Aconselhar
Quando saí da faculdade, sentia-me um pouco perdida sobre o que ler, pois os professores tinham sido uma grande orientação ao longo dos anos. O que me valeu foi ter muitos amigos leitores, alguns dos quais são uma grande ajuda. Claro que nem sempre os nossos gostos concidem, pois a nossa experiência de vida e de leitura (e até de formação) é necessariamente diferente. Um destes amigos, por exemplo, é um apaixonado da História e lê quase sempre ensaios, enquanto eu prefiro a ficção; outro prefere ler os clássicos, que geralmente não desiludem, enquanto eu tenho por hábito ler os novos autores nacionais e internacionais. Mas é sempre bom receber um conselho sobre o que ler e troco muitas opiniões e livros com a minha irmã, que, depois de se ter reformado, não faz mais nada senão ler, a sortuda. Para quem não tem pessoas próximas que ajudem, há sempre os blogues de livros (este também, claro). Em França, os livreiros assinalam nas montras os seus «coup-de-coeur» com um post-it na capa dos livros de que gostaram com palavras elogiosas (há até prémios dados por livreiros). Cá, a newsletter da Bertrand também inclui opiniões de alguns livreiros de norte a sul do País («o seu livreiro é o seu melhor conselheiro», diz o título, a que se seguem alguns livros destacados pelos funcionários). Não há razões para não ler só porque não sabe por onde começar. Ouvir opiniões é sempre um bom começo.
Comecei por ver imagens! Ainda antes de saber ler, a minha curiosidade pelos livros era enorme, tendo tido a sorte de ter em casa uma biblioteca bem fornecida. Aprendi logo que os "pequenos e moles" não me interessavam pois só tinham letras, já os grandes e pesados, de capas duras, esses tinham as imagens que eu procurava.
ResponderEliminarDepois, aprendi a ler... na escola primária os livros de leitura com excertos de livros diversos foram a minha orientação, mais as Selectas Literárias que considero fundamentais na formação de um leitor. A minha mãe foi a primeira pessoa com quem falei de livros e até à sua morte o fizémos sempre, lia muito e gostava de ler.
Havia tertúlias lá em casa onde se falava de muitas coisas, cultura em geral, música, pintura e desenho, história e livros evidentemente. Tive esse privilégio desde muito cedo, pois eu ouvia ávidamente. Claro que ao longo da vida, no liceu os professores e colegas, amigos, até fiz parte de um clube de leitura formado por colegas de liceu, me foram ainda orientando. Curiosamente foi na Universidade que menos tive companhia para falar de livros, excepto daqueles técnicos. Nos meus meios de caça e da pesca submarina sempre houve grande interesse pelos livros, não apenas os temáticos ou relacionados (que há muita obra escrita!), mas também se alargando a outros. Por onde tenha passado, mais ou menos sempre vou identificando com quem falar, aqui em Benguela nem por isso, pelo que destaco este Espaço Extraordinário que frequento diáriamente e sempre que tenha acesso à internet, como o meu sustentáculo destes anos e período em que me encontro expatriado.
Bem-hajam os Extraordinários que levam comigo, me aturam e aos meus dislates e fazem o favor até de me corrigir, mas sobretudo informar e trocar impressões.
Bem-haja a NEA por criar e manter este Espaço Extraordinário e nos ir dando tanta orientação, informando e partilhando.
Não tenho dúvida em assumir como fundamental esta visita e comentarice diária, ler sobre como vão as coisas no Mundo literário, como o prazer que tenho em Vos ler, até mesmo àqueles que "embirram" e me dão ferroadas, pois são ainda estímulos.
Longa vida ao Horas Extraordinárias e à nossa Anfitriã, os meus agradecimentos, cá desde a Cidade Morena.
O que é NEA?Nossa extraordinária anfitriã?
ResponderEliminarCom o avançar da idade, sinto imensa pena de não ter lido muito mais na minha juventude. Agora, lendo sem dúvida muito mais, contento-me, por vezes, a dizer que lerei ainda mais na reforma. Será?
ResponderEliminarExactamente!
ResponderEliminarTive mesmo muita sorte, nesse aspecto das leituras. Fui sempre muito bem aconselhada, muito bem orientada e desde que me lembro de mim, vejo-me a ler.
ResponderEliminarContinuarei, pois.
Cristina Carvalho
Bom dia!
ResponderEliminarA propósito de sugestões literárias e recomeços na leitura, vai acontecer o clube de leitura (Im) possível, na Biblioteca municipal de Faro, já neste sábado, pelas 16h. Destina-se a pais que querem retomar a leitura (muitas vezes relevada para segundo plano a partir do momento em que nascem as crianças). Os filhos estarão numa actividade de promoção da leitura dinamizada pela biblioteca, enquanto as mães e pais estarão a falar sobre livros. Não há leituras obrigatórias.
Fica a sugestão!
Sejam bem-vindos!
Cresci numa casa nua de livros – o dinheiro não abundava. No entanto, eles têm estado na minha vida desde sempre. Desde que a minha mãe me comprou A Fada da Floresta, ainda eu não sabia ler, e que eu repetia palavra por palavra, incluindo as pausas de vírgulas ou mudanças de página, de tanto ter ouvido essa história; desde que a professora Húngria nos mostrou a beleza das palavras e das histórias (tinha eu 11 anos e decidi ser, como ela, professora de Português); e desde que, em Olhão, a Biblioteca Fixa da Gulbenkian me abriu as portas de um mundo maravilhoso: livros e livros que fui descobrindo. A responsável da biblioteca recomendava-me Mulherzinhas, mais adequado à minha idade, sem dúvida, mas eu preferia os neorrealistas ou os autores russos. Depois vieram os amigos leitores com quem, ainda hoje, mantenho essa troca de recomendações. E tento fazer o que fizeram comigo: recomendar bons autores àqueles que não sabem por onde começar.
ResponderEliminarOs meus pais liam pouco e isso reflectia-se na sua biblioteca pessoal. Por isso, estava inscrita na biblioteca municipal. Eram os anos 90, li dezenas de livros assim. Escolhia as leituras pela capa, sinopse ou autor.
ResponderEliminarHá anos que mantenho um blogue de livros, o "bué de livros", se alguém quiser espreitar sugestões de leitura. No YouTube, colho sugestões para mim, assim como na blogosfera (somos poucos mas, resistentes). Prefiro-o ao IG e TikTok.
Vivo em França há 9 anos e confirmo os post-it com comentários, já para não falar de um acompanhamento próximo com o livreiro. Boas conversas... As livrarias estão sempre cheias, é tão bom de ver!
Boas leituras e saudações alsacianas!
Barroca
Sou leitora regular deste Horas extraordinárias e nesta publicação fala de blogs sobre livros. Ora, eu não conheço outros blogs sobre livros e muitos dos que estão aqui ao lado já não são actualizados há muito. Sugestões de blogs vizinhos? Obrigada!
ResponderEliminar