Leituras atrasadas

Quando tenho livres alguns dias seguidos, como nestas férias, procuro ler alguma antiguidade que me escapou, a par dos romances acabados de sair e muito badalados. Este ano aconteceu com Nós Matámos o Cão Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana, que recuperei da estante dos autores lusófonos mas foi relançado pela editora Maldoror recentemente. É uma colectânea de sete contos belíssimos, o primeiro dos quais dá nome ao conjunto, escrita originalmente em 1964 por um homem cujo talento foi descoberto por José Craveirinha, Rui Knopfli e Eugénio Lisboa, mas que lamentavelmente se separou muito cedo da literatura, casando-se decididamente com a política. Moçambicano, Honwana foi perseguido pela PIDE, torturado e preso, e este seu livro, que é uma denúncia do colonialismo, foi apreendido quando saiu. As actividades do autor como membro da FRELIMO não cessaram por causa disso e foi, além de uma personalidade bastante interventiva, um destacado jornalista e dirigente político, tendo, já com o país independente, desempenhado uma série de cargos nacionais e internacionais de grande relevo. Nós Matámos o Cão Tinhoso tem contos magistrais, sendo o meu preferido o que se chama "Dina" e que fala de uma rapariga negra que tem um encontro marcado com o branco que é capataz do pai. 

Comentários

  1. Boa noite!
    Só posso dizer, EXCELENTE ESCOLHA !!!
    Para quem melhor queira ficar a conhecer o autor e o livro, sugiro a leitura do artigo publicado no suplemento Ipsilon do Público de 22 de Março da autoria de António Rodrigues.
    Boas leituras!
    A. Delfim
    Daqui da margem esquerda do estuário do Tejo.

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  2. Parece ser um livro fabuloso.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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  3. Knopfli, Craveirinha, Eugénio Lisboa, qual deles o melhor na poesia e prosa de Moçambique, souberam reconhecer em L. B. Honwana valor literário. Pena ter trocado a escrita pela política.

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