Mães e filhas

Não escondo que amo profundamente a minha mãe centenária e que sempre tivemos uma boa relação, embora isso não nos tenha dispensado de várias discussões porque, sobre muitas coisas, pensamos de maneira diferente. Já a minha irmã foi sempre mais pai e o feitio da nossa mãe também nunca facilitou as coisas. A relação entre mães e filhas é em muitos casos difícil e não faltam filmes e livros a prová-lo, como A Pianista, de Elfried Jelinek, Carta à Minha Filha, de Maya Angelou, ou Beloved, de Toni Morrison, só para referir alguns. Às vezes, mesmo que o amor seja inegável, mãe e filha não conseguem estar juntas e uma briga acaba por separá-las para a vida. Ora, acaba de ser lançado um romance que fala justamente disto, Como Amar Uma Filha, da israelita Hila Blum, livro finalista do Prémio Fémina em França, no qual a protagonista (a mãe que apenas consegue ver os netos de longe porque não fala com a filha há muito) dialoga com as escritoras que a autora confessa gostar de ler: Susan Sontag, Margaret Atwood ou Alice Munro. A coisa promete e a capa é belíssima. Vou espreitar.


Como Amar Uma Filha.jpg

Comentários

  1. Bom dia,
    De facto, o tema interessa-me: sou filha juntamente com 5 irmãs, a nossa mãe chegou aos 89 anos a insistir em viver sozinha e sou mãe de uma filha…
    Tomei nota do titulo, da escritora e da editora.

    ResponderEliminar
  2. Este blog cativa-nos, presenteia-nos durante 5 minutos diários... claro que pelos livros que gostamos enquanto mero objecto que activa alguns sentidos, pelas vivências neles contidas que nos levam a viver outras vidas ou sentá-las à mesa da nossa, pela levitação no nosso lazer.... pelo conhecimento, pela imaginação de sociabilidade com tantas personagens de quem depois quase sentimos falta.
    A par com a sua razão de ser (blog), ele transpira mais valia de afectividade: a de alguém que nos vai contando pequenas infinidades de si, tornando-o mais quente, com lado humano, "visível" ou "palpável", mais real no sentido em que emoções partilhadas são em directo, não ficcionais, de uma pessoa que conhecemos. (no fundo, MRP, um "acrescento" permanente às emoções que a sua poesia nos dá).
    Enquanto à obra apresentada, é mais uma que colocamos na lista... e da capa, tão bela que é (apanágio da Quetzal), diria que merecia a designação da autoria. Aliás, tradução e autoria da capa, seria interessante incorporar na análise.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Em Berlim

O que ando a ler

O principal e o acessório