Memórias

Há excelentes livros de memórias, embora não deixe de confessar que é um género que raramente visito, sempre condicionada pelo ofício de lançar autores de literatura e ter de acompanhar o que por aí se vai escrevendo em matéria de ficção. Mas estas Memórias Minhas, de Manuel Alegre, podem ser lidas aos bochechinhos, pois são, antes de tudo, feitas de pequenos fragmentos muito legíveis, embora arrumados depois em capítulos com temas específicos, maiores ou menores, o que facilita muito irmos direitinhos ao que nos interessa e também nos permite folhear e ir lendo aqui e ali uns parágrafos (eu, pelo menos, já li assim muitos episódios relacionados com a sua candidatura à Presidência da República e com a escrita e o mundo dos livros, que foi por onde quis começar). Importante é também o facto de o poeta-político nos dar um testemunho privilegiado quer do país cinzentão da ditadura que o mandou à guerra, perseguiu e exilou, quer do período democrático, no qual teve esperanças e desilusões, simpatias e desavenças, incluindo com os do seu partido. Esta é, pois, uma viagem para todos os que querem revisitar o Portugal dos últimos sessenta ou setenta anos e a sua história social e política, mas também alguns episódios pessoais que sempre tornam mais coloridos os livros de memórias.


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Comentários

  1. António Luiz Pacheco18 de abril de 2024 às 03:36

    Pois eu sou leitor de memórias e de biografias!
    Por uma longa e variada série de razões que não vou aqui desfiar, mas básicamente porque me interessam, sejam as do Sr. Manel das castanhas sejam as últimas que li (Abel Chivukuvuku, pelo Águalusa).
    Manuel Alegre tem seguramente memórias interessantes, portanto vou certamente ler!
    Obrigado pela divulgação.

    Saudações memoráveis, cá da Cidade Morena.

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  2. Também não sou entusiasta de livros deste género mas, ironicamente, um dos poucos que li conta-se entre os melhores da minha vida. Mais irónico ainda, não foi um mas três, pois refiro-me à autobiografia de Elias Canetti que foi escrita em três volumes.

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  3. Memórias, Crónicas, Diários, Biografias são géneros da Literatura que aprecio e que leio com muito muito gosto.
    "Conta-Corrente" diários do grande Vergílio Ferreira (não me lembro agora se são sete ou oito volumes) está na lista dos 20 melhores livro que li.
    As crónicas do António Lobo Antunes também gosto imenso.
    Tenho boas expectativas quanto a estas memórias de Manuel Alegre.

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  4. Permito-me ainda acrescentar: "BLONDIE" uma grande biografia romanceada de Marilyn Monroe, da excelente escritora norte americana Joyce Carol Oates (leiam-na).
    E a gigantesca biografia do maior actor de sempre, da história do cinema (Marlon Brando)-, "BRANDO MAS POUCO" de Darwin Porter, são 754 páginas a descobrir a história do cinema (e dos actores) dos anos 50, 60 e 70.
    E, para além dos excelentes diários de Miguel Torga ouso ainda salientar "Mocidade Portuguesa" que não é (e é) isto tudo- uma biografia, um livro de memórias um ensaio- do Professor Jorge Calado (ainda por cima um livro lindo)!

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  5. António Luiz Pacheco18 de abril de 2024 às 07:27

    Ora isto é que é falar de livros!
    Sim senhor, assim é que vale a pena.
    Sabes que tenho uma parte de uma estante, uma prateleira inteirinha e já invadi outra, só com biografias/memórias, de uns e outros, porque também as tenho de pessoas anónimas, porém, com história! Assim de cabeça, devo ter coisa duns 50 volumes neste tema.

    Abraço!

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  6. Meu caríssimo Paxeco és mais rico do que eu pois eu já nem tenho estantes, nem gavetas nem prateleiras e estou quase sem chão...

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  7. Em prosa ou verso, gosto da escrita de Manuel Alegre. Penso até que a maioria dos poetas têm uma prosa poética muito apetecível, porque está sempre muito além da ficção poética dos autores apenas da prosa; é outra coisa, sendo embora do mesmo nome.

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  8. Que boas sugestões para quem, como eu, gosta de memórias e biografias! Acrescento à lista os diários de Virgínia Woolf, de Eugénio Lisboa ACTA EST FÁBULA e a biografia de Maria Teresa Horta A DESOBEDIENTE de Patrícia Reis.

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  9. Como eu o entendo. É por isso mesmo, logística, pó e espaço, que eu agora, há já uns bons anos, só leio ebooks no meu kobo. Já não tenho paciência para estantes e prateleiras.

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  10. Ler no écran...- é quase como caminhar com os sapatos calçados ao contrário-...ó Mário, e o prazer de olhar, sentir, cheirar o papel; e o prazer de usar um lápis e anotar/comentar nas margens das páginas; e o prazer de sair de casa e levá-lo (o livro) comigo para onde quer que vá (se não o levar sinto-me descalço).
    Brevemente o Kobo será substituído pela IA (Inteligência Artificial) por um aparelho que lerá pelos nossos olhos poupando-nos assim ao trabalho de ler e não só, limitando a nossa acção apenas a ouvir (mas nunca a escutar, porque isso é outra coisa e dá mais trabalho).
    É o "Amirável Novo Mundo", que, faço notar, eu não contesto senão lá pensariam/gritariam os sábios democratas futuristas: mais um velho do Restelo.

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