Para amalianos e não só
Escrevo há cerca de dois anos (se estou a fazer bem as contas) uma crónica para o jornal digital a Mensagem de Lisboa intitulada "O Nosso Fado", que é, grosso modo, dedicada à canção de Lisboa. Eu sabia muitas histórias partilháveis, até porque o meu pai era um boémio e nos levava aos fados frequentemente; mas às tantas essas lembranças esgotaram-se e tenho lido bastantes livros sobre a arte do fado, tendo começado pelos mais teóricos e indo depois às biografias e memórias. Há uns meses, por exemplo, li um conjunto de artigos publicados nos anos 1920 no jornal A Voz do Operário e reunido mais tarde num volume intitulado O Fado e os Seus Censores, de Avelino de Sousa. E há uns quinze dias estive a deliciar-me com Amália: a Ressurreição, do jornalista e escritor Fernando Dacosta, que traz muitas e divertidas achegas à biografia de Amália baseada numa longuíssima entrevista conduzida pelo seu amigo chegado Vítor Pavão dos Santos. Neste livro de Dacosta, estão porém muitos episódios que só os que conviveram com a diva de perto provavelmente sabem e uma ou outra história que talvez não tenha sido antes registada por poder ofender A ou B, que entretanto morreram e já não se podem incomodar. Uma delas compôs, de resto, a minha crónica mais recente para a Mensagem de Lisboa e fala de dois poetas sonantes e da sua relação com a maior fadista da nossa história. Se quiserem ler, deixo-vos o link. Se gostam de fado, o Museu do Fado tem apoiado uma série de obras muito interessantes sobre fado e vale a pena dar uma espreitadela à página da Internet.
Não me lembro do título ms recomendo procure uma história recente do fado. Autor Daniel Gouveia que é o meu editor e um dos fundadores do Museu.
ResponderEliminarMuito interessante!
ResponderEliminarMuito bom, acrescento.
Sou amante de fado, interesso-me também bastante pela sua história e regozijo-me com o facto de fado continuar bem vivo, e, ainda bem.
O fado é parte imemorial da nossa cultura.
Só tenho pena que, algumas pessoas que se presumem de cultura, não valorizem ou pelo menos respeitem, igualmente a tauromaquia, que é parte indissociável da nossa cultura e até da nossa história, tendo também uma forte ligação ao fado. Toiros e fado, estão profundamente irmanados, histórica e culturalmente.
Já sei que vou ter reacções desagradadas, que não me afectam, digo desde já, todavia o que digo é fácilmente comprovado pela tradição e pela história, até pela arte, seja a pintura ou a escrita em que se inclui a poesia do fado. Podem não partilhar da minha aficcion, mas honestamente não se podem negar os factos, aliás a tauromaquia também persiste e mantém-se até aos dias de hoje, seja embora moda denegri-la só porque não a entendem, como aliás não se entende muita coisa da Natureza e do Mundo Rural, a que se virou costas na alegada preocupação com o falso bem-estar animal.
Há aqui na Cidade Morena quem cante o fado, imagine-se... ainda há! Ouve-se fado em reuniões e "sentadas" de amigos, canta-se o fado nalgumas sessões num ou noutro restaurante e casa particular.
Aliás há um tema lindíssimo, uma das mais bonitas composições da música portuguesa, um fado cantado por Mariza da autoria do grande compositor angolano Matias Damásio, "Quem me dera". Também e curiosamente, há aficcionados, conheço angolanos que vão a corridas de toiros em Portugal, já me aconteceu até fazer-lhes companhia ou juntarmo-nos no Campo Pequeno para jantar um rabo de toiro estufado, antes da corrida.
Enfim, é cultura nossa, que nos liga e não nos devia dividir, mais não fosse pelo respeito à diversidade.
Saudações boémias fado-tauromáquicas, cá da Cidade Morena.
Fernando Dacosta sabe muita coisa que escreve e conta de forma muito atractiva. é um gosto ouvi-lo. Mas a Rosário chega para ele.
ResponderEliminarBem haja pelo link