Orgia checa

Nunca falho um Philip Roth quando aparece um novo e fico sempre com água na boca enquanto não arranjo tempo para ele. Desta vez arranjar tempo foi fácil, pois estava a terminar outro livro e meti-o logo que o terminei, à frente de uma data deles que esperavam na pilha. Tratava-se ainda por cima de A Orgia de Praga, escrito há quase cinquenta anos mas um dos livros da tetralogia Zuckerman Acorrentado, de que já lera os outros três. Como o título indica, passa-se maioritariamente em Praga, no tempo do comunismo, e fala de como os artistas e escritores checos aí vivem permanentemente espiados pelos soviéticos, vigiados e mesmo castigados, quantas vezes impedidos de escrever e publicar. Olga, por exemplo, passa a vida a pedir a Zuckerman que fornique e se case com ela e a liberte do ostracismo e da violência a que é votada pelo seu país. Tentando reagir a uma vida de opressão, muitos artistas acabam por se vingar em orgias e festas lúbricas nas quais o nosso Zuckerman participa quase sem querer. Não tão interessante como os outros três (O Escritor Fantasma, A Lição de Anatomia e Zuckerman Libertado) e bastante mais curto (lê-se em duas ou três noites), é apesar de tudo um Philip Roth.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco14 de outubro de 2024 às 01:19

    Confesso que apesar de lhe reconhecer o génio que possui e o ser um magnífico contador de histórias - quem sou eu para o contestar -, não faz parte dos meus preferidos, justamente pelo excesso de sexo. Não que eu seja puritano ou coisa que o valha, mas o tema não é a minha leitura favorita.
    Pastoral Americana é sem dúvida o seu marco literário, mas considero imperdível "O complexo de Portnoy" que me parece terá sido a linha seguida por Woody Allen (também judeu)?
    Prefiro o igualmente judeu Saul Bellow que lhe é muitas vezes associado ou comparado... e mais moderado.

    Votos de uma semana Extraordinária, cá desde a Cidade Morena!





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  2. Concordo com o Extraordinário Pacheco. As histórias que Roth conta são sempre interessantes de seguir mas quando o fazia tinha a sensação de estar a ler um guião para uma série de televisão e não um livro de literatura.

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  3. "A PASTORAL AMERICANA" é realmente um grande livro!
    Como é que Philip Roth nunca foi Nobel?

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  4. Interessante o texto. Gostei de ler.

    Boa semana!

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  5. António Luiz Pacheco14 de outubro de 2024 às 07:36

    Sim, és capaz de ter razão... Saul Bellow foi, e, parece-me que embora preferindo a sua leitura à do Roth, este teria mais razões para ser laureado?

    Abraço!

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  6. Gostei imenso do livro "A pastoral americana". Também não me importo nada que o autor não tenha sido nobel. Com ou sem prémio gosto dele na mesma quantidade:).

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  7. Phillip Roth,tal como para o extraordinário Pacheco,”não faz parte dos meus preferidos justamente pelo excesso de sexo”.O único livro que gostei dele,e muito,foi “Pastoral americana”.Esse sim,foi genial !
    Em nenhum outro encontrei algo de excecional,é demasiado americano e estranho quando tanto o apontam para prémio Nobel.Mas,enfim,também os últimos Nobel deixam muito a desejar…(na minha modesta opinião)

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