Leva e traz

No próximo sábado celebra-se o Dia Internacional dos Museus e a associação Assarapanto teve uma belíssima ideia no sentido de contribuir para um incremento da leitura. Como se sabe, neste dia não se pagam entradas, pelo que a afluência aos museus de adultos e crianças costuma ser maior. Então, a proposta é deixar um livro no museu para ser roubado por alguém que até pode deixar igualmente um livro para alguém mais roubar. Este leva-e-traz (na verdade, o projecto chama-se Um Livro no Museu) pode ser feito em onze museus a norte, a saber: Museu Nacional Soares dos Reis (Porto); Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto: Polo Central e Galeria da Biodiversidade, Centro Ciência Viva (Porto); Museu da Memória (Matosinhos) e Museu da Quinta de Santiago (Matosinhos); Museu Nogueira da Silva (Braga); Museu de Alberto Sampaio (Guimarães); Paço dos Duques de Bragança (Guimarães); Museu de Olaria (Barcelos); Casa Museu José Régio (Vila do Conde) e Casa Museu Abel Salazar (São Mamede Infesta). Mas a Assarapanto quer que para o ano este projecto se repita em mais zonas do país, porque museus e leitores há-os em toda a parte. Se visitar um dos referidos museus e vir lá um livro perdido, não devolva na recepção, é mesmo para quem o quiser apanhar!


Um Livro no Museu - rectang (002).jpg

Comentários

  1. António Luiz Pacheco16 de maio de 2024 às 01:53

    Pois... tudo que seja feito no sentido de divulgar a leitura, é louvável. Mesmo que não produza nenhum resultado prático, como suspeito seja o presente.
    Já foi tentada essa via de deixar livros abandonados, espalhados por cafés, bancos de jardins e de estações... com fracos resultados segundo consta, até porque se abandonaram essas práticas.
    Museus... pode ser o local para isso? Não sei, sinceramente, mas de que museus falamos?
    Há museus e museus, duvido que os grandes museus, mais visitados, sejam o local certo para "deixar livros à toa". Porém, museus em geral, seja a casa-museu Roque Gameiro ou o de Aljubarrota, dos Coches, Militar, deviam sim deixar à disposição livros temáticos relacionados com as suas exposições, para consulta livre e depois tê-los à venda a preços acessíveis. Quem se interessasse, adquiria o livro com dois resultados óbvios.
    Enfim penso eu, mas posso estar a pensar mal.
    Veremos no que dá esta iniciativa, repito que louvável porém afigura-se-me inóqua.

    Saudações arqueológicas cá da Cidade Morena, onde só existe este museu... muito pobre aliás. Não sei se os colonos levaram todas as peças arqueológicas consigo, mas ainda vou investigar!

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  2. Tenho visto no Algarve caixas de madeira com livros que se podem levar (ou deixar, visto que essa é a sua fonte de abastecimento). Tenho notado também que são quase todos em inglês, o que significa que são os turistas a praticar a modalidade. Os portugueses continuam avessos ao livro, creio bem.

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  3. Ou talvez não sejam só turistas, porque segundo este artigo do Público desta semana, os jovens lêem cada vez mais em inglês: https://www.publico.pt/2024/05/13/p3/noticia/ha-jovens-so-leem-livros-ingles-preocupa-editoras-2089644.
    Outro artigo do Expresso do ano passado dizia ainda que os jovens estão a ler mais em Portugal, muito devido às comunidades de leitores online (no Instagram ou no TikTok): https://expresso.pt/cultura/Livros/2023-08-31-Os-portugueses-estao-a-ler-mais-e-isso-deve-se-aos-jovens-sao-eles-quem-mais-compra-livros-em-Portugal-958dcebf
    Haja esperança.
    Filipa

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  4. Boa tarde
    Faz um par de anos, em périplo pelo barlavento algarvio, fomos lanchar a Sagres. Eis senão quando deparamos com uma cabine telefónica (tive de explicar o que era aquilo aos miúdos) recheada de livros e DVDs - um projecto semelhante ao citado no post, mas com uma escala local.
    Não parecia despertar muito interesse, quer nos locais quer nos visitantes, parecendo funcionar mais como depósito de lixo.
    Isto tudo para dizer, do meu ponto de vista e em economês: existe um excesso de oferta e uma escassez de procura.
    Somos bombardeados com inúmeras solicitações, o nosso dia continua a ter 24h e a nossa atenção é limitada.
    Hoje, mais do que a capacidade de aceder, importa a capacidade de filtrar, discernir e escolher.
    Boas leituras!

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  5. Não será isso que em inglês se chama "whisful thinking"?
    Dos adolescentes que conheço, nenhum tem hábitos regulares de leitura. Talvez a minha amostra não seja representativa...
    Outra questão interessante seria: que tipo de leituras fazem?

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  6. António Luiz Pacheco16 de maio de 2024 às 05:23

    Ora í' tááá! Como diria o Manel Loendrêro!
    A pergunta de um milhão de dólares, meu Caro e Extraordinário L.I. - trato-o assim coloquial e amigávelmente, esclareço.
    Duvido que os jovens actuais, face ao excesso de oferta que lhes desvia ou dispersa a atenção, como muito bem foi aqui dito, leiam seja em que idioma for, ou mesmo em Braille pois dão muito mais uso aos dedos.
    No entanto, questiono a toda a fileira económica da leitura, se, já foi alguma vez ponderado fazer-se um inquérito acerca daquilo que os jovens (e os demais...) gostam ou gostariam de ler? Isto em vez de lhes aconselhar ou impingir sem os consultar.
    Ou, se tem sido feita campanha a divulgar que como os filmes e séries, existem livros com essas aventuras e temas tão populares? Com a vantagem de que os livros podem levar-se e ler a qualquer hora, e, se interrompermos a leitura, logo prosseguimos quando quisermos, também voltando atrás e tudo.
    Se calhar valia a pena pensar nisso!

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  7. Eu conheço vários jovens adultos (a idade agora dos meus filhos) que lêem. Mais raparigas do que rapazes, e de facto algumas lêem em inglês, pelas razões explicadas no artigo: porque é mais barato, e porque encontram mais livros dos autores anglo-saxónicos que admiram (ou mais cedo), em inglês. Nem sempre a qualidade do que lêem é a melhor (ou mais ao meu gosto) e alguns quase não lêem autores portugueses (o que é uma pena), mas lêem. Mais agora do que há uns anos atrás. Mas também podem não ser representativos.
    Filipa

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  8. Esta resposta era para o Leitor Improvável.
    Filipa

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