Prémios e prémios
A atribuição do Nobel torna, regra geral, os autores conhecidos em países onde nunca foram publicados ou, tendo-o sido, onde não tinham mais de um ou dois livros traduzidos. Não foi exactamente o caso de Jon Fosse, o último contemplado, que até já tinha cá o seu atento editor, embora muita gente se tenha estreado como seu leitor só depois do anúncio do prémio. Recentemente, Itamar Vieira Junior teve a alegria de ver Torto Arado nomeado para o International Booker Prize: e, curiosamente, desde a nomeação já muitos editores estrangeiros se interessaram pelo livro, apesar de este estar já vendido em mais de vinte países! Por outro lado, publiquei no final do ano passado o maravilhoso romance vencedor do Prémio Campiello em Itália (e de mais três outros prémios) chamado As Minhas Estúpidas Intenções, de Bernardo Zannoni; e, ainda que o prémio seja importantíssimo no país de origem, em Portugal ninguém ligou a mínima ao livro. Também me lembro de andarmos todos há vinte anos atrás dos romances que ganhavam o prémio Goncourt, e hoje já poucos leitores saberão quem foram os irmãos Goncourt e que prémio é este (aliás, cada vez se publicam menos escritores franceses cá na terrinha). Em diferentes épocas, a agulha dos prémios muda de zona geográfica; falo por mim: há já uns anos que nem reparo em quem ganha em Espanha o Prémio Planeta...
Bom dia, reconheço que os prémios continuam a ser uma forma de colocar os holofotes em obras que de outra forma ficariam na sombra. Mas as opiniões e recomendações de pessoas que respeitamos têm, para mim, um efeito mais eficaz nas minhas escolhas. Foi o caso de "As minhas estúpidas intenções" de Bernando Zannoni que li recentemente. Gostei muito e tenho-o recomendado a outros leitores. Grato pelas pistas de leitura que nos vai deixando. Vítor Fontes
ResponderEliminarNão tenho pretensões quanto à relevância da minha opinião e muito menos neste meio Extraordinário onde há tanta gente com muito mais capacidade para avaliar livros do que esta traça dos livros atrevida, que tenho a noção de ser.
ResponderEliminarPorque emito então opiniões? Perguntarão perplexos alguns Extraordinários que eventualmente passem os olhos pelo que escrevo, e, muito bem. Bom, pois porque gosto de conversar, em especial sobre estes temas, e, não tendo por aqui com quem o faça resta-me esta solução de os vir aqui maçar.
Portanto, se me é permitido e contando com a vossa complacência, repetirei aquilo que já disse diversas vezes:
- Compro livros, e, bastantes. Sei que isso não conta para nada, no entanto devia... afinal vender livros é o objectivo das Editoras.
- Leio ou tenho lido também bastante, de tudo, pois sou um leitor bastante eclético, só que nos últimos anos leio muito menos do que gostaria e portanto tornei-me bem mais criterioso, procurando ler o que gosto ou me interessa e nem por isso o que é moda ou "deveria" ler. Aliás quanto a ler o que está na moda, tenho tido grandes desilusões e enfiado autênticos barretes - Tasmânia sendo o mais recente!
- Assim, cada vez menos dou crédito aos críticos pois raramente concordamos. Também os prémios nada me dizem e até fazem desconfiar pois me parece que caíram na vulgaridade e são mera forma de promover livros, autores ou mesmo assuntos/causas. O número de exemplares vendidos e os países que os publicam, idem!
- Portanto, vou lendo aquilo que me desperta a atenção nas visitas (hoje raras) a livrarias, sobre os quais leio alguma notícia, entrevista, artigo ou uma avaliação que considero, e, óbviamente, levo bastante em conta as opiniões ou sugestões dos Extraordinários.
O Nobel? Prémio máximo que me parece cada vez mais politizado. Não contesto pois não tenho conhecimentos para isso e na maioria dos casos nem conheço o autor premiado, porém não é factor decisivo.
Dessa premiação toda, apoio e aplaudo o Itamar! Vá lá, sempre há um de que gosto, eheheh!
Saudações premiadas cá da Cidade Morena.
Seria um sonho ganhar um prêmio como esse.
ResponderEliminarGostei do espaço e estarei por aqui agora.
Boa semana!
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Até mais, Emerson Garcia
Relativamente ao prémio Planeta, maior prémio pecuniário em concursos literários, superando até o Nobel, fiquei muito curioso relativamente à última vencedora: Sonsoles Ónega, uma conhecidíssima apresentadora na televisão espanhola. Alguém já leu algum livro desta autora?
ResponderEliminarEs autora de las novelas Calle Habana, esquina Obispo; Donde Dios no estuvo; Encuentros en Bonaval; Nosotras que lo quisimos todo; Después del amor (Premio de Novela Fernando Lara 2017) y Mil besos prohibidos. Su última novela, Las hijas de la criada, ha sido galardonada con el Premio Planeta 2023.
ResponderEliminarConfesso que nunca ouvi falar!
Pois, como escritora também a desconhecia; mas também confesso que, com exceção do Javier Marías, consumo muito pouco literatura espanhola.
ResponderEliminarÓ Dinis já leste "PÁTRIA" do Fernando Aramburu? E a Rosa Montero (" A LOUCA DA CASA"-grande livro sobre livros-, "HISTÓRIA DO REI TRANSPARENTE" ,"INSTRUÇÕES PARA SALVAR O MUNDO" .....? grande escritora!
ResponderEliminarJAVIER MARIAS-outro belíssimo escritor espanhol. E o ENRIQUE-VILA MATAS-muito bom.
Tenho excelentes referências da Rosa Montero, mas ainda não li. Outro escritor que quero muito ler é o Javier Cercas.
ResponderEliminarConfesso que só os autores que já ganharam um Prêmio Nobel conseguem me extasiar. E sigo lendo tais autores às pencas. Tenho o gosto muito atrelado ao da Academia Sueca. Deve haver outros, ainda por serem descobertos, obviamente, mas que ainda não o fiz por falta de tempo ou de conhecimento da literatura mundial, ou mesmo de acesso à literatura de outros países. É por isso que penso que deverias ganhar um e tenho fé que isso ainda há de acontecer.
ResponderEliminarPerdão... pencas, ok! Mas quem é que devia ganhar um Nobel?
ResponderEliminarMaria do Rosário, certamente! :)
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