Elegia vencedora

Numa manhã gelada de dezembro, Kyungha recebe uma mensagem da sua amiga Inseon – internada num hospital de Seul na sequência de um ferimento grave – pedindo-lhe que a visite urgentemente. Quando Kyungha chega à enfermaria, Inseon conta-lhe que veio de avião da ilha de Jeju para ser tratada urgentemente e implora-lhe que vá a sua casa dar de comer e beber ao seu periquito, que de contrário morrerá. Uma tempestade de neve fustiga a ilha à chegada de Kyungha e muitos dos autocarros foram cancelados ou sofreram atrasos. Kyungha não sabe se chegará a tempo de salvar a ave – nem mesmo se sobreviverá ao frio tremendo daquela noite; e não sabe também a vertigem que a aguarda em casa da amiga, onde uma história há muito sepultada acabará por revelar-se, documentando um terrível massacre ocorrido muitos anos antes em Jeju. Despedidas Impossíveis, o mais recente romance de Hang Kang, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2024, é um hino à amizade e um poderoso manifesto contra o esquecimento. Como um longo sonho de inverno, estas páginas belíssimas iluminam uma memória traumática, enterrada ao longo de décadas, que ainda hoje ecoa no peito de muitas famílias coreanas. Saiu ontem, com tradução de Maria do Carmo Figueira e Ana Saragoça. Ganhou o Médicis para ficção estrangeira em França, ex-aequo com Misericórdia, de Lídia Jorge.


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Comentários

  1. Adorei “A Vegetariana”, história trágica de uma jovem mulher casada que é atingida por anorexia nervosa e se vê rodeada por um meio familiar hostil que a expulsa para um manicómio, mas, antes disso, é explorado por um cunhado artista que com ela faz vídeos eróticos. A irmã, cheia de culpa por ter permitido o seu abandono, torna-se o seu único suporte no hospital psiquiátrico. Livro estranho e triste sobre o sofrimento humano, mas muito bem escrito que deve ter valido o Nobel a Han Kang.
    Também gostei da primeira parte de “Lições de Grego”. Vi-me perdido na segunda parte em que se ouvem vozes de uma linguagem poética difícil de integrar na narrativa da primeira metade do romance que se vai dissolvendo até ao nada.
    Abertamente indefinido e cheio de linguagem poética, como na segunda metade de “Lições de Grego”, é “O Livro Branco” onde a perda é um tema recorrente. Não faz o meu género.
    Pensamentos e vozes várias sobre o massacre coreano (que reaparece, pelos vistos, no romance agora lançado) preenchem “Atos Humanos” que não consegui ler e não só por o tema ser duríssimo: a escrita foi-me desagradável.
    Espero que “Despedidas Impossíveis” seja um livro tão claro, acessível e bem escrito como “A Vegetariana” !

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  2. Li apenas metade de Actos Humanos. Não li A Vegetariana e não está nos meus propósitos lê-lo. Contudo, gostei deste título, "Despedidas Impossíveis". Não sei se compro o livro.

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  3. Fiquei contente quando Han Kang ganhou o Prémio Nobel. Os seus livros são inesquecíveis, goste-se ou não. Eu gostei de todos, com particular destaque para A Vegetariana e Atos Humanos. Lerei este novo livro em breve.

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  4. Também não consegui terminar Actos Humanos. Fiquei tão cheia de tanta desgraça que tenho aqui a vegetariana que ainda não me dispus a ler. Estás desgraças todas não me deixam dormir depois. Não estou para isso. As mudanças no mundo já me preocupam demais. Não posso ir buscar mais desgraça no que leio.

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  5. ...parece-me uma boa sugestão. Apontado.
    Bom final de semana!

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