O que ando a ler
Oh, diabo, com o feriado na semana passada, esqueci-me completamente do post mensal sobre as minhas (e as vossas) leituras. Mil perdões. No dia 1, estava eu a ler o mais recente romance de Possidónio Cachapa, A Selva Dentro de Casa, cuja acção decorre no período da Guerra Colonial e tem por protagonista uma criança que vive numa aldeia com a mãe (o pai estava sempre a desaparecer e acabou mesmo por pedir a separação para poder viver com outra mulher). Enquanto nos conta (sim, o narrador é essa criança) a sua vida difícil (pobreza, professores violentos, mãe gelada, ausência do pai...), vamos sabendo do seu tio Quim, um jovem de vinte anos que combate em África e suporta de tudo (medo, mortes de amigos, tiros, até uma cobra enrolada na sua perna ferida). É um livro que parece ter sido escrito num tempo em que se evocava mais frequentemente o rural na literatura (a história passa-se no Alentejo), e constitui um bom retrato de uma época que eu ainda vivi na infância, com madrinhas de guerra, aerogramas e soldados desejando feliz Natal e um ano cheio de «propriedades» aos familiares do rectângulo televisivo. A preto e branco, claro.
Bom dia
ResponderEliminarLi há muito tempo atrás "Materna Doçura"
Leio actualmente várias coisas, "pérolas" de um passado não muito distante:
i) Os cínicos não serverm para este ofício, de Ryszard Kapuscinski
ii) Elogio da bicicleta, de Marc Augé
iii) Propangande, de David Colon
iv) Educação ou Barbárie, de Guilherme d'Oliveira Martins
Lá está, mais uma vez: nada de ficção - não é defeito, é feitio...
Bom dia e Boa Sorte
(E boas leituras)
Ando a ler, de um dos meus autores contemporâneos, de língua portuguesa, favoritos, Pepetela, mais um belíssimo romance: Sua Excelência de corpo presente.
ResponderEliminarNele se ficciona, magistralmente como é hábito do escritor, o percurso, toda a teia de interesses e os personagens à volta de um falecido presidente da república - de Angola - que é o relator, a partir do seu caixão de onde vai vendo quem está e recordando casos, pessoas e a sua vida.
Muito bom, mesmo!
Pepetela é um observador muitíssimo perspicaz, atento e certeiro. Descreve muitíssimo bem os entornos e contornos da vida e da política angolana, talvez de uma forma menos perceptível a quem não esteja dentro do tema ou não conheça o país e a sociedade, mas fá-lo muitíssimo bem!
Com o já citado José Águalusa, compõe de facto uma dupla imbatível no que toca a descrever e interpretar Angola.
Saudações cá da Cidade Morena, hoje molhada pela chuva intermitente, a preparar-se para o fim de semana de 3 dias.
Quando se perspetiva ficar encerrado num avião durante horas, e desta vez a dose foi a dobrar, pego num livro de pequeno porte e letras de tamanho razoável e levo-o comigo. Caiu a sorte na Biblioteca do Século XXI, de Stanislaw Lem. Entre o sarcástico da 1a parte e o desesperado da 2a, estou na expetativa da 3a, mas algo me diz que o registo já não vai mudar.
ResponderEliminarBem, eu insisto no prazer de ler a Polaca (do meu ano) Olga Tokarczuk. Desta vez, "Viagens", obra que nos embarca numa escrita que acho sublime pela forma que na esquina de cada página, achamos um modo de encantamento, de uma criatividade bem alicerçada, frases e parágrafos que fácilmente me fazem sentir serem ovos de Colombo, e inveja de não ter um cérebro e uma mestria assim. Ziguezagueamos pelos quarteirões sequenciais de histórias, de reflexões que não possuem ligação para além de serem na realidade, locais em que cada um de nós, cavalgando o dorso de uma ave maior, olhamos para baixo e ao redor, e nos deliciamos com o que vemos/lemos. Viagens pela história, pela ciência, pelo espanto daquilo que podemos descobrir.
ResponderEliminarChancela Cavalo de Ferro, ganhou o Prémio Internacional Man Booker 2018.
Depois, para antes de adormecer, quinze, vinte minutos ou meia hora, agarro num policial Sueco, (que nos habituámos serem simpáticos e bem construídos, por via de séries e literatura policial), com o título "O Hipnotista", cujos autores se autodesignam Lars Kepler. Desconhecia a dupla por completo, mas ao terem-me emprestado o livro, iniciei a leitura. Insípida, banal, fácil... mas ao persistir (talvez devido a uma noite em que estava para aí virado, pois não me é habitual batalhar naquilo que não dá pica inicial), lá me foi agarrando por uma teia que começa a ganhar forma, ainda que não saiba até onde me leva e por quanto tempo. (bem, já estou praticamente a chegar ao primeiro quarto das 560 páginas).
Nos últimos minutos antes de apagar a luz, é no fundo o que pretendo, leituras facilitadas, de pura distração, daí, desta vez, um policial.
É um livro algo "antigo", e faz parte do catálogo da Porto Editora.
Boa semana!!! ;)