Três dias
Como provavalmente a maioria dos portugueses, conheci a escrita de Michael Cunningham, romancista norte-americano, através de As Horas, um livro bastante particular dividido em três partes que foi vencedor do Pulitzer Prize, no qual acabaria por basear-se um filme com o mesmo nome e actores famosíssimos como Meryl Streep, Julian Moore, Nicole Kidman e o maravilhoso Ed Harris, que desempenha o papel de um doente com SIDA. Lembro-me de ter gostado muito de ler o romance, mas nunca mais tinha tocado em nada de Cunningham e agora comprei Dia, que saiu há pouco tempo cá em Portugal. Também este romance tem três partes, cada uma dedicada ao mesmo dia (5 de Abril) em três anos distintos: um antes, outro durante e o último no final da pandemia que assolou o mundo e infelizmente, antes da vacinação em massa, levou muitas pessoas que conhecíamos (e que desconhecíamos). Esse é também um dos factos de Dia (a capa merecia ser menos xaroposa...) que, embora não seja comparável a As Horas, tem pormenores muito interessantes e originais, entre os quais a forma como dois irmãos adultos resolvem criar a personagem de um irmão mais velho que é tudo o que ela e ele ambicionariam ser (com perfil no Instagram alimentado diariamente e tudo!) e também a relação sempre ambígua entre dois cunhados que estão há séculos apaixonados pela figura um do outro, mesmo se um deles é heterossexual. Se já sabíamos como a pandemia mudou decisivamente a nossa vida, este é um bom livro para que nunca o esqueçamos. E também a história de uma família tocada por um inescapável infortúnio.
Ora... pelo andar da carruagem, teremos próximamente "A semana", e depois "O mês", o que fará de Michel Cunningham um escritor temporal!
ResponderEliminarA pandemia, condicionou as nossas vidas, é um facto. Porém, será que deveras nos modificou assim tanto? Conheço quem diga que passou a lavar mais vezes as mãos... bom, eu fui ensinado e mantenho o hábito de, quando chego da rua a qualquer local, escritório, casa, etc. vou lavar as mãos. Tenho mesmo no carro uma embalagem de toalhetes que uso frequentemente. Portanto nem isso se alterou.
Fala-se e escreve-se que a vida mudou, nunca mais foi a mesma, etc. É mesmo? Talvez para aqueles cuja vida é o chamado rame-rame, nunca mudam ou mudaram nada, outros de nós sofremos tantas e tamanhas mudanças que não há COVID que nos altere.
Durante o confinamento, julgo que se gerou ambiente e motivo para muita escrita, que ainda está a ser produzida, como agora se vê. Penso que tenha sido essa a grande mudança, haver tema acerca do qual se possa escrever!
É sempre interessante falar de livros e de leituras, como se faz aqui e devo destacar que sempre leio com grande interesse e gosto, esta apresentação de novas obras.
Mesmo que não leia o livro, gosto de saber das novidades e do que tratam, aliás sinal de que os livros em papel estão longe de estar em extinção, e, que os escritores continuam por aí, o que nos deve agradar a todos e até se for o caso, recordar que há males que vêm por bem.
Saudações inalteradas, cá da Cidade Morena.
Cara MRP, Caro CCEM, Caros Es
ResponderEliminarBom dia a todos
No que toca à pandemia, para além das irreparáveis perdas de entes queridos, venho deste modo assinalar a maior mudança de que me dei conta pessoalmente: a aceitação do teletrabalho por parte das entidades patronais/clientes.
Boas leituras!
PS: Glossário
MRP = Maria do Rosário Pedreira
CEM = Comentador Extraordinário Mor, António Luiz Pacheco
Es = Extraordinários
AHAHAHAH!
ResponderEliminarGrato pela graduação!
Concordo que o maior e melhor resultado da pandemia foi essa a que alude. Para mim não fez diferença pois muito do meu trabalho tem sido feito desse modo. Mas fez a diferença para muita gente, sem dúvida.
Tele-Abraço cá desde a Cidade Morena!
AHAHAHAH!
ResponderEliminarObrigado pela graduação.
Concordo consigo, o tele-trabalho foi uma boa consequência da pandemia! Para mim não constituiu grande mudança, pois sempre trabalhei muito nesse sistema, embora não totalmente pois dependo muito de deslocações aos lugares onde vou recolher informação para desenvolver projectos, estes à distância pois são feitos nos gabinetes em Lisboa.
Tele-abraço cá desde a Cidade Morena.
Li e reli as Horas, vi e revi (mais do que uma vez) o filme. O autor, gostei também bastante de Uma casa no fim do mundo e tenho em lista de espera Dias exemplares.
ResponderEliminarBoas leituras.
"Como provavalmente a maioria dos portugueses, conheci a escrita de Michael Cunningham, "
ResponderEliminarAcha mesmo que a maioria os portugueses conhece este escritor? Eu penso que deverá ser uma pequeníssima minoria.