Mais curto e mais longo

António Tavares, vencedor do Prémio LeYa com o romance O Coro dos Defuntos e finalista deste mesmo prémio com As Palavras Que Me Deverão Guiar Um Dia, escreveu ainda mais alguns romances, um maravilhoso livrinho de poesia, teatro e ensaios. Mas Mesmo não Indo, o Tempo Vai é a sua estreia no conto e incrivelmente variada: um homem que vive com um relâmpago dentro dele; uma avó com sangue de galinha; uma rapariga que engraxa esculturas de elefantes africanos de madeira e se surpreende quando o sexo deles muda de tamanho; um manicómio que recorre a métodos pouco ortodoxos para recuperar um doente que fugiu; umas botas militares que mudam inesperadamente de pés; um canário numa gaiola pendurada na varanda de um prédio que irrita sobremaneira um vizinho. Estas são apenas algumas das personagens deste delicioso Mesmo não Indo, o Tempo Vai, um conjunto de histórias admiráveis que decorrem em vários tempos e geografias e que ora nos oferecem magia e surrealismo, ora combinam humor com tragédia ou delicadeza com violência. Verdadeiramente imperdíveis, vêm demonstrar que António Tavares tem igual talento para a ficção mais longa e mais curta.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco24 de julho de 2024 às 05:01

    Parece uma proposta interessante, mesmo para quem como eu não é grande consumidor de contos, puros e duros. Sou mais de histórias longas que se desenrolem por muitas páginas, com detalhes e descrições. Isto apesar de me parecer que muitos romances encerram dentro de si, contos, o que é Extraordinário!

    Saudações cá da Cidade Morena.

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