História de um dom

Em dezassete anos do Prémio LeYa, venceram ou foram finalistas numerosos livros de autores que nunca tinham publicado. Um deles, João Ricardo Pedro, engenheiro de telecomunicações, ficou conhecido porque estava desempregado quando resolveu escrever ficção, tendo a sua vitória sido notícia em toda a Europa em plena crise económica (estávamos em 2011), o que lhe valeu ser traduzido em mais de dez línguas. O Teu Rosto Será o Último (assim se chama o romance) é fragmentado, originalíssimo e muito bom (especialmente sendo uma estreia!) e chamou logo a atenção do realizador Luís Filipe Rocha (autor de pérolas como Cerromaior, Sinais de Fogo, Adeus, Pai, o argumento da série Até Amanhã, Camaradas, ou mais recentemente Rosas de Ermera, que fala da permanência dos pais e da irmã de Zeca Afonso em Timor quando a ilha foi  ocupada pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial), que quis adaptá-lo ao grande ecrã. Passou bastante tempo desde então, é certo, mas na próxima semana será a antestreia do filme e todos poderão assistir a partir daí a esta história de um rapaz que tem um dom especial para o piano, mas não consegue aceitar a pressão de ser um génio. Amanhã, pelas 21h00, no espaço da LeYa na Feira do Livro de Lisboa, o realizador e o autor do livro vão falar do que foi esta experiência com o jornalista Rui Lagartinho. Apareça e será muito bem-vindo. Depois, claro, veja o filme.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco29 de maio de 2024 às 02:20

    Boas notícias para o autor, e, para quem tenha gostado do livro.
    Vai certamente gostar do filme, desde que aprecie o estilo do realizador.

    Votos de muito sucesso, cá desde a Cidade Morena.

    Nota curiosa: Tenho um livro, lido há muitos anos, porém do qual nunca me esqueci, dessa época da invasão pelos japoneses, da autoria de Carlos Cal Brandão - Funo, guerra em Timor. Certamente que os pais de Zeca Afonso se terão cruzado com este autor, exilado em Timor.

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  2. Não tenho opinião formada sobre Luís Filipe Rocha porque só vi um dos seus filmes, Cerromaior. Mas achei-o muito bom. Tratando-se de uma adaptação do livro de Manuel da Fonseca conseguiu dar-lhe um tom pessoal que considero ser, em termos de cinema, uma valorização. Algumas das interpretações também foram excelentes.

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  3. Dei de caras com o livro do João Ricardo Pedro no mês passado quando passeava pela diminuta, mas rica, feira do livro de Penela! Agarrei-me a um exemplar e trouxe-o junto ao peito, houve ali uma química. Li o livro sofregamente e espantada por um engenheiro escrever daquela maneira tão maravilhosa.
    Já tinha visto que ele vai estar hoje à noite na Feira, mas eu já não estarei em Lisboa a essa hora, raios.
    É que queria ter a oportunidade de lhe perguntar, ao JRP, porque não escreveu ele praticamente mais nada. É que autores assim precisam-se tanto!
    Boa sessão, Maria do Rosário, um abraço. (e, se puder, instigue esse moço a escrever mais, por favor ...)

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  4. O seu blogue e o anúncio do filme no Nimas fizeram com que eu despertasse para o livro, que até tinha em casa há já uns anitos.
    De uma assentada e com muito prazer, li-o todo ontem. Adorei o livro! Estou com muita vontade de ver o filme, que se estreia no Nimas no dia 8 de junho.

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