Paradoxos

Há menos de nada li um destaque na plataforma que alberga este blogue (a Sapo) referindo uma leitura por outra blogger de um conto de José Luís Peixoto publicado na Visão há quase vinte anos e chamado "Minto ao dizer que minto". É um conto sobre o próprio autor, usado neste contexto como personagem, o que não é inédito na obra de José Luís Peixoto, pois uma das suas primeiras narrativas curtas, publicada salvo erro na saudosa revista Ficções, tinha-o também a si mesmo como personagem. Mas aqui o que me interessa é o título do conto ser um paradoxo, pois levou-me de repente ao Paradoxo de Epiménides, aprendido há séculos. Epiménides, que nascera em Creta, disse um dia: "Todos os cretenses são mentirosos." Mas, sendo ele cretense, está a mentir-nos, certo? Bem, este paradoxo, citado numa das Epístolas de S. Paulo, é um daqueles enunciados que é verdadeiro se for falso e falso se for verdadeiro, uma vez que Epiménides é cretense e, portanto, mentiroso. Quando publiquei alguns livros de paradoxos de Martin Gardner numa outra "reencarnação editorial", percebi que afinal poderia ter adorado matemática e lógica quando era aluna do liceu. Infelizmente, couberam-me matérias muitíssimo mais aborrecidas e professores incapazes de aplicar a matemática ao jogo e ao quotidiano. Recomendo, para quem não conheça, os livros bestialmente divertidos de Gardner, ilustrados por um artista com um traço parecido com o de Sempé. A matemática às vezes é tão incrível como a literatura, mesmo para leigos, como é o meu caso.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco27 de maio de 2024 às 04:23

    Boa!
    Muito interessante Martin Gardner, e, se me permite apresento-o a quem não o conheça, através da wikipédia:
    "Martin Gardner (21 de outubro de 1914 — 22 de maio de 2010) foi um escritor de matemática recreacional e literatura de divulgação científica e matemática, mas com interesses que englobavam micromágica (prestidigitação), ilusionismo, literatura em especial os trabalhos de Lewis Carroll e G. K. Chesterton, filosofia, ceticismo científico, pseudociência e religião. Ele escrevia a coluna Mathematical Games para a revista Scientific American de 1956 a 1981 e a coluna Notes of a Fringe-Watcher para a revista Skeptical Inquirer de 1983 a 2002 e publicou mais de 100 livros." (sic)

    É alguém que vale mesmo a pena ler, enquanto divulgador da ciência e céptico ao mesmo tempo.
    PARADOXO! É algo arreigadamente humano e profundo, e, o facto de sermos paradoxais é para mim aquilo que nos torna interessantes como pessoas e seres pensantes.
    Não ouvia falar em Gardner há muitos anos! Descobri-o ainda no liceu, naquelas tertúlias do clube de leituras e porque na época e naquela idade de descobrir coisas, o cepticismo era atraente em extremo e até andavam na berra livros sobre isso, alguns deles muito bons!
    Ainda tenho uma boa colecção.

    Votos de uma Extraordinária semana, cá desde a Cidade Morena.

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  2. A literatura é às vezes é tão incrível como a minha própria profissão, mesmo para leigos, como é o meu caso.

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  3. Interessante.

    Vou usar uma funcionalidade do Signal para apontar algo sobre este senhor, e rever mais tarde.

    https://support.signal.org/hc/en-us/articles/360043272451-Note-to-Self

    https://martin-gardner.org/

    Boas leituras!

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  4. Funciona como uma espéci de post it digital

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