A grande senhora

A grande Maria Teresa Horta, a única ainda viva das três autoras de Novas Cartas Portuguesas, foi considerada este ano pela BBC como uma das 100 mulheres mais influentes e inspiradoras do mundo. É fantástico ver o nome desta escritora portuguesa entre muitos outros, de activistas, cientistas ou artistas de diversos países, como o de Nadia Murad ou Sharon Stone. Talvez, claro, a biografia exaustiva da autoria de Patrícia Reis tenha servido de lembrete (e parabéns à Patrícia por isso), mas ninguém pode negar a importância desta autora de poesia e romance, com uma série de livros premiados, e sobretudo uma das mais conhecidas feministas portuguesas, extremamente activa quando o feminismo era ainda mais necessário do que hoje, pois era um tempo em que, entre outras coisas tremendas, as mulheres não podiam abrir contas bancárias nem viajar sem licença dos maridos. Elogiadas por Simone De Beauvoir, Marguerite Duras, Iris Murdoch ou Doris Lessing, as Novas Cartas Portuguesas e o processo a elas associado instigaram vários protestos em todo o mundo, foram considerados a primeira causa feminista internacional e contribuíram para o despertar de muitas consciências. A estação pública inglesa, ao incluir Maria Teresa Horta entre as personalidades femininas do ano, faz justiça; e a Cecília Andrade, a minha colega que a publica há muitos anos na Dom Quixote, está também de parabéns!

Comentários

  1. Trata-se do livro que estou agora a ler, o qual me transporta para os anos 70 (quando eu nasci) impressionando-me, por um lado, a falta de liberdade, sobretudo nas questões ligadas à vida das mulheres com que sou confrontada em todas as páginas, e por outro lado, a vontade indomável e a intransigência da grande Maria Teresa Horta naquilo que ela considerava serem os valores em que acreditava.
    A biógrafa, extraordinária, não esconde a tristeza que perpassa toda a vida da biografada, o que me leva a ter que parar para pequenos momentos de reflexão.
    Grande biografia!

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  2. António Luiz Pacheco9 de dezembro de 2024 às 02:40

    Não se pode esquecer ou negar, o valor daquelas mulheres naquele tempo.
    Fizeram história, pode dizer-se com propriedade.
    Tomaram o seu lugar com o devido mérito, travaram a luta e arrostaram com as consequências, no entanto conseguiram.
    A nossa amada escrita/leitura no seu melhor e a cumprir aquilo que é o seu desígnio maior e por isso tentam tirar-lhe importância.
    Ainda bem que lhe é reconhecido o mérito, é justo e tem de ser considerada pelo que conseguiu.
    As mulheres e homens de hoje devem ser esclarecidos do que foi e como era.

    Saudações cá da Cidade Morena, terra de mulheres resilientes e denodadas.

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  3. Belo post. Obrigado por compartilhar.

    Boa semana!

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    Até mais, Emerson Garcia

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  4. Maria Teresa Horta que já ouvi várias vezes e sempre com gosto. E que bem merece a distinção que ora lhe deram. Pela obra, pela frontalidade e capacidade de luta pela causa em que acredita. Também por ser uma mulher culta, simples e sem peneiras.
    Estão todas de parabéns, Claro. Mas ela mais.

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  5. Esta grande Senhora, representa tudo aquilo que uma mulher deve ser: ser mulher, e estar onde deve estar, independentemente do tempo em que está.
    Na sua arte, coloco-a no topo da escrita, a par de Agustina Bessa Luís, Sofia de Mello Breyner Andresen, Florbela Espanca, Maria Judite de Carvalho, Maria Gabriela Llansol,Dulce Maria Cardoso e as mais recentes: Isabel Rio Novo, Patricia Reis e Tânia Ganho. Todas grandes escritoras, e grandes Mulheres-acima de tudo.

    Raul de Sousa

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  6. Desobediente e resistente! A biografia ajudou-me a conhecê-la melhor. Uma excelente biografia.Sem dúvida uma menção merecida. Óptimo texto MRP.

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