Palavrinhas para guardar

Toda a gente sabe que adoro descobrir palavras novas; e, por isso, tem sido para mim uma alegria publicar nos últimos catorze anos os romances de Mário Cláudio, cheios de vocábulos saborosos, quantas vezes lidos pela primeira vez já depois dos meus cinquenta anos («bazulaque» foi um deles). Quando estes autores, que têm o domínio de um léxico tão amplo, nos deixarem, presumo que muitas destas palavras suculentas sucumbirão com eles e cairão no esquecimento, quiçá substituídas por mais umas inglesices chatas e óbvias. No entanto, em algo bem mais prosaico do que o texto literário (não vos digo já onde), encontrei um dia destes um monte de palavras tão curiosas que até pareciam inventadas por alguém que jogasse aos dicionários: viosinho, rabigato, diogalves, bical, cerceal, alfrocheiro, alvar roxo, gouveio... Bem, aqueles que gostam de vinho verão logo que não sou de muitos copos, pois todas estas palavras são, no fundo, castas da Bairrada, do Dão, do Douro, do Alentejo; li-as gostosamente em rótulos de garrafas enquanto estava à espera de que me trouxessem uma sopinha e tomei nota no telemóvel para as usar futuramente em algum texto ou cantiga. Claro que também havia touriga, verdelho, arinto, encruzado, tinta barroca e outras coisas de que já ouvira falar, mas estes engraçados nomes ficam realmente bem com vinho e com literatura. Quase de certeza, o Paulo Moreiras conhece a maioria, até porque uma das suas personagens se chama Alfrocheiro numa taberna.

Comentários

  1. António Luiz Pacheco9 de abril de 2024 às 03:11

    Bom, na verdade se enveredarmos pelas áreas técnicas e seus léxicos ou gírias veremos que há todo um Mundo novo que se nos abre, sendo interessante de desvendar!

    Vão perdoar-me por falar muitas vezes na minha experiência pessoal, espero que entendam que o faço porque gosto de comunicar e partilhar, não sendo por exibicionismo e nem pretendo ser exemplo de coisíssima nenhuma, mas no Mundo global em que me movo, da agropecuária, agroindústria, agricultura, pescas, distribuição, frio industrial, engenharia, que obriga a cruzar informação em várias línguas e diversos países, a profusão de termos é imensa e no início confunde. Os meus colaboradores ou colegas mais novos suam as estopinhas para dominarem tanto termo ou conceito que se confundem.

    Num projecto de viticultura aqui na vizinha província do Namibe, vim encontrar a casta Sousão, uma curiosidade a par das clássicas Touriga Nacional e do Aragonês. A reenxertia foi aconselhada com castas adequadas às condições edafo-climáticas e na obtenção de vinhos mais consentâneos com o mercado que se pretende alcançar. A vinha está mesmo junto ao mar, alguém me dizendo que não seria possível produzir aí uva de vinho. Talvez desconhecendo que temos em Portugal vinhas únicas como nas Azenhas do Mar e Colares com o "ramisco" uma casta única no Mundo... sem esquecer os vinhos do Algarve (Lagoa)
    e os açorianos, de Biscoitos, do Pico e da Graciosa.
    Há que ter de facto as portas bem abertas e memória!

    Estamos actualmente a armar alguns barcos cercadores ou "cerqueiros" como aqui se dizem os barcos que fazem pesca de cerco. As redes são toda uma ciência diferenciada dentro da arte da pesca, havendo específicamente mestres de redes, há que dominar conceitos como malhas, talhões, varas, fardos, retenida, gacheta...
    Dando um exemplo uma nota comparativa do trabalho de dois mestres redeiros:
    III - Notas importantes:
    1º A diminuição do comprimento da vara permite suprimir 2 fardos de 18 (total de fardos de rede de 18 no mapa comparativo anexo).
    2º Montagem da Arte e quantidade de material necessário:
    O modo como a Arte é composta varia, quando comparamos Abelha vs Protásio;
    O Mestre Abelha monta a rede por talhões (três fardos juntos e inseparáveis), instalados da esquerda para a direita. O Mestre Protásio e o Cadilhe (habitualmente), montam as redes por cabos (um fardo isolado, de cada vez), instalados de cima para baixo (do centro para os lados);
    A rede do Mestre Abelha é mais robusta (teoricamente), precisa de mais material e a manutenção é mais exigente;
    A rede do Mestre Protásio, tem mais reforços entre cabos e permite trocar secções de rede menores, sempre que houver necessidade.

    Não haja dúvidas de que aprendemos até morrer, que há todo um Mundo por descobrir e a linguagem é parte integrante dele. Considero um privilégio esta possibilidade que tenho.

    Saudações enredadas cá da Cidade Morena!

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  2. Como é bom estarmos antenados e conhecermos novas palavras e culturas. Isso nos deixa mais inteligente e curioso.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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