Antepassados vegetarianos

Guida Cândido, doutorada em História da Alimentação e autora de diversas obras de gastronomia premiadas, entre as quais A Vida Secreta da Cozinha Portuguesa ou Cinco Séculos à mesa, vem revelar-nos no seu novo livro (São Favas Contadas) que os vegetais já andam pelas nossas mesas há vários séculos, mesmo que alguns dos mais usados na culinária portuguesa – como a batata ou o tomate – só tenham marcado presença na Europa depois das viagens de Cristóvão Colombo. A par de 50 receitas que vêm desde o século XVI e estão presentes em livros de cozinha de grandes chefes, conta-nos como os legumes e vegetais contribuíram para a criação de uma ideia de alimentação limpa que haveria de tornar-se uma espécie de filosofia, o vegetarianismo. A professora Isabel Drumond, que assina o prefácio, apresentará hoje este livro na Figueira da Foz, cidade natal da autora. Apareça se estiver nas imediações!


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco24 de outubro de 2024 às 01:41

    SE os nossos antepassados fossem vegetarianos, nós hoje seríamos uns tristes símeos, pelados, em permanente busca de alimento, tímidos, tristes e medrosos.
    Nunca teríamos evoluído.
    Segundo algumas pessoas e ideologias isso seria portanto viver no Paraíso, sujeitos às intempéries, doenças, à fome e aos predadores contra os quais não haveria defesa.

    O ser humano desenvolveu-se e evoluiu, quando começou a comer carne. Está comprovado. Isso permitiu que o sistema nervoso central se desenvolvesse, o que fez a diferença. Por muito que custe a aceitar.
    Na nossa evolução, tornámo-nos omnívoros, nem vegetarianos nem carnívoros!
    Faltam-nos entre outros, os enzimas para digerir e aproveitar os vegetais, pelo que a alimentação não pode ser 100% vegetal, desde a primeira infância. Com o tempo podemos aumentar a composição dos vegetais na dieta e substituir a proteína e outros elementos fornecidos pela carne, embora não completamente.
    Não me parece difícil de perceber...

    Já que estamos num blog de leitura, aconselho a quem se interesse, o livro de Lewis Binford "Os símios caçadores", onde se explica o tema.
    Há outras leituras interessantes sobre o assunto, e até o nosso Extraordinário Paulo Moreiras, homem dos comeres além da sopa de letras, escreveu uma história do pão.

    Num tempo ainda recente, o dos nossos avós em que alguns de nós vivemos, os vegetais eram a base da alimentação, pois se produziam até familiarmente, e a carne (o conduto) era um complemento, sempre apreciado, mas apenas um complemento. Por razões várias, mas sobretudo as económicas, e, só com a melhoria das condições de vida, no nosso caso nacional lá pelos anos 60 e sobretudo após o 25 de Abril, se começou a consumir sobretudo carne, que antes era reservada às classes mais favorecidas.
    Sou desse tempo e lembro-me perfeitamente de assim ser, cresci a comer de tudo.
    O consumo exagerado e quase exclusivo de produtos cárneos passou a ser o habitual, e erradamente note-se! Errado porque não é uma dieta saudável nem equilibrada!
    Notem que nesse tempo, também a fruta não compunha todas as refeições nem ia a todas as mesas, salvo a fruta de época que fosse produzida pelos próprios. Comprar e comer fruta era um luxo!

    Nada de novo e nada que se não saiba. Pode é estar esquecido pelos que hoje sabem tudo e tanto, mas afinal muito pouco.
    A nossa culinária tradicional tem por base o pão e vegetais (em que incluo o vinho!). Em minha casa, mantenho esses hábitos. Só para dar um exemplo ainda há dias o nosso jantar aqui em Benguela, foi feijão guisado com abóbora, extreme, de que muito gostamos, e o almoço de há dias foi "molhanga" (de tomate) com pão e ovo escalfado, muito vulgar no Bairro Ribatejano. Curiosamente a nossa empregada, mulher de 52 anos, recordou que a mãe dela também fazia muitas vezes feijão com abóbora nos outros tempos... tempos em que a abóbora era a carne dos pobres.

    Saudações omnívoras e alimentares cá da Cidade Morena.

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