Ginástica mental
Arranjaram-me há uns anos um portátil que é mesmo uma desgraça. Primeiro, por causa do álcool-gel durante a pandemia, apagaram-se simplesmente as letras mais usadas das teclas pretas: primeiro o A, depois o E; tive de as substituir por etiquetas circulares autocolantes com o desenho das vogais feito por mim, regularmente substituídas elas próprias porque o papel se desfaz com o tempo e fica tudo nojento. Enquanto começavam a desaparecer também o O e o S (e a tecla da vírgula ficou igual à do ponto), as teclas começaram a saltar e tive mesmo de pedir ajuda aos informáticos. Lá deram um jeito com uma chavinha e aparafusaram o A e o E, mas pouco depois o O saltou, só que, como estava a acabar um trabalho urgente e tinha dois emails a que tinha de dar resposta imediata, resolvi tentar usar palavras que não tivessem O para não ter de sair da sala com o portátil ao colo e ir lá abaixo pedir a uma alma caridosa que me aparafuse a tecla desavinda. E, juro, foi mesmo uma «ginástica mental» (expressão que não tem O), mas consegui praticamente não usar a vogal problemática do meu teclado. Fiquei contente por descobrir que conheço muitos sinónimos e tenho um léxico bastante alargado para estas emergências (ler traz muitas vantagens). Se assim não fosse, não iria conseguir responder tão depressa a um email assim urgente. Mas, ufa, nem imagino o que foi para Georges Perec escrever todo um livro sem a letra E... Sim, e outras maluquices.
Que delícia de exercício!
ResponderEliminarBom, o meu computador ainda é a petróleo... mas resolve, desde que os meus colegas se lembrem que sou um neanderthal informático e não me mandem aqueles ficheiros que não consigo abrir porque nem tenho instaladas aquelas coisas que não sou capaz de nomear!
ResponderEliminarPara mim é em word, excel ou vá lá, PDF!
Felizmente tenho aqui um jovem colaborador, um arquitecto de nome Ivandro que é barra em informática, além de que um meu colega electrotécnico-mecânico consegue "entrar" no meu PC lá desde Portugal - o gajo é especializado em robótica, acerta e controla parâmetros nos equipamentos instalados aqui nas pescarias, o que para mim estaria ao nível da ficção científica, se eu ainda tivesse a capacidade de me espantar...
Como cantaria o Sting "I'm an allien"! Estou habituado a ser motivo de gozo e a levar com bocas, sou um nabo informático e tenho dificuldade em lidar com as tecnologias, seja na TV ou até no carro que tem uma data de funções que não sei o que são e desconheço ou não sei usar, lá vou aprendendo a usar a função de telemóvel sem mãos e uma ou outra, porém tenho outras habilidades... a malta que aí vem sabe usar as tecnologias instaladas na super-carrinha Hilux mas não consegue guiar neste trânsito e menos na picada, eheheh!
Enfim! Solidarizo-me inteiramente consigo minha Cara.
Mas sabem que mais? Não ligo peva, aliás, aos gozos... acham-se muito evoluídos? Evoluído sou eu que passei do "menina dê-me o 2,3, de Santarém" ao telefone-esperto que apesar de tudo vou conseguindo usar para mandar fotos e tudo! Evoluído sou eu que aprendi a usar fax, fotocopiadora, impressora, PC, depois de ter estudado para os exames de admissão ao ensino superior à luz do petróleo. Que ouvi programas de rádio numa Philips ligada a uma bateria de automóvel, que tive bebidas refrescadas na cisterna, sou do tempo do fogão a lenha, vi lavrar com juntas de bois... e tanta coisa que nunca me fizeram suspeitar, quando via o computador lá na Universidade de Évora que tinha o tamanho de um gerador Cummings de 800 KWA de qualquer pescaria, que ia poder participar numa reunião, a ver e ouvir simultâneamente alguém na Finlândia, em Portugal e eu aqui em Benguela!
Pois é, evoluídos não são os que já nasceram com essas coisas, evoluído sou eu cujo telefone de casa era o 23!
Quanto ao que conta do exercício de escrever sem usar determinada letra, já li algures ser uma prática excelente para treinar vocabulário, léxico, e sobretudo aprender a flanquear os obstáculos!
Extraordinário!
Saudações evoluídas e informáticas cá da Cidade Morena!
Cara MRP, NEA
ResponderEliminarPermita-me que lhe faça uma sugestão para se "livrar" dos informáticos e melhor conservar a cervical e o pescoço: datilografar (ou touch typing, na língua de Shakespeare: https://en.wikipedia.org/wiki/Touch_typing)
Existem vários recursos disponíves na internet (ex:https://www.typingclub.com/digitacao). É pesquisar o que mais se adequa.
Com uma prática diária, nalgumas semanas, são os dedos, e não os olhos, que sabem onde estão as teclas. Neste momento posso dizer que de "pica pau" a 40 palavras por minuto, já consigo atingir, por instantes apenas, as 90 ppm.
É tudo uma questão de querer desenvolver a memória muscular dos dedos...
Boas leituras!
pf ignorar o comentário anterior se já domina a dita competência
ResponderEliminarQ tr!unf0! D1g1t@r c0m t3cl@s d3f1c1tár14s é !m@g1n@ç@0 pur@. Pr@béns! Q cur!0s@ @v3ntur@ l1nguíst1c@!
ResponderEliminarAcróstico: “DITAR no Microsoft Word”
ResponderEliminarDite as suas palavras em voz alta,
Imensa utilidade lhe irá dar.
Texto aparece e nada falta,
Aliviando a digitação sem parar.
Reconhecimento de voz é a solução.
Nota: A função “ditar” no Microsoft Word permite que o utilizador insira texto utilizando voz em vez de digitação.