De volta ao batente

As férias foram boas, apesar de uma chuvinha irritante e de um vento teimoso, sobretudo à noite, em que precisei de vestir aquele casaquinho de malha que me lembra a infância no tempo das marés-vivas; mas cá estou eu de novo, perorando sobre livros, autores e o mundo editorial, depois de ter dado uma entrevista muito longa ao podcast O Poema Ensina a Cair (passe a publicidade, mas a Raquel Marinho merece a atenção), em que também falo bastante de literatura, leitura e mudança, caso estejam interessados em ouvir. Saíram aguns livros enquanto estive fora de que vos quero falar detalhadamente, publicados ou não por mim; mas, como sempre faço quando tiro uns dias seguidos, levei um clássico para reler misturado com os títulos acabadinhos de sair do forno, pelo que é deste mesmo que vos falo hoje. Tem vários títulos nas várias edições disponíveis no mercado (eu comprei-o em 1980 na edição da Perspectivas & Realidades e chamava-se O Triunfo dos Porcos, mas hoje A Quinta dos Animais é talvez o título mais consensual). Continua muitíssimo actual, porque não faltam por aí os populistas que, com pretextos extremamente dóceis e enganadores, acabam por tornar-se iguaizinhos àqueles que derrubam assim que se conseguem sentar nas suas cadeiras. E é muito bom para oferecer a jovens que se sentem atraídos pelos regimes autoritários ou pessoas mal informadas e excessivamente crédulas. Eu diverti-me muito mais a lê-lo desta vez e foi bom ver como certas ovelhas não conseguem mesmo marrar para outro lado e como é sempre melhor saber ler. Enfim... se tiver um filho adolescente ou ainda nunca tiver lido esta maravilhosa fábula de George Orwell, pegue nela agora. Amanhã há mais.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco15 de julho de 2024 às 01:39

    Ora viva e bom regresso é o que se lhe deseja!

    Muito bom falar em George Orwell, que julgo ser um autor incontornável para todos os que prezem a liberdade e o esclarecimento, os quais raramente coabitam nas idéias das pessoas.
    Orwell tem esses dois livros eternos: "1984" , e, "A quinta dos animais" (também prefiro este título). Tem outros livros, interessantes porque bastante pessoais, passados na guerra civil espanhola ou na Birmânia, e "História de um homem comum" também vale a pena ler! Não esqueçamos que foi jornalista numa época bastante conturbada e sobretudo alguém que via, depois escrevia sobre isso, não foi um mero ficcionista, aliás como outros grandes escritores do seu tempo.

    De qualquer forma, creio que os dois primeiros títulos, sendo clássicos, podem e devem ser sugeridos aos nossos adolescentes, para que entendam que o livro espelha a sociedade e que outros (os escritores) têm idéias e pensam nas coisas, não se limitam a inventar colégios de magia ou jogos de raiva em ambientes distorcidos.
    A juventude, actual - quem sabe se de sempre - parece pensar que os livros são inúteis e não têm nada para transmitir. Talvez porque não conheçam os autores certos. Ora muitos livros são a vida, a realidade e aquilo que se passa à nossa volta, ou a realidade de outros, mas são a realidade.
    Os que são fantasia, são apenas para entreter...

    Saudações reais cá da Cidade Morena!

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  2. Não posso concordar menos sobre a fantasia ser apenas para entreter e não ser escrita por quem tem ideias e pensa nas coisas. A fantasia é imaginação e criatividade em estado mais livre. A imaginação e o pensamento fora da caixa são essenciais à criatividade e à inovação – o mundo sempre deu os maiores pulos através das cabeças que saiam da realidade de todos os dias, e que, não só tinham ideias e pensavam nas coisas, como sonhavam com o que (ainda) não existia. O sonho comanda mesmo a vida. Há boa e má fantasia, como há bons e maus romances, e bons e maus ensaios. Ler boa fantasia entretêm sim, como o faz a boa literatura, mas também nos expande o cérebro e nos dá ferramentas para ver um pouco mais longe, e para aceitar o diferente, como quer que ele se venha a apresentar. A fantasia pode ser uma belíssima metáfora para a vida, por vezes mais fácil de apresentar por quem escreve, e de apreender por quem lê. E já agora, A Quinta dos Animais é claramente uma metáfora, e é também fantasia! Não há feiticeiros a voar nas suas vassouras e a fazer magia (e eu adoro todo o universo do Harry Potter, é de uma imaginação maravilhosa), mas os animais também não falam nem se organizam politicamente… E o Principezinho? Pura fantasia que é também excelente literatura!
    Filipa

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  3. António Luiz Pacheco15 de julho de 2024 às 04:06

    Não concorda e faz muito bem... eu também não.
    Creio que me expliquei mal, ou melhor não completamente e nem desenvolvi a idéia pois o tema em que me concentrei foi muito objectivo: realidade.
    Não estou a desprezar nem a fantasia nem o entretenimento, longe disso, porém é tema para uma outra oportunidade, não me pareceu importante para a nossa conversa de hoje.
    O que pretendi destacar foi ser fundamental explicar aos jovens leitores que, os livros, a escrita, reflectem a realidade, idéias. Que os escritores são observadores da realidade e transmissores de idéias!
    Porque acho isto importante? Porque é preciso explicar que os escritores não são apenas poetas ou fantasistas que criam e imaginam, mas sim pessoas que têm as experiências, vivem e constroem idéias reais e realistas com aplicação.
    Para mim é um primeiro passo na ligação entre a literatura e os jovens.

    Saudações reais e fantasistas cá da Cidade Morena.

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  4. É o meu caso, ainda não li George Orwell, nem A quinta dos animais nem nenhum outro. Mas lá irei, e agora com este empurrão, talvez mais depressa do que tencionava.
    Mas ouvi com muito muito gosto o podcast O Poema Ensina a Cair! Oiço este podcast há uns anos, é o meu preferido. Acho que a Raquel Marinho faz um trabalho de excelência absolutamente louvável, sendo ainda por cima de acesso livre! Por causa da Raquel Marinho, a minha cabeça, antes dura para a poesia, abriu-se a ela. (Embora não a toda.)
    Claro que o episódio com a Maria do Rosário me agradou especialmente, muito obrigada por ter aceitado o convite da Raquel. E, repito, que voz tão bonita tem!

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  5. Esse livro que você citou é um clássico. Gostei muito do post que escreveu!

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

    Jovem Jornalista (http://jj-jovemjornalista.blogspot.com.br/)
    Instagram (https://www.instagram.com/jovem_jornalista/)

    Até mais, Emerson Garcia

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  6. Bem vinda de volta!
    Já estava a sentir falta desta rotina.

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