Ovídio
A filha de um amigo espanhol tirou o curso de Literaturas Clássicas e é hoje professora na Universidade de Manchester, onde se doutorou. Contou-nos, porém, que nem sempre é fácil ensinar Ovídio, sobretudo A Arte de Amar; antes de começar, é obrigada a explicar aos seus alunos que este autor romano nascido pouco antes de Cristo fala por vezes das mulheres de uma forma que hoje seria considerada inaceitável. E o problema é que os estudantes (mais as estudantes, na verdade) podem simplesmente recusar-se a estudar a obra, e até a ler o autor... Bem, por cá o professor Carlos Ascenso André está a traduzir toda a obra de Ovídio, e recentemente saiu Remédios contra o Amor, publicado em versão bilingue, o que (creio eu) é uma novidade. Espero que nas nossas universidades as raparigas não resistam a lê-lo, até porque, segundo o tradutor sugere, «os Remedia amoris eram bem mais do que o divertimento poético que pareciam, admitindo uma revisão do lugar da mulher, que assume um papel muito mais profundo nestes poemas». Leia-se, pois!
Penso que a presunção de objetividade acadêmica, um dos princípios mais caros ao livre pensamento, anda desprestigiado nestes dias. Enfim. Talvez fosse o caso de explicar a contribuição que o resgate dos clássicos, incluindo Ovídio, teve no Renascimento, que levou ao Iluminismo, e em última análise, ao feminismo! Dante o cita na Comédia.
ResponderEliminarA intolerável tendência para ser intolerante instalou-se, sobretudo nos meios académicos e portanto os mais desenvolvidos... que assim se tornam sobretudo menos esclarecidos a despeito do seu convencimento de muito saberem. Oiçam-se os ditos professores universitários que enxameiam os meios de comunicação como comentadores ou articulistas e as pobres e tristes figuras que fazem.
ResponderEliminarTambém o meio da presumida "cultura" e das artes padece e exibe com soberba essa mesma intolerância na forma como se afirma.
A intolerância, que se instalou, tendo crescido pelo século XX e culminando na actualidade em correntes que se dizem defender pessoas, o planeta, o clima, só oprime e tenta impor idéias de minorias, desprezando tudo que não encaixe e anulando aquela que é a suprema maravilha da humanidade: a diversidade do pensamento!
É precisamente na contra-corrente que está a luz e a descoberta, a evolução positiva.
Os sábios, fossem antigos ou contemporâneos, sabiam e sabem-no.
Temos de os apreender no contexto do tempo e da da história, pois servem até para nos ajudar a perceber e acompanhar a evolução do pensamento e da humanidade.
Não esqueçamos que segundo a ciência, o planeta já foi considerado plano e o a criação como divina!
Mas não está ao alcance de todos chegar lá, sobretudo aos que se indignam a propósito de tudo e de nada, que refutam, desprezam e tentam obliterar aquilo com que não concordam, na maior parte das vezes por ignorância, porque nem sequer ouvem ou refletem nisso.
Creio que assim não evoluiremos mais, e, entramos numa nova idade das trevas onde os influencers serão a palavra de ordem.
Tempos sombrios, onde mais do que as mudanças climáticas seria de temer esta outra mudança.
Saudações sombrias cá da Cidade Morena, encoberta e chuviscante.
Atenção que as mulheres não são minorias, e sim, foram muito maltratadas só por serem mulheres, ao longo dos séculos, e ainda hoje. Era disso que se queixavam as estudantes, e eu também me queixaria. Já não se aguenta a misogenia, seja antiga ou actual. Claro que se pode e deve estudar Ovídeo na mesma, mas só nós, mulheres, sabemos o que sentimos ao ler certas coisas. Menosprezar esse sentimento considerando-o um regresso à idade das trevas, compará-lo com a ignorância de considerar a terra plana, é... inqualificável (optei por não adjectivar pior). Não misture alhos com bugalhos, só porque é homem e lhe dá jeito.
ResponderEliminarFilipa
Porque não lerão Ovídio? Não li eu Kopstock, Shiller, Goethe, Shakespeare e outros tantos? Também a filha de um ex-colega escolheu Estudos Clássicos e nem sem bem onde, está a ensinar numa universidade. Coimbra, creio. O meu marido, sabia recitar a Avé Maria em grego antigo, imagine-se. Eu tive dois anos de Latim no liceu, apesar de ter seguido Inglês e Alemão. Leiam Ovídio, meninas, leiam os clássicos.
ResponderEliminarNão misturo alhos com bugalhos, pois quando escrevi aquilo que leu, não estava a pensar nas mulheres, disse-o na generalidade.
ResponderEliminarLamento se não me fiz entender.
Dá-me tanto jeito por ser homem quanto à Filipa ser mulher e vir imediatamente interpelar-me, sem ter percebido o que eu pretendi dizer nem pedir o devido esclarecimento.
Intolerância e excesso de sensibilidade feminina, foi o que mostrou, pelo menos a mim.
Leia-me outra vez, de cabeça fria e com objectividade, verá que não estou nem a apoucar as mulheres nem a fazer apologia de idéias ultrapassadas.
Saudações masculinas, óbviamente.
Belo e incrível post. Parabéns!
ResponderEliminarBoa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
Mas o texto da MRP é muito concretamente sobre a razão da contestação (“sobretudo das raparigas”) ter a ver com o modo como Ovídio retrata as mulheres, “de uma forma que seria hoje inaceitável”. Eu só quis chamar a atenção para que a sua generalização, ao ignorar o (e sair de) contexto com ligeireza, era ofensiva, perante uma atitude concreta que talvez não compreenda (temos por vezes que o sentir na pele), mas é muitas vezes de simples cansaço, perfeitamente válido, por muitos séculos de misógina. Que ainda hoje gera tanta violência contra tantas mulheres, por parte de tantos homens (e não serem todos não retira validade e urgência à questão). Insisto que já não se aguenta. Mas se fui muito ríspida a expressar isto, não era a intenção inicial, e peço desculpa.
ResponderEliminarFilipa
Caríssima Filipa:
ResponderEliminarFui mal-entendido, e, parece-me agora que também a entendi mal!
Felizmente somos gente que se procura entender... peço também desculpas se de facto não consegui transmitir o que pretendia e ainda a percebi mal!
Para mim, e para quem seja informado ou esclarecido, as mulheres não são e nem nunca foram uma minoria, muito pelo contrário, são uma maioria. Uma maioria eventualmente oprimida por uma minoria masculina - lá está ao que me referia sobre a imposição das minorias.
Ovídio, entre outros, são interessantes de ler, precisamente para que possamos seguir o evoluir do pensamento, o percurso na história e no tempo. Enfim, penso eu.
Julgo que não pode ser lido como um opressor de mulheres ou quem as desprezava, pois era assim a corrente da altura, ele era apenas um homem do seu tempo. Hoje parece-nos absurdo, claro, mas não podemos ser sensíveis ao ponto de o ignorar ou desprezar, pelo contrário há que o ter em conta.
As mulheres ao longo do tempo, ocuparam o seu lugar, foram conquistando o seu pleno direito que suponho hoje é pleno, de um modo geral.
Se há misoginia também há feminismo, para mim ambos prejudiciais e sem sentido nos tempos que correm. Mas, lá está, não sou mulher e o que m'a mim parece pode não ser a realidade. Aqui em África, numa sociedade que é efectivamente matriarcal, os direitos das mulheres são entendidos de um modo diferente, para nós europeus. Para mim é um tema muito curioso, mais um... até trato disso e o refiro no meu romance "Não tem Domingo na Equimina".
Suponho que estamos esclarecidos e que podemos continuar a contar com a nossa agradável troca de idéias, como já tem sucedido.
Cumprimentos cá da Cidade Morena!
Por favor, deixe a autoridade do site manter meu nome como Anônimo. Eu sou do Brasil, mas moro em Ohio, Estados Unidos. Desejo compartilhar meus testemunhos com o público em geral sobre o que esse médico espiritual chamado Agboya acabou de fazer por mim, e também agradecerei a este mesmo site e a todas as pessoas que dão seus testemunhos aqui sobre o mesmo homem e como ele ajudou as pessoas a trazerem seus ex-amantes de volta
ResponderEliminarele também me ajudou a trazer meu ex-marido perdido de volta para mim com seu grande poder mágico. Entrei em contato com ele há 2 semanas depois de ver um testemunho de uma senhora chamada (Laura) sobre como esse mesmo homem a ajudou também.
Eu era casada com meu marido, ficamos juntos por muito tempo e nos amávamos, mas quando não consegui dar a ele um filho homem depois de termos 2 filhas, ele me deixou e ficou com outra mulher que usou feitiço de vodu de amor nele. Meu marido me odeia e me disse que não pode mais continuar comigo.
Eu estava procurando maneiras de trazê-lo de volta porque eu e minhas filhas o amamos muito, eu tento tudo ao meu alcance, e enviei pessoas para implorar e suplicar a ele, mas todos os meus esforços para implorar e tê-lo de volta falharam
2 semanas atrás, eu vi um testemunho aqui sobre esse mesmo homem na internet sobre como ele curou tantas doenças e ajudou pessoas com outros problemas semelhantes aos meus, então você não vai acreditar nisso. Quando entrei em contato com esse homem sobre meus problemas, ele preparou um feitiço de amor para unir a mim e meu marido, e me orientou sobre o que fazer e como orar por mim e meu marido, ele também me disse outras coisas necessárias que ele precisava fazer para me ajudar, em dois dias depois que ele me disse que tinha terminado com o trabalho de feitiço, meu marido voltou com mais amor em seus olhos e se desculpou comigo e meus filhos.
É assim que tenho meu marido de volta, agora estamos tão felizes juntos. Gostaria de agradecer mais uma vez ao grande conjurador pelo que você fez por mim, se você estiver procurando por qualquer um desses feitiços de amor verdadeiro ou cura, entre em contato com ele por meio de seu endereço de e-mail ou contato do WhatsApp.
agboyasolutionhome@gmail.com ou WhatsApp +2348112714824