Burro velho

A minha avó costumava dizer que «burro velho não aprende línguas», mas não lhe dou razão. Já aqui vos falei um dia destes de um livro incrível de uma escritora que começou a publicar à beira dos oitenta (Escovar a Gata é o seu título) e, no ano passado, não deixei de me referir também a Aurora Venturini, uma senhora de idade que tentou toda a vida publicar os seus escritos e acabou por ganhar um prémio importante na velhice com o maravilhoso (e sórdido) As Primas, tendo, acabadinho de sair por cá, um outro romance que ainda não li (A Família Caserta). Bem sei que escrever e publicar pode ser o corolário de uma aprendizagem anterior («aprender línguas» de raiz pressupõe memória, que é o que mais nos falta quando vamos para velhos); mas, se tomarmos «línguas» como simples metáfora, posso dizer-vos que este ano já me fartei de aprender com quem sabe dois «idiomas» que desconhecia, mesmo escrevendo letras de canções há tanto tempo. Não é que fui convidada para fazer a Marcha de Alfama (uma delas) que vai ser cantada e dançada no desfile do Santo António e que, logo a seguir, sou chamada a produzir um texto para Cante Alentejano no âmbito de um projecto de valorização e modernização desta arte que é Património Imaterial da Humanidade? E o melhor é o que vou aprendendo pelo caminho. Velha, mas não burra.

Comentários

  1. Saramago também começou a publicar tarde, creio que depois dos 60 anos. E então foi uma chuva de títulos, ainda a tempo de ganhar o Nobel da Literatura.

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  2. Ena, que maravilha e que honra escrever para Lisboa! E logo para Alfama!
    Quero ver e quero ouvir, não fosse eu uma adoradora da minha cidade!
    Alfama brilhará mais ainda com a letra para a sua marcha!

    Vamos lá!

    Cristina Carvalho

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  3. Há cada vez mais excepções a confirmar a regra. A Maria do Rosário não é a regra, todos sabemos isso e não é por intuição..

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  4. Muito bem! Significa que vamos sempre a tempo de concretizarmos algo e que as concretizações podem ocorrer em qualquer idade!

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  5. Bom dia
    Do que lhe conhecemos, só pode sair-se bem destas duas novas andanças. Afinal, "burro velho pode não aprender línguas", mas a mão que escreve não esquece. Até agora não deu sinais de ter perdido o jeito. Aguardemos, com expetativa. BFsemana

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  6. quer a sua avo, como os avos em geral em devido tempo, assim diziam e estavam certinhos.
    Os tempos é que mudaram...nao as pessoas.
    .......
    Recentemente perguntei a alguem relacionado com hotelaria, mas perguntei pouco bem e nao fui compreendido:
    quantas pessoas desligadas de viagens na vida, quando velhos decidem viajar por conta propria ?! Ou seja, estou a excluir compra de viagens organizadas (precisamente, ate porque nestas viagens nem é necessario saber linguas) .

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  7. alias, e sem prejuizo de outras expressoes condizentes que entretanto surjam :
    o meu pai foi sapateiro mas andou sempre descalço.

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  8. acrescento outra ao espirito da coisa:
    cada um é pro que nasce

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  9. Se continuarmos a treinar o cérebro ele não envelhece, mas é necessário ter muita força de vontade e não acreditar em frases feitas

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  10. Todo aprendizado é válido para nós e a nossa mente. Parabéns pelo compartilhamento de informações.

    Boa semana!

    O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!

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    Até mais, Emerson Garcia

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