Angola por quem lá viveu

Já aqui falei deste livro e, por causa de um comentário que logo surgiu, queria sublinhar que ele foi escrito por alguém que nasceu e viveu em Angola até 1975, e que já o seu avô morava ali desde o início do século XX, ou seja, o autor não está a inventar, sabe bem do que fala. Mas hoje é a festa de lançamento, e não podia deixar de trazer Amarelo Tango, de Nicolau Santos, de novo à baila, até porque gostaria muito que nos acompanhasse nesta apresentação, que irá ser feita por outra pessoa que nasceu em Angola, voltou a seguir ao 25 de Abril e escreveu sobre tudo isso no magnífico livro O Retorno; sim, Dulce Maria Cardoso. Por isso, se puder, apareça mais logo; senão, leia este maravilhoso relato de três gerações de portugueses em Angola, que é também a história de um país e das suas mudanças ao longo do tempo, contada por quem lá estava e queria ficar, mas não pôde. Até logo.


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Comentários

  1. Tenho pena de não poder ir, mas o livro lerei de certeza!
    Aliás já me tinha despertado a atenção aquando da primeira referência.
    Estão a surgir livros e romances muito bons, que talvez façam justiça à nossa gente.
    Ainda este fim de semana, passado numa fazenda histórica da província de Benguela, propriedade de uma família com muitas gerações e uma história interessantíssima, onde estavam também pessoas com histórias familiares idênticas - há aqui muitas - que são um testemunho importantíssimo, se bem que contrariando o discurso e a versão oficial, foi tema de conversa, justamente aquilo que estamos a constatar, o ir buscar dessas memórias e factos, finalmente, apesar de políticamente incorrectos para os revisores e os escritores da nova versão da história e dos acontecimentos. Esta conversa surgiu a propósito de estarem a surgir livros nesse sentido, quando se comentava o livro de JN Pinto, "Os passageiros da sombra".
    Este é mais um. Vai eventualmente sofrer críticas e cair mal nalguns fazedores de opinião, mas fica escrito, e, ainda bem!
    Votos de maior sucesso e um abraço a Nicolau Santos, cá desde a cidade morena!

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  2. Ouvi algumas vezes Nicolau Santos no comentariado económico e nunca me agradou. Agora está num papel totalmente diverso e se nele for talentoso é excelente pois o tema é importante para todos os portugueses.
    Quanto a Dulce Maria Cardoso gostei das suas intervenções num programa da SIC a horas muito tardias que tinha uma composição interessante: Carlos Fiolhais (Físico), Vieira Nery (Musicólogo) e Dulce Maria Cardoso (Literatura). A conversação fluía, os temas eram os mais diversos, os participantes entravam por eles sem qualquer preocupação quanto à sua "especialidade".
    Ainda não li O Retorno mas hei de fazê-lo.

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  3. Acredito que sejam um bom livro e uma boa tarde. Gosto bastante de Dulce Maria Cardoso - como escritora e como pessoa que conversa com e para a assistência.

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  4. Boa tarde!
    Uns anos atrás, a nossa anfitriã, numa entrevista dizia que, salvo erro meu ou má memória, da análise dos livros que lhe enviavam, depreendia da sua boa ou má qualidade pela leitura das primeiras dez páginas.
    O meu filho, que estudou cinema, dizia-me que nos primeiros cinco minutos de imagens de um filme está lá quase tudo para entender o filme.
    Deste livro eu já li mais das dez páginas e já vi mais de cinco minutos de imagens.
    Já ri, já fiquei sério, quase que chorei.
    Todo o livro é uma maravilha.
    Até a capa. E o título!
    Daqui da margem esquerda do estuário do Tejo
    Um abraço
    A. Delfim

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