Ignorância

Todos os adultos, em algum momento da sua vida, alegam que os jovens são muito ignorantes em determiandos assuntos. Não sou excepção, e há muitos anos fiquei muito chocada quando a filha de uma amiga, que frequentava já a universidade, confessou não saber nada da repressão que Timor sofria (era no tempo que isso era notícia diária do telejornal) e um arquitecto recém-formado no Brasil confessou não saber quem era Salvador Dalí, de quem se fizera uma exposição no Rio Porém, também é verdade que os jovens sabem coisas que nós nem imaginamos e utilizam termos de que, frequentemente, me vejo obrigada a pedir tradução. Há séculos, na televisão, perguntaram a uma mulher, na rua, se sabia quem era Picasso (deve te sido quando ele morreu), e ela respondeu que era um cavalo (poderá ter confundido com «Pégaso»?). Bem, encontrei um cartoon com muita piada que aqui vos deixo e se refere a esta ignorância juvenil sobre a literatura. Nos concursos de cultura geral, é também onde os concorrentes (adultos e jovens) mais falham. Bom fim de semana.


Picture1.jpg

Comentários

  1. António Luiz Pacheco6 de dezembro de 2024 às 02:32

    Conflito de gerações... apenas mais um!
    O sentimento é mútuo: os jovens acham que os mais velhos não sabem nada, os mais velhos acham que os jovens não sabem nada!
    Ninguém tem razão. Os jovens sabem de facto muita coisa que os mais velhos não aprenderam e os mais velhos sabem tantas coisas que os jovens ainda não aprenderam. Se pusermos ambos no prato da balança, talvez penda ligeiramente para o lado dos mais velhos, suponho, o que se entenderá pois a carga de conhecimentos será maior.
    Notem que não falo em termos absolutos. Teremos de estratificar, porque entende-se que uma pessoa mais velha com estudos sabe muitíssimo mais que um jovem com o básico, a despeito deste dominar o seu telefone esperto que lhe substitui o cérebro como fonte de saber. Na mesma linha e em compensação, um jovem com estudos sabe muitíssimo mais do um taxista com a antiga quarta classe, por muito que este oiça programas de rádio e declare que quarta classe do seu tempo equivalia ao quinto ano do liceu, o que é completamente falso e nem sequer se aproximam.
    Esta confrontação é tão antiga quanto o nosso mestre lagareiro, António Bardião, muito orgulhoso da sua terceira classe, me recitava os povos que haviam invadido a Península Ibérica: alanos, suevos e visigodos! Pergunto eu para que lhe servia saber isso na sua profissão de mestre lagareiro ou nas conversas que tivesse com pessoas do seu nível de aldeão da Perofilho? Talvez para participar num concurso televisivo?
    Evidentemente que teremos de separar o que é conhecimento/cultura geral e conhecimento académico/profissional. Por exemplo, é comum os encarregados de obra, experientes, acharem que os jovens engenheiros não sabem nada, o que dá mais do que conflitos, prejuízos, quando depois se verifica que por teimosia fizeram o que entenderam e não o que estava no projecto e no plano de trabalhos, havendo que desmanchar e fazer de novo.
    Não duvidem, ontem mesmo houve uma reunião nossa com a empresa de construcção que está a fazer uma pescaria por empreitada para nós, cujo teimoso encarregado sem saber calcular a resistência do betão ao contrário do engº Claúdio, mas acreditando que está a "poupar", provocou avultados prejuízos e atrasos na obra, que lhes vão ser imputados.
    Enfim, diria que sempre assim foi e será.
    A este propósito cito Shakespeare: - "Os velhos desconfiam dos novos pois já foram novos".
    Digo muitas vezes isto aos meus mais novos, para que entendam que não foram eles os primeiros na família a fugir furtivamente pela janela do quarto, à noite.

    Saudações provectas cá da Cidade Morena.

    ResponderEliminar
  2. antónio ribeiro de castro7 de dezembro de 2024 às 03:25

    Concordo em quase tudo o que a "Cidade Morena" nos disse, mas todos também sabemos histórias de alguns "encarregados de obras" que salvaram alguns "Engºs Claúdios"...

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório