Chico
O grande escritor de canções Chico Buarque de Holanda é, para quem não saiba, filho de um grande historiador e académico chamado Sérgio Buarque de Holanda, autor, aliás, de livros importantes. Essa circunstância levou o nosso querido músico e cantor, aos nove anos, a viver um período em Roma, onde o seu pai leccionou numa Universidade. Inscrito numa escola internacional, o hoje Prémio Camões aprendeu italiano sobretudo com os títulos dos jornais no quiosque defronte de casa e com a rádio, a cozinheira e a miudagem da rua, uma vez que a maioria dos seus colegas, filhos de diplomatas, falava inglês no colégio. Mas isso não o impediu de conhecer a cidade de lés a lés, percorrida de bicicleta, nem de dançar nos braços de uma actriz como Alida Valli, uma das musas de Visconti. Bambino a Roma, o livro que acaba de sair em Portugal, é um delicioso conjunto de memórias de Chico Buarque do tempo que passou na Cidade Eterna aonde um dia chegam do Brasil as notícias do suicídio de Getúlio Vargas. Bastante saído da casca, já com pulsões sexuais aos nove anos, o bonitão do nosso Chico namorisca as italianas, joga à bola, discute com os irmãos mais velhos e observa uma Roma que não mais esquecerá. Lê-se como um romance.
Aprecio bastante a poesia e a música de CBH, que é sem dúvida um marco na MPB.
ResponderEliminarNinguém lhe pode ficar indiferente nem à musicalidade nem ao conteúdo, sendo além disso uma belíssima voz. Considero-o mesmo, genial!
Não partilho das suas idéias e menos ainda concordo com algumas posições que vem tomando, sobretudo em relação a Portugal, que o aprecia, mas que ele parece desprezar, lá terá as suas razões, mas lamento. O que não faz com que deixe de o apreciar enquanto autor e intérprete.
Li um romance seu, "Leite derramado", de que gostei bastante. É um retrato cruel do Brasil, mas é suposto ser real.
Não li mais nada dele, e na verdade não conto ler mais este... "apenasmente" porque não conseguirei ler tudo o que há e ainda tenho muito para ler, daquilo que me interessa e quero ler. Ainda há pouco estive a ler sobre o novo livro de JE Agualusa e esse sim, vai direitinho para o rol!
Espero ler por aqui em breve alguma coisa sobre esse novo título.
Aplauso ao CBH, de qualquer modo!
Saudações cá da Cidade Morena, terra da morena que usa o chocalho na canela.
Sobre o Sr. Francisco, filho do Sr. Sérgio, destaco a canção que José Mário Branco lhe dedicou no seu álbum de 1990 «Correspondências», intitulada «Sentido Único (Carta A Chico Buarque)». Digamos que não é propriamente abonatória do carácter do visado.
ResponderEliminarEstou inteiramente de acordo com os comentários anteriores.A arrogância em relação a Portugal,também muito comum aos brasileiros em geral,é particularmente evidente em Chico Buarque.
ResponderEliminarNão vou comprar o livro.Aliás,o último que li dele-penso que foi “o irmão alemao”-era um chorrilho de palavrões,que não me agradou e até nem acabei.
O último ainda não li e o que vai sair ainda não pensei nisso.
ResponderEliminarQuando vi que CBH se tinha tornado escritor disse cá para mim que era mais um que aparecia na televisão e se punha a escrever livros. Bem me enganei. Então "Budapeste", gostei muito.