O que ando a ler
De volta, depois de um mês cheio de contratempos de que agora não vale mesmo a pena falar, venho desejar que tenham passado umas excelentes férias, durante as quais tenham, claro, lido bons livros que queiram partilhar com os outros Extraordinários. A minha primeira leitura de Agosto, recomendada pela minha irmã, foi uma tradução de um livro coreano que, pelos vistos, vendeu como pãezinhos quentes no país de origem e está publicado em variadíssimas línguas. Chama-se Amêndoas, mas estas «amêndoas» não são de comer, referem-se a amígdalas minúsculas que causam uma doença rara que impede o jovem protagonista de exprimir o que sente e que o faz passar muitas vezes por um tipo completamente frio e insensível, quando não acéfalo e bruto. Temido pelos colegas da escola, é um solitário que a mãe e a avó educam com todo o zelo e imaginação que conseguem, mas, como um mal não vem só, uma tragédia completamente inesperada vai fazer a sua vida dar uma grande volta. Com uma livraria pelo meio (as livrarias nos romances estão decididamente na moda), Amêndoas, de Won-Pyung Sohn, fala-nos do que é esta doença, a alexitimia, e como dois rapazes que sofreram perdas e azares terríveis conseguem unir-se para vencer as suas próprias angústias e limitações. Interessante, mesmo não sendo especialmente literário, este livro adapta a tradução brasileira. Bom regresso e obrigada por estarem desse lado.
Ando a ler "A Bicicleta que Fugiu dos Alemães" de Domingos Amaram da Casa das Letras e Uma Grande Almoçarada de Jim Harrison da Quetzal.O primeiro trata da ocupação de Paris pelos nazis, em Junho de 1940 e da fuga da protagonista para Portugal; o segundo é sobre comida, poesia, vinhos e prazer.Estou a gostar dos dois.
ResponderEliminarAmaral e não como saiu.
ResponderEliminarJá li Amêndoas e fiquei desiludida, ficou aquém do que esperava. Não sabia que as editoras faziam adaptações das versões brasileiras para livros asiáticos...
ResponderEliminarFelizmente de regresso, Rosário.
ResponderEliminarOs percalços das férias fazem-nos pensar, de acordo com o tipo de viragem a que obrigam, que afinal as não tivemos. Mas em frente que isso não interessa nada.
Li vários livros e não necessariamente novos. Caruncho de Layla Martinez, que é mórbido e meio mágico por efeitos de uma casa e dos que a habitam, facto que deve estar um pouco na moda mas se lê bem; Atos Humanos (confrange-me escrever atos e não actos, mas copio o título) que é bom, mas a escrita da senhora Han Kang escarafuncha demasiado no mais penoso da realidade - para meu gosto; Os Níveis da Vida de Julian Barnes um escritor de quem gosto desde A Única História e O sentido do Fim. Na obra, JB toma a era dos balões espaciais e a sua história como forma de se abalançar a escrever sobre a morte da pessoa que ama, encontrando sintonias entre duas situações aparentemente tão diversas (entretanto comecei a ler o papagaio de Flaubert); Jakob, o Mentiroso de Jurek Becker, uma abordagem original do sofrimento judeu na última grande guerra. Tenho lido outros, mas não importam.
O que vinha fazer está feito: dar as boas vindas à Rosário que nos recebe com um post diário sobre livros ou afins. Não tenho muito o hábito de responder a este tópico, mas hoje há poucos comentários e cá vai.
Ora vivam todos!
ResponderEliminarEspero que venham renovados, com muitas leituras feitas e ganas para mais.
Estamos de volta a este espaço e eu ao meu Bairro Ribatejano. Vim, aliás, duas semanas mais cedo do que previsto, na sequência do segundo acesso grave de malária deste ano que derivou para uma hepatite a aguda… tive de vir tratar-me! Evacuação a toque de caixa, saindo de Benguela numa Terça de manhã e chegando a Lisboa Quarta à noite, já em risco de falência hepática, consulta logo de manhã no Instituto de Medicina Tropical seguido de hospitalização imediata nas urgências de S. Francisco Xavier em isolamento e posterior internamento no Egas Moniz, para vigilância e tratamento. Assim que consegui, deixando de ter cefaleias, enjôo e vertigens, recomecei a ler e tenho aproveitado…
Desde logo acabei o belíssimo “Os passageiros da Sombra” (Jaime Nogueira Pinto) que andava a ler – é volumoso! Grande romance, dos livros bons que li em 2024!
Não é para todos, mas para quem se interesse pelas questões angolanas da guerra civil pós-independência, mais os retornados, os que lá ficaram e as intrigas políticas, é o melhor romance sobre o tema e a época, que já li, bem escrito e com a Extraordinária informação e conhecimento que o autor possui de todo o processo, que além do mais torna verosímil a acção, a trama e as personagens, reais ou inventadas. Muito bom, empolgante e um manancial de informação.
Logo de seguida, atirei-me ao almejado “Os dias de Saturno” do Paulo Moreiras, que neste momento é o escritor português contemporâneo meu preferido, justificadamente!
Escreve o que eu gosto e como gosto, de ler. É um romance “recuperado” e nota-se talvez alguma sã ingenuidade nos diálogos e alguns fumos de lamechice, que lhe dão ainda o encanto que a linguagem e o estilo do PM envolve na perfeição! Uma cuidada investigação e descrição das usanças da época dão-lhe aquela espécie de credibilidade que nos reconforta. Depois, ele notoriamente apurou e sublimou a sua escrita nos seguintes e picarescos romances que tão bem cultiva. Não sabemos qual o próximo, mas fica-se “augado” a pensar nisso e espero que não nos faça esperar muito tempo. Drª Maria do Rosário, faça-nos o favor de apertar com ele e que dê corda aos sapatos ou ao que seja, para nos propiciar mais destas ansiadas e festejadas leituras!
Também li, de Miguel Brandão Pimenta e Paulo Caetano, “Feras e Homens – a fauna no Portugal medieval”. Muito bom, um documento interessantíssimo sobre os grandes animais que compunham a fauna cinegética e não apenas, no nosso passado medievo. Hoje andam para aí a inventar e a aproveitar o trabalho de terceiros, sem saber ler nem escrever mas com laivos de presumida modernidade a que chamam “rewilding”, os do costume que pouco sabem mas muito alardeiam e sobretudo usam descaradamente a obra alheia e já feita, para fins comerciais que tentam mascarar e muitos engolem, os deslumbrados urbanos do costume que alimentam as farsas. Estes dois autores repõem aquilo que se devia saber, com investigação séria e o saber de quem trabalhou na área por muitos anos.
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Continuação:
ResponderEliminarPara desenfastiar e pela muita publicidade negativa de que eu suspeito sempre, vinda de sectores pouco credíveis mas com muita visibilidade mediática, resolvi ler o polémico “Identidade e família - Entre a consistência de tradição e as exigências da modernidade”, obra coordenada por António Bagão Félix, Paulo Otero, Pedro Afonso e Victor Gil.
Pois não li nada de que não desconfiasse ou pensasse já. Nada vi de fascismo, de intolerância, homofobia, machismo, misoginia – aliás também escrito por mulheres - ou do que quer que fosse de “anti”, e, muito menos o propalado discurso de ódio de que tanto gostam de apontar os detractores daquilo que afinal somos todos nós, a sociedade. Discurso de ódio li sim nos comentários ao livro aquando do seu lançamento e contra os autores a quem se tentou crucificar. Quando falham os argumentos pois usa-se o ataque pessoal visando descredibilizar assim as ideias de outrem, quantas vezes sem conhecimento de causa e só porque se acha que é assim.
Um livro muitíssimo bem escrito e organizado, por gente que o sabe fazer e sabe do que fala e o apresenta com elevação, de forma esclarecida e esclarecedora. Podemos concordar ou não, mas há que reconhecer que quem nele escreveu o faz com qualidade!
Sobretudo que é claro no que escreve e pensa e sobretudo o sustenta, com argumentos bem estructurados e suportados, com inteligência. Os críticos, pelo contrário!
Aconselho mesmo a sua leitura, uma vez que aborda temas polémicos mas que têm de ser discutidos, explicados e esclarecidos, de forma elevada, não por díscolos intolerantes que nem o lêem mas criticam só porque acham que devem fazê-lo, por ignorância, intolerância e acima de tudo por nem sequer pensarem fora do formato para que foram condicionados!
Leiam, aconselho e verão desfeitos muitos dos mitos postos a circular e das políticas educativas feitas com uma clara intenção.
Entretanto deitei mão ao mui apetecido “Fortuna,caso, tempo e sorte”, biografia de Luis Vaz de Camões, de Isabel Rio Novo. Não é livro para ler de uma assentada, mas para ir lendo, com muito interesse e de que vou gostando. Em boa hora a autora aceitou o repto e nos brinda com esta excelente obra, sobre o homem e o poeta.
Tenho por aí algumas outras escolhas para ir lendo, nesta ainda convalescença pois se estou submetido a rigorosa dieta alimentar, ninguém me proibiu de ler o que quer que fosse e conto aproveitar essa liberdade para o fazer.
Saudações cá do Bairro Ribatejano, ainda em fase de recuperação.
Que bom que está de volta. Que seja um retorno fenomenal. Fiquei curioso em ler esse livro. Parece ser um drama e tanto.
ResponderEliminarBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está em HIATUS DE INVERNO do dia 31 de julho à 05 de setembro, mas comentarei nos blogs amigos nesse período. O JJ, portanto, está cheio de posts legais e interessantes. Não deixe de conferir!
Jovem Jornalista (http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/)
Instagram (https://www.instagram.com/jovem_jornalista/)
Até mais, Emerson Garcia
Um retorno Extraordinário, caro Emerson! Como o espaço onde nos juntamos em tertúlia.
ResponderEliminarMas a que livro alude? Aos "Dias de Saturno"? Muito bom... leia e de caminho leia "O oiro dos Corcundas", "A vida airada de D. Perdigote" e "A demanda de D. Fuas Bragatela". Todos da autoria do nosso Extraordinário Paulo Moreiras, leia que vale a pena, pelo inusitado do estilo e da linguagem, aliás riquíssimos, como das descrições de costumes de antanho, curiosíssimos e que fazem destes romances, únicos!
Se refere "Os passageiros da sombra", leia ainda pois é um romance de espionagem muitíssimo bem urdido, escrito e fundamentado, baseado em acontecimentos reais!
Um abraço cá do Bairro Ribatejano!
Estou a ler O SEGREDO DE LOURENÇO MARQUES de Eduardo Pires Coelho, um thriller histórico, fundamentalmente inspirado no Angoche, mas como diz o autor “apesar de baseado em factos reais, este livro não pretende explicar o que aconteceu ao Angoche, nem aos Krueger’s Millions. O Segredo de Lourenço Marques é uma obra de ficção”.
ResponderEliminarInteressante, além de enredo absorvente, apresenta dados importantes sobre a cidade de L.M. E outros de outras cidades. Mapas e cronologia de Moçambique.
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Bom dia.
ResponderEliminarSeja muito bem vinda, a nossa Anfitriã. Já tinha tantas saudades deste convívio diário. Acho que adoro rotinas . Que a partilha ajude a ultrapassar os contratempos das férias. Pelo menos, a mim, ajuda-me imenso! Obrigada