Antepassados vegetarianos
Guida Cândido, doutorada em História da Alimentação e autora de diversas obras de gastronomia premiadas, entre as quais A Vida Secreta da Cozinha Portuguesa ou Cinco Séculos à mesa, vem revelar-nos no seu novo livro (São Favas Contadas) que os vegetais já andam pelas nossas mesas há vários séculos, mesmo que alguns dos mais usados na culinária portuguesa – como a batata ou o tomate – só tenham marcado presença na Europa depois das viagens de Cristóvão Colombo. A par de 50 receitas que vêm desde o século XVI e estão presentes em livros de cozinha de grandes chefes, conta-nos como os legumes e vegetais contribuíram para a criação de uma ideia de alimentação limpa que haveria de tornar-se uma espécie de filosofia, o vegetarianismo. A professora Isabel Drumond, que assina o prefácio, apresentará hoje este livro na Figueira da Foz, cidade natal da autora. Apareça se estiver nas imediações!

SE os nossos antepassados fossem vegetarianos, nós hoje seríamos uns tristes símeos, pelados, em permanente busca de alimento, tímidos, tristes e medrosos.
ResponderEliminarNunca teríamos evoluído.
Segundo algumas pessoas e ideologias isso seria portanto viver no Paraíso, sujeitos às intempéries, doenças, à fome e aos predadores contra os quais não haveria defesa.
O ser humano desenvolveu-se e evoluiu, quando começou a comer carne. Está comprovado. Isso permitiu que o sistema nervoso central se desenvolvesse, o que fez a diferença. Por muito que custe a aceitar.
Na nossa evolução, tornámo-nos omnívoros, nem vegetarianos nem carnívoros!
Faltam-nos entre outros, os enzimas para digerir e aproveitar os vegetais, pelo que a alimentação não pode ser 100% vegetal, desde a primeira infância. Com o tempo podemos aumentar a composição dos vegetais na dieta e substituir a proteína e outros elementos fornecidos pela carne, embora não completamente.
Não me parece difícil de perceber...
Já que estamos num blog de leitura, aconselho a quem se interesse, o livro de Lewis Binford "Os símios caçadores", onde se explica o tema.
Há outras leituras interessantes sobre o assunto, e até o nosso Extraordinário Paulo Moreiras, homem dos comeres além da sopa de letras, escreveu uma história do pão.
Num tempo ainda recente, o dos nossos avós em que alguns de nós vivemos, os vegetais eram a base da alimentação, pois se produziam até familiarmente, e a carne (o conduto) era um complemento, sempre apreciado, mas apenas um complemento. Por razões várias, mas sobretudo as económicas, e, só com a melhoria das condições de vida, no nosso caso nacional lá pelos anos 60 e sobretudo após o 25 de Abril, se começou a consumir sobretudo carne, que antes era reservada às classes mais favorecidas.
Sou desse tempo e lembro-me perfeitamente de assim ser, cresci a comer de tudo.
O consumo exagerado e quase exclusivo de produtos cárneos passou a ser o habitual, e erradamente note-se! Errado porque não é uma dieta saudável nem equilibrada!
Notem que nesse tempo, também a fruta não compunha todas as refeições nem ia a todas as mesas, salvo a fruta de época que fosse produzida pelos próprios. Comprar e comer fruta era um luxo!
Nada de novo e nada que se não saiba. Pode é estar esquecido pelos que hoje sabem tudo e tanto, mas afinal muito pouco.
A nossa culinária tradicional tem por base o pão e vegetais (em que incluo o vinho!). Em minha casa, mantenho esses hábitos. Só para dar um exemplo ainda há dias o nosso jantar aqui em Benguela, foi feijão guisado com abóbora, extreme, de que muito gostamos, e o almoço de há dias foi "molhanga" (de tomate) com pão e ovo escalfado, muito vulgar no Bairro Ribatejano. Curiosamente a nossa empregada, mulher de 52 anos, recordou que a mãe dela também fazia muitas vezes feijão com abóbora nos outros tempos... tempos em que a abóbora era a carne dos pobres.
Saudações omnívoras e alimentares cá da Cidade Morena.