O que ando a ler
Terminei-o ontem e tenho de confessar que, apesar de se tratar de um romance que começa mesmo bem, que promete, que é diferente, acabou por não me convencer. A autora Deborah Levy já cá tem vários publicados e, se não me engano, foi finalista do Booker Prize duas ou três vezes. Porém, este Azul de Agosto não é o meu género de romance e arrastei-me ao longo das suas páginas: quanto a mim, nem constitui uma história bem contada, nem um livro sem grande história mas com uma linguagem ou uma estrutura poderosa. Na verdade, achei-o um livro sobre coisa nenhuma. Talvez o defeito seja meu, pois a autora é, segundo já percebi pelo que tenho lido, muito estimada e considerada, mas mais uma vez é aquele tipo de livro feito à medida para os tempos e as questões fracturantes, o que me parece sempre oportunista, até porque o assunto nada tem que ver com essas questões. Mas, enfim, posso ser eu a envelhecer e a gostar de cada vez menos coisas, e a premissa até é interessante: uma pianista que deixou o palco em Viena a meio de uma peça de Rachmaninoff e não voltou a tocar (e que gostaria de saber porque foi abandonada em criança e entregue a um mestre de piano, que a adoptou e está agora às portas da morte). Tem uma dupla, que encontra em vários países por onde passa e corre o risco de ser ela mesma. Leiam e dêem-me a vossa opinião.
Ai não leio não... peço desculpa, mas sou mesmo avesso ao tema que apresenta! Eheheh!
ResponderEliminarTenho seguido muitas das suas sugestões, umas gostei e até me surpreenderam, outras nem por isso.
Pela minha parte, foram, um mês de Agosto e outro de Setembro algo conturbados, porém com muito boas leituras!
Destaque para bons autores portugueses que tive o gosto de poder ler, eu que por norma sou tão crítico quanto a eles, mas ainda há quem escreva aquilo de que gosto de ler.
(Ó Paulo Moreiras, toca mas é a escrever aí mais um romance! Espero estejas a tratar disso… anda lá!).
Continuo a ler o excelente e oportuno “As causas do atraso português” de Nuno Paula, não é coisa para se ler, mas para se ir lendo e digerindo. Aconselho.
O mesmo digo do Extraordinário “Fortuna, caso, tempo e sorte – Luiz Vaz de Camões”. Infelizmente interrompi a sua leitura, pois não deu para trazer na mala, com pena minha, por ser fisicamente demasiado pesado, continua em Dezembro… mas saúdo e agradeço sinceramente a Isabel Rio Novo pelo trabalho a que se deu. Outro livro que aconselho vivamente. E, não, Camões não é nem símbolo de Estado Novo ou da direita, muito menos do colonialismo. Camões é acima de tudo um poeta genial e foi um homem de cultura insuspeita e misteriosa que merece a pena conhecer, com uma vida agitada e que fez dele tudo menos um símbolo político. Só mentes doentes e pouco esclarecidas o entenderão como tal.
Depois tive ainda a oportunidade de acabar:
- “Aventuras de um alferes em Angola” de Pedro Beltrão. Um livro simples e despretensioso, vivido na primeira pessoa, narrativa das memórias duma comissão de soberania no antigo ultramar. Também não constitui nenhum manifesto político ou revivalista, narra o sentir de um jovem apanhado pela guerra colonial e a única saudade é a da terra e das pessoas. Genuíno, vale a pena ler, porque é uma vivência, sem constituir um marco literário.
- “O segredo de Lourenço Marques”, Eduardo Pires Coelho. Tomei conhecimento neste nosso EE (Espaço Extraordinário), e valeu a pena: grande romance! Sim senhor, mesmo à minha medida… o autor fundamenta-se muito bem, o que sempre dá à ficção aquele gostinho de “podia ter acontecido”. Recomendo vivamente!
- Comecei a ler, de Amin Malouf, “Escalas do Levante”. Estou a gostar, promete!
E assim vamos nós, recuperado mas ainda de prevenção, cá na Cidade Morena, onde o tempo começa a aquecer, finalmente e de onde vos saúdo!
Gosto muito da trilogia autobiográfica da autora, mas este livro foi dececionante.
ResponderEliminarLi em inglês e pensei que talvez não tivesse percebido bem alguns aspetos da história (por exemplo, o fim e quem é exatamente essa "dupla", e se é mesmo real ou fruto da imaginação dela, já que a encontra tantas vezes em cidades tão grandes, o que é muito pouco plausível) por falha minha relativamente à língua. Mas, se calhar, é mesmo isso que diz, um livro sobre coisa nenhuma, pois nenhuma das questões que apenas aflora é verdadeiramente aprofundada.
Não sei porque é que o comentário aparece como anónimo (falha minha!), mas o meu nome é Ana Teresa Alves.
ResponderEliminarBom dia
ResponderEliminarLi de uma assentada a sugestão dada em post anterior: O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda. Um personagem e tanto, o tal José Bolivar, embora algo inverosímil o retrato do bom selvagem adoçidado pelo gosto da leitura. (Mas lá está, posso ser eu a ficar velho)
Decididamente, vou mais pela não ficção.
Isto apesar dos conselhos de Michel Desmurget - francês apócaliptico em relação aos hábitos de leitura - do qual li recentemente Ponham-nos a ler. Nesta obra ele advoga (e justifica) o livro de ficção como o "alimento" mais nutritivo que podemos dar aos nossos neurónios, especialmente se estivermos em idade de crescimento (mas não só)
Neste momento delicio-me com Breve História Mundial da Esquerda, editado pela Zigurate. E com Ideologia e Razão de Estado, de Jaime Nogueira Pinto. Uma no cravo, outra na ferradura.
Passei a funcionar com uma décalege de um ano ou mais em relação às sacrosantas novidades - deixa-las estagiar numa lista de desejos.
Boas leituras
PS: Faço também a leitura partilhada de Os Maias, com um adolescente - para infelicidade dele. Este é seguramente o livro que mais vezes reli.
"As 7 vidas de José Saramago" de Miguel Real e Filomena Oliveira- 700 páginas da história dos nossos dias.
ResponderEliminarÉ um livro para um saramaguiano (como eu) -é que são setecentas páginas-...
Entretanto, reli pela "quincagésima" vez um monumento literário: "BARTLEBY, O ESCRIVÃO".
Um livro gigantesco que não terá mais de cinquenta páginas -quem não leu tem que ler-!
BARTLEBY, O ESCRIVÃO de Herman Melville
ResponderEliminarDIÁRIO INCONTÍNUO - Mário Cláudio
ResponderEliminarSim ,por coincidência também li “as causas do atraso português “ e gostei muito pois ficou tudo muito mais claro e organizado na minha cabeça . Muito interessante toda a análise feita e conceitos empresariais apresentados pelo autor .
ResponderEliminarIsabel Rio Novo é o seu Camões também estão na minha lista de espera . Visita guiada do mês passado fez pelo menos 2 programas com ela acerca dele em Coimbra e Lisboa . Muito
Bom também.
M.Antelo