O senhor Rui

Tanto quanto sei, em tempos a família de Rui Nabeiro terá pedido a José Luís Peixoto, igualmente oriundo do Alentejo, que escrevesse a biografia do empresário; mas o escritor ofereceu-se em vez disso para escrever um romance, no qual «o senhor Rui» é o protagonista, intitulado Almoço de Domingo. Dá-nos uma boa ideia de quem foi o comendador Nabeiro, um homem de extrema humanidade e generosidade, como há poucos, que enriqueceu com o café, mas nunca deixou de apoiar a sua terra e os seus conterrâneos, ajudando sobretudo as crianças e criando um centro educativo em Campo Maior. O fundador da Delta Cafés tem agora um outro livro sobre a sua vida, este infantil, que conta o seu percurso desde miúdo. Chama-se O Avô Rui, foi escrito por Mariana Jones e ilustrado por Joana Gancho, e tem um prefácio de uma neta de Rui Nabeiro, Rita Nabeiro, que fala desta homenagem a um dos portugueses que devia servir de exemplo a todos, adultos e crianças. Se ainda não conhece a vida desta figura que ajudou muita a gente a sonhar, leia-o, pois vale muito a pena.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco29 de julho de 2024 às 01:56

    Muito bem, por razões de vária ordem.
    Desde logo porque gosto de ler biografias, de vultos ou mesmo gente comum, mas que tenham algo para nos dizer. Sejam eles Winston Churchill ou o Mestre Joaquim Santos, cada qual no seu contexto. Interesso-me muito pelas pessoas e pelas vidas das pessoas.
    A biografia é um género literário que considero fundamental na nossa formação pessoal.

    Quanto ao referido Sr. Rui Nabeiro, foi deveras um vulto de grandeza e importância nacional dos maiores de sempre.
    Foi um dos grandes empresários de uma geração notável deles, onde mais do que amealhar e ter poder, cultivaram antes criar riqueza para a distribuir. Hoje é raro haver empresários com essa visão... creio mesmo que já não conheço nenhum em Portugal!
    É verdade, e, tive o privilégio de lidar com alguns destes Senhores Empresários durante a minha vida profissional na Distribuição.
    O Sr. Rui Nabeiro, de quem falamos, foi um homem a todos os títulos notável, pelo seu princípio obscuro e humilde, até aventuroso, sendo bem o exemplo português, porque ousado, esforçado e resiliente. Os tais que são cantados no Poema da Malta das Naus, que devia ser a letra do hino nacional.
    Tive o gosto de o conhecer, havia boas relações institucionais entre o Grupo Jerónimo Martins e as empresas do Grupo Nabeiro. Algumas empresas com que trabalhei eram de "protegidos" seus, sempre valendo a pena essa protecção dentro do espírito de apoiar quem merecia e ao desenvolvimento da economia nacional. Cheguei a caçar a seu convite, em Portugal e Espanha, não porque ele pretendesse obter vantagens mas apenas porque era um homem afável e generoso, bem-disposto, que gostava de ouvir uma boa história à mesa.
    Não que eu fosse pessoa das suas relações directas, mas conheci-o e pude perceber na primeira pessoa a sua qualidade de homem de bem, amigo da sua gente e do seu país.

    Pessoas assim têm de ser recordadas e há que escrever-se sobre elas, devem ser exemplo para os novos, ao contrário de uma pseudo elite empresarial que por aí se impôs, depois destes, e, só se estabelece como clientela do poder político em cuja sombra se desenvolve, como parasitas, vivendo à nossa custa!

    Saudações e boas lembranças cá da Cidade Morena.

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  2. Li o livro de José Luís Peixoto, escritor que eu quase diria escrever à Alentejo, apesar dos traços eminentes e muito seus no que escreve. Oferta de Natal ou aniversário, não destrinço. Penso que Rui Nabeiro continua sendo uma referência para os portugueses de bem e todos os outros - que também são de bem, mas sem conotação política - entre os quais me conto. Não sei se vou ler esse. Mas, sendo infantil (ou será infanto-juvenil?), desejo-lhe longa vida junto da criançada. Bons exemplos precisam-se. Morreu o homem, fica a obra e a história.
    Boa semana

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  3. Não é preciso ser rei ou conquistador para ser daqueles que "se vão da lei da morte libertando".

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  4. António Luiz Pacheco29 de julho de 2024 às 07:19

    Aplaudo!
    Abraço cá da Cidade Morena.

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