Lembrar e celebrar
Embora alguns editores estejam periodicamente a trazer ao de cima autores portugueses desaparecidos (como Agustina, Jorge de Sena, Fernando Namora, Alves Redol...), num mundo em que «quem não aparece esquece» existem excelentes autores que tendem a ficar esquecidos (eu, por exemplo, acho que o genial Carlos de Oliveira é um desses casos e aconselho a todos a leitura das suas obras). Mas, além da publicação, há outras coisas que ajudam ao «renascimento» dos escritores, e este ano Vergílio Ferreira teve sorte. Na semana passada, durante o festival Em Nome da Terra foi inaugurada em Melo (Gouveia), terra serrana natal do professor, a Casa Vergílio Ferreira - Para Sempre, que, tendo sido a casa dos seus pais, será um novo espaço cultural que celebrará a sua obra e servirá do mesmo modo de lugar literário inspirador para outros autores, que ali poderão fazer residências literárias com uma bela vista. O festival, que vai na sua 3.ª edição, passará doravante por esta casa, onde se fará também anualmente a entrega do Prémio Vergílio Ferreira. O projecto da «Casa Amarela» teve curadoria de Valter Hugo Mãe e conta com muitos objectos oferecidos pelos netos do escritor, como um relógio «napoleónico», segundo leio no site da Rádio Renascença. A casa está cheia de livros, entre os quais seguramente o romance Para Sempre, no qual o protagonista recorda a sua vida durante uma tarde de Agosto numa casa que supostamente foi aquela. Mais um lugar para visitarmos.

Obrigado pela partilha. Vou acrescentar aos meus roteiros de viagens "vá-para-fora-cá-dentro"
ResponderEliminarBoas leituras
A autarquia já tinha inserido na aldeia muitas marcas da existência de Vergílio Ferreira. Algumas frases das suas obras estão reproduzidas nos locais a que se referiam.
ResponderEliminarNão me recordo bem mas penso que a sua casa (dos seus pais) não era esta, localiza-se numa rua da zona mais densa e é mais modesta. A sua ligação à casa da foto, pertencente a um familiar, vem dos períodos de férias que lá passou.
No final da visita fui ao cemitério que Vergílio Ferrerira tinha mencionado como o sítio onde desejava permanecer PARA SEMPRE e vi a sua campa: uma lage de granito polido onde a única inscrição é a reprodução da sua assinatura na diagonal da pedra.
Vale a pena ler este grande autor.
ResponderEliminarOs seus diários (Conta Corrente - em 9 volumes) são, na minha modesta opinião, uma das grandes obras da língua portuguesa!
Faz muito bem em lembrar o autor de "Uma abelha na chuva", e "Casa na duna", porém eu gostei muitíssimo de ler "Finisterra: paisagem e povoamento", dentro daquilo que muito me interessa no recurso ao uso da paisagem e na forma como trata os ambientes seja a casa de família a que se regressa, seja a luz. É muito bom, Carlos Oliveira. Há muito que não ouvia falar nele...
ResponderEliminarFernando Namora também caiu um bocado no esquecimento, diria... e é pena pois também é um grande escritor do neo-realismo. Talvez entre estes 3 citados o meu preferido.
Já Vergílio Ferreira, esse é sempre lembrado mais não seja pelo prémio literário com o seu nome.
Saudações realistas cá da Cidade Morena.
Bom dia,
ResponderEliminarÉ de louvar o esforço das editoras em não deixar cair no esquecimento grandes escritores do passado.
Assim como, o trabalho das câmaras municipais, através da recuperação das casas onde nasceram e/ou viveram esses escritores, a criação de prémios literários com o seu nome, até a criação de Festivais Literários, tudo contribui para não nos esquecermos dos nossos escritores já desaparecidos.
Não posso deixar ainda de referir o trabalho meritório de Teresa Martins Marques, que "luta" para que as obras de José Rodrigues Miguéis voltem a ser editadas.
Vergílio Ferreira não tem netos já que nunca teve filhos.
ResponderEliminarTalvez se refiram aos filhos do seu enteado Virgílio - filho da sua mulher Regina ou aos sobrinhos de Vergílio Ferreira . Isabel Oliveira