o ficheiro, para fora das apps, permitindo a leitura, sem precisar pagar 10 euros, de cada vez que se queira ler e tenham passado 18 meses, após a compra (ou menos, caso seja lançada alguma edição alternativa).
Quando saio para tomar um autocarro ou o metro levo comigo um livro pequeno. Nunca o designei de outro modo. Vi muitas vezes em espaços públicos ao ar livre leitores ingleses com livros de capa pequena mas volumosos. Chegavam a guardá-los, enrolando-os. Considerava a solução muito prática e pensava que aqueles, sim, eram livros de bolso.
ResponderEliminarLivros de bolso são muito práticos para o nosso dia a dia. Gostei do post.
ResponderEliminarBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
Os livros de bolso dão um jeitão. Porque, como alguém diz ali em cima, são o verdadeiro amigo, aquele que se leva para todo o lugar. Fazem-me falta livros como os da colecção Europa-América, que eu possa carregar na mochila sem me pesar demais. Quando saio, gosto de levar comigo um livro, mas nem sempre o faço; bem procuro mas, por vezes, não existe um que não constitua sobrecarga. É uma pena estar sem fazer nada quando se podia estar a ler.
ResponderEliminar....até já vi uma pessoa no aeroporto deitar fora a parte já lida do livro num caixote de lixo para ir mais levezinha para o avião - será que esta pessoa gosta de livros?
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