Palavrinhas
Um dia destes lembrei-me de que em tempos escrevia muitas vezes aqui no blogue sobre palavras estranhas (ou, pelo menos, palavras que faziam pensar) e ia investigar a respectiva origem. Há uns tempos, encontrei uma dessas palavras num livro de Mário Cláudio (é onde encontro mais preciosidades deste tipo) e há dias vi que a tinha anotado num papel, como a pedir que investigasse sobre ela, mas ainda não o tinha feito. A palavra é «algebrista», mas, no contexto, não tinha mesmo nada a ver com matemática, embora o termo também queira dizer, evidentemente, um especialista em álgebra. Parece que em certos locais, o algebrista é um endireita, e vamos lá então saber que relação tem a álgebra com este antepassado do osteopata. Indo às origens, descobrimos então que o vocábulo «álgebra» (começa com al, note-se) deriva do árabe «al-jabr», que significa originalmente qualquer coisa como a «arte de reunir ossos quebrados». Está, pois, explicado que um endireita, mesmo sem saber matemática, possa ter o nome de algebrista. Há coisas mesmo giras nesta nossa língua, não há?
Dizem por aí algumas vozes na sua ânsia de criar casos, das que pretendem desestabilizar e não passam de meros iconoclastas na sua ignorância profunda, que colonizámos a esmo!
ResponderEliminarBom, não há dúvida de que colonizámos, sim. Porém, se formos analisar bem e com honestidade, veremos que por um lado também fomos colonizados e por outro lado que a colonização por nós praticada teve um retorno, é que fomos por nossa vez colonizados pelos que colonizámos!
O melhor exemplo do que digo, é justamente a nossa língua na sua imensa riqueza provinda do falar de outras línguas dos que nos colonizaram, como dos colonizados.
É um tema "bué" interessante e quase infindável, "cuia" como aqui se diz correntemente.
Oxalá (ainda há dias um libanês se espantou com esta exclamação) vá havendo quem o perceba e lhe dedique a atenção que merece.
Saudações linguísticas cá da Cidade Morena.
O título da obra do matemático Al Qwaresmi - numa cidade islâmica do atual Uzbequistão no séc X, creio - sobre os seus trabalhos nos quais tinha inventado, entre outros, o conceito de logaritmo, começava por al gebra etc. A 1a tradução europeia da obra utilizou o termo Álgebra como sendo o conteúdo da obra e assim ficou. Alguns séculos mais tarde aqueles conhecimentos foram conhecidos na Europa e a Álgebra tornou-se um setor da Matemática com muito desenvolvimento.
ResponderEliminarEstava à espera que a nossa Anfitriã se pronunciasse sobre o Prémio Leya.
ResponderEliminarOuvi ontem na Antena 2 que o mesmo foi atribuído a um autor de apelido Dias sendo o tema a vida de um trabalhador na Ponte 25 de Abril enquanto por baixo entravam e saíam navios carregados de homens como ele que iam e vinham da guerra.
Não li ainda o livro premiado. Quando o fizer, certamente comentarei.
ResponderEliminarLembrei-me agora duma palavra que apareceu há uns anos e se vulgarizou -estória.
ResponderEliminarNão faz parte do meu léxico.Não acho necessário.Porque não usar história?
Já ouvi explicações no sentido de aproximação ao inglês-story e history.
Mas será necessário?Acho que o português nunca fez essa diferença.
Gostava de ouvir outras opiniões.
Os livros do Mário Cláudio e da Hélia Correia são pródigos nas palavras raras. Devemos-lhes isso.
ResponderEliminarAtão e o nosso Extraordinário e picaresco Paulo Moreiras?
ResponderEliminarDeve ser o campeão das consultas ao diccionário... eheheh!
Também não faz parte do meu...
ResponderEliminarAliás nem entendo o porquê, mas cheira-me a facilitismo popular ao estilo de "também" ou "tamém", por exemplo.
Creio que não se compara ao inglês, pois history é história/ciência e story é história/conto ou relato. Penso eu...
História tem ambos os significados, estória é apenas escrever como se diz, penso ainda eu!