Um físico prodigioso
Os mais velhos ainda se lembram certamente de um programa de televisão sobre física nuclear anterior ao 25 de Abril, conduzido por António Manuel Baptista. Era estranho, claro, um programa sobre um tema tão específico em horário quase nobre, mas o seu autor sabia de tal forma comunicar que, uma vez, as vendedeiras de um mercado fora de Lisboa lhe confessaram não perceber nada do que dizia mas adorar ouvi-lo falar mesmo assim. Foi este senhor que me meteu na edição em 1987 (era amigo do meu pai e sabia que eu gostava de livros): quando um editor lhe perguntou se conhecia alguém que o pudesse ajudar, não hesitou em recomendar-me para o lugar e foi assim que começou a minha vida editorial. Tenho-lhe uma grande dívida, claro, e mais logo estarei na homenagem e no lançamento de um livro seu, agora reeditado pela Tinta-da-China; chama-se A Ciência no Grande Teatro do Mundo e, para quem não o conheça, vale muito a pena ver a clareza com que as coisas são lá explicadas. É o neto deste prodigioso físico, também António, quem vai conduzir a conversa com Carlos Fiolhais. Não falte. Na Ler Devagar, às 18h30.
Eu recordo também as palestras que ele dava na antiga Emissora Nacional; eu, que sou de Letras, fiquei a conhecer melhor o lado da Ciência explicado aos leigos, com aquela entoação e voz que me parece ainda ouvir com saudade. Com certeza vou comprar o livro!
ResponderEliminarNão deve espantar a ninguém que um físico seja popular, tendo em conta duas premissas:
ResponderEliminar- Seja bom comunicador.
- Seja um sábio.
O sábio é por definição um filósofo, alguém que sabe não apenas sobre um tema específico mas quem consegue estabelecer ligação a tudo o resto e às pessoas, tornando-se um divulgador.
É essa a diferença entre quem é Sábio ou apenas um investigador.
Nem sempre o público consegue fazer a diferença, nem todos os cientistas atingem esse patamar, podem reunir muito saber, mas de que serve isso se o não aplicarem ao Mundo real e às pessoas? Se o não divulgarem?
Oiço e leio na actualidade muita gente, sobre clima e fogos, ou guerras. Mas quantos são sábios? Muito poucos na verdade e se houver um mínimo de informação ou conhecimento que nos permita percebê-lo e fazer a destrinça entre quem apenas fala ou aqueles que falam com saber, estes muitas vezes não sendo ouvidos até porque não dizem aquilo que se quer ouvir ou é política e ecológicamente correcto. Não informam, deformam, mas quem tem disso a noção?
Lembro a propósito do nuclear, o meu professor de física e regente da cadeira, Prof. Rodrigues Martins, um Sábio e filósofo, justamente físico nuclear, a lição que deu, motivada por umas camisolas de colegas meus com a famosa e controversa, para não dizer ignorante como ele demonstrou, frase: "nuclear não obrigado".
Saudações nucleares cá da Cidade Morena.
...pequena leitura feliz para iniciar bem o dia.
ResponderEliminarEstaremos todos de acordo como o António Luiz Pacheco – será a fórmula idêntica que distingue aqueles professores que nos marcaram (e na disciplina de física, tenho um excelente exemplo disso mesmo, capaz de fazer da noite, luz), pois possuíam/possuem o fio condutor que nos levava e levam ao interesse, e até à paixão por. Depois, num campo que ainda se consegue encaixar na física, temos o bom exemplo do prof. Fernando Carvalho Rodrigues... ou aquele que é mais conhecido à escala global (e que todos lemos e ouvimos), o Carl Sagan.