A outra que sou eu
Publiquei no final do ano passado um romance gráfico incrível, de uma autora argentina que se mudou para Espanha, chamado A Viagem, que relata a ida ao Japão de duas amigas (uma delas é claramente a autora) que precisam de espantar uns quantos fantasmas. A que conta a história está num momento especialmente frágil depois de ter feito um aborto; a amiga, que não consegue engravidar, ajuda-a e dá-lhe força. É um encontro também com a diferença e o fascínio do Oriente. Agora, neste segundo livro de Agustina Guerrero que publico, A Companheira, esta companheira do título não é exatamente uma amiga como a outra, embora o seja; na verdade, trata-se de alguém que se calhar a protagonista não conhece assim tão bem mas que está sempre consigo nas melhores e nas piores situações: ela própria! Esta «companheira» guiará então a nossa Agustina por desertos, mares, planícies e grutas para evocar e trazer à memória episódios da sua vida que a marcaram à medida que crescia e se tornou quem é. Um passeio pelas recordações de uma vida cheio de amor, humor e ternura, mas também de culpa e medos, cujo destino pode bem ser a felicidade. Muito, muito interessante. (A tradução é de Ana Saragoça.)

Bom dia
ResponderEliminarNem de propósito.
No feriado da semana passada, um grupo de amigos, pais de elementos desta geração digitalizada, falavam sobre os hábitos de leitura. E houve precisamente alguém que, face ao panorama de desinteresse generalizado dos mais novos, quase em desespero de causa, aventou as novelas gráficas como uma hipótese de reconversão.
Não acredito.
Porém, como tenho aqui em casa uns vales da FNAC a ganhar pó, e como também sou sensível às sugestões do Governo Sombra - onde o João Miguel Tavares é ferveroso adepto da novela gráfica, vou investigar a sugestão de hoje e talvez contribua para o PIB.
Boas leituras!
PS: A ler "Ler Lolita em Teerão" de Azar Nafisi, em formato normal, mas com descrições bastante gráficas de uma realidade bastante diferente da nossa. Talvez uma temporada de férias no Irão despertasse o interesse para uma série de coisas que por aqui damos como adquiridas...
Confesso que na actualidade estou completamente desinteressado no que tange aos romances introspectivos focados no tema das recordações de terceiros, que nem conheço.
ResponderEliminarNão significa que não haja belíssimas obras no género, nada disso, apenas que não estou virado para essa corrente literária.
Apesar de estar ansiosamente à espera do livro das recordações cinegéticas do meu grande amigo, caçador de javardos e matilheiro, Mestre Joaquim Santos, escrito na sua prosa simples e clara de homem do campo, enriquecida pelos regionalismos e colorida pela gíria própria desta actividade. Um anacronismo esta obra, mas extraordinária pelo que já me foi dado ler, e, lembranças mesmo, daquelas a sério! Até de um outro tempo de que pouco se fala e foi aquele logo depois da reforma agrária.
Mas são contas de um outro Rosário... eheheh!
O romance gráfico ser uma solução no combate à falta de interesse pela leitura?
Não sei, sinceramente não sei... há banda desenhada não há?
Saudações gráficas cá da Cidade Morena!