Ser célebre
A mortalidade é uma chatice para muita gente, e há uma parte dessas pessoas que tentam desesperadamente cá ficar nas memórias alheias quando se forem embora. Muitas nem sabem que é também por causa disto que ambicionam ser célebres ou, no mínimo, conhecidas pelas suas boas acções e invenções. Mas ser vedeta ou personalidade pública deve dar imenso trabalho: ser investigado, perseguido, policiado, acompanhado por milhares de pessoas a todo o instante, abordado na rua, etc., etc., a mim parece-me um verdadeiro inferno. Falo disto porque saiu para os escaparates um livro chamado Vida de Nobel, no qual o jornalista científico Stefano Sandrone entrevista mais de duas dezenas de vencedores do Prémio Nobel para dar a conhecer as histórias das suas vidas e o que mudou desde que ganharam o Prémio mais ambicionado do Planeta. Trata-se de cientistas nas áreas da Química, da Física e da Medicina e ainda de alguns economistas, que deixam aos mais novos a sua história, os seus conselhos e incentivos. A Literatura ficou de fora desta leva de pessoas, mas alguém poderia pegar na ideia e perguntar realmente o que muda na vida de um escritor que ganha o Nobel. Os livros normalmente ficam piores, diria eu, e a vida um horror com tanto convite...
A celebridade, entendida como "aqueles que das leis da morte se libertam" (citação adaptada), resulta nessa mesma condição: ser-se recordado para sempre.
ResponderEliminarNo entanto, muitos que a procuram olvidam que é quase sempre efémera e que da sua morte resultará apenas o esquecimento.
Portanto, cientistas, artistas, políticos, criadores geniais, serão aqueles que deveras a alcançarão eternamente, e mesmo dentre estes, só alguns!
O Prémio Nobel, concede essa imortalidade?
Não sei. Pergunto-me se a duplamente Nobelizada Marie Curie será imortal, ou Bob Dylan? Acredito que sim, enquanto forem úteis as descobertas de uma e ouvidas as canções do outro. Por outro lado, quem se recordará de tantos nobelizados que logo caem no esquecimento pois não obtiveram a alargada notoriedade destes que cito?
O Nobel, pode também ser efémero e não é por si só a garantia dessa libertação das leis da morte, creio eu. Tem de ser consolidado pelo que de facto o seu detentor deu à humanidade e à memória que dele fica, por vezes já nem sabendo porque ganhou o prémio, todavia é recordado pelo seu carisma, pelo génio mas também a generosidade, a influência que o façam um ícone. Parece-me ser o caso dos dois supracitados, e, por mim falo, pois Mdme. Curie que muita gente ignora que isolou o Polónio e o Rádio - elemento químico, não o aparelho onde o Markl cultiva a tal celebridade bacôca - , é em si mesma uma figura incontornável da condição feminina pura, enquanto mãe e cientista, numa rara união de sucesso e do equilíbrio que deve existir, sem excessos nem extremismos. Ela apenas foi o que foi, sobretudo uma grande mulher, sem publicidade a si mesma, porém deixou uma marca indelével. Conseguirá Isabel Moreira essa eternidade? Duvido muito... Sobre o outro, ainda há pouco vinha na estrada Benguela-Baía Farta, a cantarolar "para dentro", "how many roads must a man walk down...", que me parece ser eterno, e está tudo dito.
Quanto aos escritores, suponho que o valor monetário do prémio lhes mudará a vida, certamente, idem a visibilidade e aquele (falso?) cunho de qualidade que a sua escrita passará a ter e faz com as editoras corram atrás dele? Penso que será a grande diferença.
Isso não foi bastante para Hemingway como bem sabemos. Talvez porque não era uma "celebridade" e sim um génio, só para dar um exemplo.
Outros como ele, viverão à margem da celebridade.
No entanto tendo a concordar com a NEA. Penso por mim mesmo, imagino-me célebre e que seria péssimo deixar de poder beber uns copos à vontade, ou dizer umas parvoíces entre amigos... já ser publicado e ter os editores atrás de mim, bom, isso agradava-me é claro, eheheh!
São coisas que nunca saberemos ao certo nós, que por muito Extraordinários que sejamos não ganharemos o Nobel e nem seremos célebres.
Enfim, desejos de um célebre final de semana, para todos, são os celebrados votos cá desde a Cidade Morena.
"Curie que muita gente ignora que isolou o Polónio"
ResponderEliminarCaro António Luiz Pacheco,
Certamente, não será o seu caso mas alguns pensam que Marie Curie é francesa quando na realidade é uma polaca de gema, nascida em Varsóvia com o nome: Maria Salomea Sklodowska.
Um abraço para Benguela.
Sim senhor, caríssimo! Aliás ela deu o nome de polónio ao elemento, em memória do seu país. Ela fez questão de preservar essa sua condição e de a transmitir aos filhos.
ResponderEliminarFoi uma Mulher notável! Por isso a citei propositadamente.
Retribuo o abraço!
Perdão: Polónio!
ResponderEliminarpolónio, com minúscula, estava bem, caro ALP. :)
ResponderEliminarQuanto á imortalidade lembro a máxima do filósofo americano de origem hispânica, George Santayana : "O facto de ter nascido é, para o Homem, um mau augúrio quanto á imortalidade".
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